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The Wall – Uma obra de arte conceitual

Posted in Música by leonardomeimes on 30/10/2010

Por Erico C. Pezzin | Em 22/01/03

Fonte: http://whiplash.net/materias/especial/000242-pinkfloyd.html

O Filme para os que ainda não viram…

 

O filme foi um sucesso de bilheteria, assim como o disco que é considerado como o álbum duplo mais vendido da história! Você já parou para pensar por que gosta de Pink Floyd?

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Muitos de nós, floydianos, somos fãs do Pink Floyd por causa da voz suave de Roger Waters, dos ótimos solos de guitarra de David Gilmour, do estilo “dó-ré-mi” de Nick Mason ou dos lindos acordes de Richard Wright. Admiramos os shows, as letras simbólicas e progressivas, a incrível capacidade de demonstrar sentimentos pela música, e muitas outras qualidades mais.

Porém, existe uma característica no Pink Floyd que poucas bandas possuem, e que atrai milhões de fãs em todo o mundo: a possibilidade de se envolver com as letras.

E, com certeza, o álbum THE WALL (e o filme) é o que mais tem essa capacidade de entrar em nossos corações. Podem chamar isso de alienação, mas, confesso que se eu não pudesse desabafar às vezes ouvindo aquele solo de guitarra em Comfortably Numb no último volume, já teria encontrado alguma outra forma menos sadia de acabar, ou pelo menos de me aliviar das preocupações (drogas, por exemplo).

Alguns podem achar exagero, outros sabem muito bem do que falo, porque também o fazem. E eu digo para vocês: se você não entrar na história, não se envolver, o álbum THE WALL será sempre um simples CD (ou vinil) duplo da capa branca, com “azulejos” e monstrinhos desenhados e que tem aquela música do “Hey teacher!”. Porém, se você assistir o filme, deixar as músicas entrarem em seu coração, e passar a enxergar o muro que envolve a cada um de nós, verá que THE WALL retrata as nossas próprias vidas, nosso sofrimento de pessoas inteligentes que se importam e sofrem com o mundo que está aí.

Afinal de contas, aquele filme não é simplesmente uma história baseada na vida de Roger Waters, pois, se você prestar bastante atenção, descobrirá que essa “autobiografia incrementada” é apenas um pretexto para Waters e, por que não, Gilmour e Ezrin, apontarem tudo o que há de absurdo neste mundo louco em que vivemos.

SOBRE A INTERPRETAÇÃO

Este texto não tem a pretensão de descrever tudo o que Roger Waters quis expressar com o álbum e com o filme, pois talvez nem ele próprio tenha idéia da dimensão que sua obra tomou e das inúmeras interpretações que podem surgir sobre a obra THE WALL em si. É apenas uma tentativa de um fã de expor suas idéias, e fazer com que as pessoas que gostam do Floyd, mas ainda não compreenderam THE WALL, tenham uma idéia próxima do que ele significa.

Eu não posso dizer que tudo o que está aqui seja verdade, como ninguém poderá dizer que estou mentindo; pois esta é apenas uma interpretação pessoal de uma obra muito complexa e abstrata, apesar de realista.

“THE WALL foi um álbum incompreendido” Richard Wright

A HISTÓRIA

Na verdade tudo começou com “Animals”, que era uma espécie de pré-THE WAll, onde Waters, inspiradíssimo no livro de George Orwell “A Revolução dos Bichos” (para mim o melhor livro que ja li) critíca o caráter do ser Humano comparando-o a animais, onde tudo acaba como começa: antes os fazendeiros dominavam seus animais, até estes decretarem uma revolução contra seus donos, expulsando-os. Eles abominavam qualquer tipo de atitude semelhante a um humano, lembrem-se “quatro patas bom, dois pés ruins”. Depois de muito tempo, a ganância e o poder sobem às cabeças de seus líderes(os Porcos) que no final acabam agindo igualmente aos seus ex-donos Humanos e começam a se vestir com roupas e andar como Bípedes e no final se torna “quatro patas bom, duas melhor ainda”. Então Waters radicalmente desenvolveu sua crítica criando The Wall.

Uma parte da idéia surgiu num desastroso show da turnê In The Flesh de 1977 onde Waters cuspiu na cara de um freqüentador da platéia que invadira o palco. Isso se tornaria um dos temas do álbum. O desastre do show de 77 acabou virando inspiração para a monumental turnê de The Wall que aconteceria nos anos de 80/81. O primeiro show foi marcado por um incêndio logo no inicio quando uma das cortinas acabou pegando fogo devido aos fogos de artifício que eram lançados.

