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Dilma Rousseff e a resposta que demoliu o senador Agripino Maia (DEM-RN)

Posted in Política by leonardomeimes on 28/09/2010

Senador José Agripino Maia (DEM): “A senhora mentiu na ditadura, mentirá aqui?”

DILMA ROUSSEFF: “Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira, só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira.
Eu tinha 19 anos, fiquei três anos na cadeia e fui barbaramente torturada, senador. E qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para os seus interrogadores, compromete a vida dos seus iguais e entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido senador, porque mentir na tortura não é fácil. Agora, na democracia se fala a verdade, diante da tortura, quem tem coragem, dignidade, fala mentira. E isso (aplausos) e isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, que eu tenho imenso orgulho, e eu não estou falando de heróis. Feliz do povo que não tem heróis desse tipo, senador, porque agüentar a tortura é algo dificílimo, porque todos nós somos muito frágeis, todos nós. Nós somos humanos, temos dor, e a sedução, a tentação de falar o que ocorreu e dizer a verdade é muito grande senador, a dor é insuportável, o senhor não imagina quanto é insuportável. Então, eu me orgulho de ter mentido, eu me orgulho imensamente de ter mentido, porque eu salvei companheiros, da mesma tortura e da morte. Não tenho nenhum compromisso com a ditadura em termos de dizer a verdade. Eu estava num campo e eles estavam noutro e o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. E esse país, que transitou por tudo isso que transitou, que construiu a democracia, que permite que hoje eu esteja aqui, que permite que eu fale com os senhores, não tem a menor similaridade, esse diálogo aqui é o diálogo democrático. A oposição pode me fazer perguntas, eu vou poder responder, nós estamos em igualdade de condições humanas, materiais.
Nós não estamos num diálogo entre o meu pescoço e a forca, senador. Eu estou aqui num diálogo democrático, civilizado, e por isso eu acredito e respeito esse momento. Por isso, todas as vezeseu já vim aqui nessa comissão antes. Então, eu começo a minha fala dizendo isso, porque isso é o resgate desse processo que ocorreu no Brasil. Vou repetir mais uma vez:
Não há espaço para a verdade, e é isso que mata na ditadura. O que mata na ditadura é que não há espaço para a verdade porque não há espaço para a vida, senador. Porque algumas verdades, até as mais banais, podem conduzir a morte. É só errarem a mão no seu interrogatório.
E eu acredito, senador, que nós estávamos em momentos diversos da nossa vida em 70.
Eu asseguro pro senhor, eu tinha entre 19 e 21 anos e, de fato, eu combati a ditadura militar, e disso eu tenho imenso orgulho.”

Chefe torturador do Khmer Vermelho é condenado a 35 anos de prisão no Camboja

Posted in Uncategorized by leonardomeimes on 26/07/2010

Até quando nossos torturadores da ditadura ficarão impunes? parece que os outros países já estão prendendo seus torturadores…

26/07/2010 – 02h37

DA EFE, NO CAMBOJA

Atualizado às 06h02.

Kaing Guek Eav, chefe torturador do antigo regime do Khmer Vermelho, mais conhecido como “Duch”, foi condenado nesta segunda-feira a 35 anos de prisão pelo tribunal internacional pelo genocídio do Camboja, após ser declarado culpado de crimes contra a humanidade.

O julgamento de Eav aconteceu em 2009. Na época, ele confessou a participação na morte de cerca de 12 mil pessoas, mas pediu perdão às famílias e alegou que fazia apenas por medo de contrariar o regime.

Integrado por juízes cambojanos e estrangeiros, um tribunal internacional foi formado em 2006 para fazer justiça às vítimas e encerrar assim uma das páginas mais terríveis da história do Camboja.

Duch é o primeiro condenado dos cinco réus do tribunal por envolvimento nos crimes cometidos durante o regime cambojano que causou a morte de pelo menos 1,7 milhão de pessoas.

A promotoria das Câmaras Extraordinárias dos Tribunais do Camboja – denominação oficial do órgão judicial – havia pedido 40 anos de prisão para Duch, pena máxima contemplada pela legislação penal cambojana.

Por sua vez, a defesa reivindicou a absolvição de seu cliente ao questionar que o tribunal tivesse “jurisdição” para processá-lo.

O tribunal determinou, por fim, a pena de 35 anos. No entanto, a corte acabou reduzindo cinco anos da pena por considerar que o ex-chefe da prisão de Tuol Sleng ou o S-21, detido em 1999 e acusado formalmente em julho de 2007, ficou preso de forma ilegal e cooperou com a Justiça.

Por isso, ele deverá cumprir outros 19 anos de prisão, após já ter passado 11 anos atrás das grades.

Com Duch de pé e aparentemente inquieto, a decisão foi divulgada após a leitura durante mais de uma hora das conclusões dos juízes.

“Todas as pessoas detidas em S-21 tinham o destino de ser executadas de acordo com a política ditada pelo Partido Comunista de Kampuchea para suplantar os inimigos”, disse o juiz Nil Nonn, que presidiu a audiência.

O tribunal encarregado de investigar e julgar as atrocidades do Khmer Vermelho se pronunciou três anos depois do início do caso e após mais de três décadas desde que o brutal regime foi derrubado do poder pelas tropas vietnamitas que invadiram Camboja.

Como diretor da prisão de Tuol Sleng, Duch supervisionou os interrogatórios e sessões de tortura de aproximadamente 15 mil pessoas, antes de enviá-las ao campo de extermínio de Choeung Ek, um dos muitos que funcionaram durante o regime do Khmer Vermelho, de abril de 1975 a janeiro de 1979.

Duch foi julgado ao longo de 77 audiências, sob a acusação de crimes de guerra, crimes contra a humanidade, assassinato e tortura.

Nesta segunda-feira, ao amanhecer (horário local), antes mesmo que o tribunal abrisse suas portas, centenas de cambojanos, observadores e jornalistas aguardavam do lado de fora para acompanhar o julgamento.

Segundo os dados oficiais, cerca de 33 mil pessoas visitaram as instalações do tribunal durante as 77 sessões do julgamento de Duch, que em algumas ocasiões foi transmitido pela televisão estatal.

Duch, de 67 anos, é o único dos cinco acusados que expressou arrependimento pelos crimes e pediu perdão aos sobreviventes.

Ainda aguardam julgamento: Khieu Samphan, ex-presidente da República Democrática de Kampuchea; Nuon Chea, ‘número dois’ e ideólogo do regime; Ieng Sary, ex-ministro de Exteriores; e Ieng Thirith, sua esposa, antiga encarregada de Assuntos Sociais de Pol Pot.

Já o ditador Pol Pot, maior arquiteto do Khmer Vermelho, ‘irmão número um’ e líder do regime, morreu na selva cambojana em abril 1998.