No ano de 82 o tema de The Wall ganha um filme com direção de Alan Parker e o ator Bob Geldof no papel principal. Embora o filme tenha ganhado um bom reconhecimento da mídia, Waters não ficou satisfeito com o resultado final.

THE WALL significa “o muro” em português. Este muro é algo abstrato, um sentimento de angústia que prende nossos corações e nos isola do mundo, nos dando a impressão de que não existe saída para nossos problemas.

Marcado pelas letras amargas compostas por Waters, o disco tem uma qualidade sonora marcante, com destaque para a atuação de Gilmour na guitarra. Está repleto de ruídos, gritos, vozes, mensagens ocultas, diálogos, faz a alegria daqueles que procuram os mínimos detalhes.

O grupo começou a se dissolver com as diferenças que surgiram entre Waters e Wright, causadas pelo início da paranóia de Waters e pelo consumo de cocaina de Wright. Wright acabou deixando o grupo, tocando como músico contratado durante os shows.

“As gravações foram muito tensas, principalmente porque Roger estava começando a ficar um pouco doido. Já estava tudo gravado quando ele brigou com Rick. Rick tem um estilo próprio, muito específico para o piano e ele não estava conseguindo compor nem adaptar com facilidade. Isto é um grande problema quando as outras pessoas estão discutindo quem fez o que e quem leva os créditos. Roger e Dave estavam trabalhando como uma dupla, colocando-me de lado. Houve momentos em The Wall em que os dois fizeram tudo. Rick estava incapacitado e eu não podia fazer nada para ajuda-los.” Nick Mason (baterista)

“Nós tinhamos um estúdio no sul da França, onde Wright ficava hospedado. Os outros alugaram casas a cerca de 20 milhas de distância. Íamos para nossas casas de noite e dizíamos a Rick ‘Faça o que quiser, aqui estão as trilhas, escreva algo, inclua um solo, faça algo. Você tem todo o tempo do mundo para fazer isto.’. Durante todo o tempo em que estivemos lá, e foram vários meses, ele não fez nada. Ele não era capaz de tocar nada!” David Gilmour(guitarrista)

“Roger nos apresentou o álbum em um demo, e todos sentimos que era potencialmente muito bom, mas musicalmente fraco, muito fraco. Bob Ezrin, Dave e eu trabalhamos nele para torná-lo mais interessante. Mas Roger e seu grande ego daqueles dias ficavam dizendo que eu não estava me dedicando o bastante, apesar de não me deixar fazer nada. A crise veio quando nós todos saímos de férias depois do fim das gravações. Uma semana antes das férias terminarem recebi uma ligação de Roger, que estava na América, convocando uma reunião do grupo imediatamente, onde disse que queria que eu abandonasse a banda. A princípio recusei. Então Roger disse que se eu não saisse após o lançamento do álbum ele abandonaria o grupo naquele instante e levaria as gravações com ele. Não haveria álbum nem dinheiro para pagar nossas enormes contas. Tive que aceitar, tinha duas crianças para criar. Foi terrível. Agora eu sei que errei, era um blefe de Roger. Mas eu realmente não quero mais trabalhar com esse cara nunca mais.” Richard Wright (agora ex-tecladista)

Ironicamente ele foi o único a ganhar dinheiro, já que o custo dos shows era tão elevado que o grupo simplesmente levou prejuizo. Wright, como contratado, recebeu seu salário e saiu limpinho.

Foi um verdadeiro sucesso comercial, permaneceu no topo das paradas americanas por 15 semanas e levou o disco de platina em março de 1982 por ter vendido um milhão de cópias.

Realmente, Waters fez de tudo para demonstrar que todos os acontecimentos ruins da vida do personagem da história (ele adotou o nome Pink Floyd para ele, lembram?) não foram provocados, mas eram inevitáveis. Coisas que acontecem e existem, e que não se podem mudar.

Embora no álbum a idéia que se passa não seja essa, no filme, toda a história se desenvolve em um devaneio do “Sr. Floyd”, sentado em seu quarto e olhando fixamente para a porta. Sonho esse formado por lembranças de sua vida (péssimas, por sinal).

Em “In the Flesh?”, nosso herói (interpretado no filme por Bob Geldof) nos convida a descobrir o que há por trás daquele olhar frio e do seu disfarce “nazista”. E, nessa mesma música, Floyd relembra a primeira desgraça inevitável de sua vida: a morte de seu pai na 2ª guerra mundial (o pai de Waters realmente morreu nesta guerra) ainda na sua infância, pelo avião que aparece no filme e na música.

Guerra é o primeiro absurdo do mundo retratado na obra, e influenciará a personalidade do menino Pink para o resto de sua vida. “When the Tigers Broke Free”, “The Thin Ice” e “Goodbye Blue Sky” são as músicas que introduzem, junto com “In the Flesh?”, o tema guerra na história.

Aliás, em “Goodbye Blue Sky”, pode-se notar uma severa crítica ao Governo, mais especificamente o da Inglaterra. No filme, a bandeira inglesa se transforma em uma cruz fincada no chão e sangrando, significando que por trás do ideal de defender a bandeira se esconde a morte. “Foi assim que o Alto Comando tirou meu pai de mim”, diz a letra de “When the Tigers Broke Free”.

Outra influência que a morte de seu pai trouxe foi a própria ausência deste no desenvolvimento de Pink. Isso é mostrado na cena em que ele está no parque, sozinho, e encontra um senhor que lhe parecia simpático. Pede a ele para que o ponha em cima do brinquedo. Porém, quando Pink pensou que havia encontrado um pai, o homem rejeita sua mão e empurra-o para longe. Triste, o menino senta no balanço, sozinho, e observa as outras crianças felizes, brincando com seus pais.

E o muro ganha sua pedra fundamental, seu primeiro tijolo. Afinal de contas, a morte do pai na guerra foi para Floyd apenas um tijolo no muro, como diz a música “Another Brick in the Wall part I”.

“The Happiest Days of Our Lives” e a clássica “Another Brick in the Wall part II” (quem não conhece “aquela do Hey Teacher!”?), põem em discussão outro alicerce de nossa sociedade: a educação. Roger Waters define a educação como uma alienação (representada no filme pelas máscaras com botões no rosto das crianças), fazendo com que as pessoas, ainda crianças, percam sua identidade própria e pensem o que o Governo quer que elas pensem. O sarcasmo e a violência com que os professores tratam os alunos (segundo Waters) na sala de aula são atribuídos aos problemas que eles (professores) enfrentam em casa com suas “esposas psicopatas e gordas”. No filme, o pequeno Pink sonha em ver todos os alunos destruindo a sala, queimando a escola e jogando o professor no fogo, enquanto Gilmour toca seu solo de guitarra. Destruir a escola é uma atitude própria de quem não foi alienado pela educação, e por isso é contra ela.

Cabe aqui uma observação: muitos de nós, fãs do Pink Floyd, não damos o devido valor à música “Another Brick in the Wall part II”, um verdadeiro clássico do rock mundial. Porém, nunca devemos esquecer que é esta a música mais famosa de nossa banda. Além do mais, que outro grupo de rock teve a coragem de colocar as próprias crianças cantando contra a educação? É exatamente esta ousadia que faz desta música uma das maiores e mais conhecidas do mundo. “Another Brick in the Wall part II” acabou se tornando um símbolo da revolta. Não da revolta pura e simples, sem motivo; mas da revolta consciente, de pessoas que não se acomodam com o que vêem de errado e precisam se manifestar.

Terminada a observação, voltemos à história.

Outro grande fator que viria a influenciar a personalidade do menino Pink é a superproteção por parte de sua mãe (“Mamãe vai te ajudar a construir o muro”), retratada primeiramente na música “Mother”. A infinidade de perguntas que Pink faz a sua mãe na letra da música indicam a sua dependência com relação a ela. Waters procurou (como não podia deixar de ser) estender as características da mãe no filme a todas as mães, usando frases como “Mamãe vai sempre descobrir onde você esteve”, “Mamãe vai checar todas as suas namoradas”, “Você será sempre um bebê para mim”, entre outras que realmente expressam como são a grande maioria das mães.

“Mãe, será que devo construir o muro?”. Aqui já podemos perceber o desejo do menino de se isolar do mundo.

Ainda em “Mother”, podemos apontar outro tema muito explorado em “THE WALL”: o relacionamento entre homem e mulher. No filme, aparece o contraste entre o menino curioso, que observa a vizinha trocando de roupa com o binóculo, e o homem revoltado, que prefere o jogo de futebol (observe que nem no jogo ele presta muita atenção) do que fazer amor com sua mulher. Quais seriam as razões que levaram o personagem a perder esse desejo de adolescente? Com certeza, a morte do pai, a superproteção da mãe e a revolta contra a educação podem ser apontados como motivos suficientes (segundo o autor) para isso.

Com certa razão, devido ao desinteresse do marido, a Sra. Floyd acaba traindo Pink com um líder anarquista. No filme, Pink Floyd liga para sua esposa, mas o amante desliga o fone em sua cara duas vezes. A telefonista diz: “era um homem atendendo”. Depois, naquela animação que aparece no início da música “Empty Spaces” (uma das melhores introduções elaboradas pelo Pink Floyd), as flores brigando representam o relacionamento conjugal. No início, elas se esfregam e se acariciam. Num certo ponto, é evidente a representação nos desenhos de uma relação sexual (repare como as flores adquirem formas próximas dos órgãos sexuais). Até que, no fim, uma flor (a que representa a mulher) acaba engolindo a outra. Certamente, Waters quis com este desenho estender a característica de traidora a todas as mulheres, assim como ele fez com as mães e os professores.

Após a festinha que ocorre durante a execução da música “Young Lust”, uma das mocinhas entra no trailer de Floyd. Era a chance dele “descontar” a traição, mas isso não aconteceu. Ao invés disso, numa das cenas mais chocantes do filme, o marido traído põe para fora toda a raiva, quebrando todo o seu trailer em cima da intrusa. Era uma de sua crises (“One Of My Turns”).

Na verdade, o roteiro do filme não é muito fiel às letras do álbum, pois se as observarmos, podemos verificar a seguinte sequência:

Empty Spaces fala sobre a fase pré-adolescente, onde nossos desejos sexuais começam a aflorar. O espaço vazio a que se refere o título é a necessidade de se relacionar com o sexo oposto. Estes desejos se aprofundam ainda mais em Young Lust: “preciso de uma mulher safada…”. Enquanto a letra da música sugere um “grande interesse” de Floyd por mulheres, no filme ele é o único que não participa da “festinha”. Seria só nesta música então que ele conheceria sua mulher, e não em “Mother”.

Todo casamento acaba esfriando. É sobre isso que fala a letra de “One of my Turns”, o momento onde a rotina toma conta do relacionamento e marido e mulher perdem aquele amor dos primeiros anos. “Com o tempo eu envelheci, você se tornou fria e nada mais tem graça”. Seguindo esta linha de raciocínio, pode-se muito bem pensar que a mulher que aparece falando com Floyd no início de “One of my Turns” é a sua esposa, e não uma fã (“Este lugar é maior do que nosso apartamento!”).

Bem, seja lá como for, “Don’t Leave me Now” é a hora da traição e, em “Another Brick in the Wall part III”, Floyd declara a traição de sua mulher como mais um tijolo no muro, assim como todas as pessoas que o fizeram sofrer: “Vocês não passaram de tijolos no muro”.

Agora o muro está completo.

A partir de “Goodbye Cruel World”, ocorre uma mudança muito importante no filme: Floyd, dá adeus ao mundo real, e passa a “viver” no mundo que há dentro de seu muro, que, no filme, deixa de ser uma abstração e toma forma “real”. O filme entra então numa fase de extremo simbolismo, com cenas mais loucas e de compreensão mais difícil. A história se desenrola em duas linhas: a da vida real e a das viagens dentro do muro.

Durante “Is There Anybody Out There”, “Nobody Home” e “Vera”, Floyd fica vagando pelo mundo de dentro do muro. Essa “viagem” representa um período de reflexão, sobre todos os motivos que deram origem a cada tijolo. O menino Pink acaba encontrando seu pai morto na trincheira; e a si próprio, na idade adulta, no canto de um sanatório abandonado. Vai à estação ferroviária esperar o trem que trouxe os sobreviventes da guerra, e não encontra o seu pai. “Alguém aqui se sente como eu?”.

Enquanto isso, na vida real, ele acaba com todos os pêlos de seu corpo, inclusive as sobrancelhas ! Um momento de extrema loucura.

“Comfortably Numb” é o cúmulo da tristeza. Sem dúvida, esta música deve ocupar, juntamente com “Another Brick in the Wall part II”, um lugar entre as melhores músicas do Pink Floyd e do Rock mundial. No filme, há uma mistura entre cenas do mundo real e o do muro. Floyd está confortavelmente entorpecido em seu quarto, e é encontrado pelos empresários e companheiros de banda. Os médicos tentam reanimá-lo com uma injeção (“Ok, é apenas uma picadinha de agulha!”), ao mesmo tempo em que as péssimas lembranças de sua vida perturbam a mente do personagem.

Do ponto de vista do mundo real, a injeção causou efeitos colaterais e não funcionou como devia. Sua visão ficou turva, teve de ser carregado até o carro que o levaria para o show, e sentia que sua pele estava derretendo. Do ponto de vista do mundo do muro, este é um momento em que todas as péssimas lembranças se juntam e pressionam a cabeça de Floyd, causando uma revolta tão grande que fez sua pele realmente “derreter” e se descolar do corpo. Tudo isso acontece enquanto David Gilmour executa um dos melhores solos de toda a sua carreira (se não o melhor), expressando toda essa revolta de uma maneira enérgica, mas ao mesmo tempo “bonita”.

Nos shows, aquela esfera espelhada que aparece sempre que “Comfortably Numb” é tocada representa o desejo de manifestar a revolta a todo o mundo, através dos raios de luz, e também do solo de guitarra.

Outro momento importantíssimo da história: Floyd consegue se livrar da sua pele e, por baixo dela, aparece um uniforme estilo nazista. Percebe-se aí a grande influência da morte de seu pai na 2ª Guerra Mundial (lembrem-se que foi esta a guerra contra o nazismo). A suástica dá lugar a dois martelos cruzados, representando o desejo de se derrubar o muro, ou seja, se libertar das angústias e viver normalmente.

Aqui você deve estar pensando: mas não foi o próprio Floyd que construiu o muro para se isolar do mundo? Por que agora ele quer derrubá-lo?

Para entender esta aparente contradição, você deve se colocar no lugar da personagem. Você com certeza não iria querer se isolar do mundo. Floyd também não. Porém, se aqueles fatos (morte do pai, mãe superprotetora, professor carrasco, traição da mulher) acontecessem em sua vida, certamente no seu inconsciente haveria um desejo de se isolar. O muro é construído no inconsciente, e nós só nos damos conta de seu tamanho quando ele está muito alto. Traduzindo para a linguagem do mundo real, nós nos isolamos quase sem querer, e só percebemos nosso isolamento quando já estamos quase sem saída para nossos problemas. Neste ponto, você também não ía querer quebrar o muro?

Floyd vai para o show. Mas, em sua cabeça, atordoada pela injeção e pelo muro, o show toma uma aparência nazista, com braços esticados e tudo o mais. “In the Flesh” e “Run Like Hell” são as músicas deste trecho, talvez o único momento alegre do filme, já que é a parte que ilustra a vontade de sair do isolamento e manifestar os sentimentos. Novamente podemos ver as máscaras de botão no rosto das pessoas (“É melhor você colocar aquele seu disfarce favorito, com os olhos cegos de botão…”), representando alienação. Existem duas hipóteses para explicar o significado das máscaras no show.

Pode ser uma nova referência aos governos (com Floyd fazendo o papel de “líder político”, alguém como Hitler). Neste caso, o significado da cena seria que todo tipo de governo pode ser comparado ao nazismo, pois todo governo acaba alienando as pessoas através da educação e da propaganda. Podemos muito bem tomar o exemplo do Brasil. Como pode um presidente entregar o seu país ao capital estrangeiro de uma forma tão grotesca e o povo não fazer nada? Acabar com a educação e com a saúde e ninguém perceber? Isso pode ser explicado pelo simples fato de que o nosso povo é alienado, assiste TV demais e acredita em tudo o que o governo diz através dela. Não se importa com a política de seu país e ainda acha que só “Fernandinhos” têm a capacidade de governar. Alienação pura !!!

Waters está criticando seus próprios fãs. Segundo ele, nós ouvimos suas músicas sem ao menos saber o que elas significam. É uma grande injustiça, já que a maioria de nós, floydianos, somos fãs do Pink Floyd justamente por causa das idéias e das letras. Mas todos nós sabemos que o relacionamento de Waters com seus fãs não era grande coisa. Além do mais, talvez ele não esteja criticando os verdadeiros fãs, mas as pessoas em geral que ouvem suas músicas.

“Waiting for the Worms”, além de fazer referência à enganosa propaganda nazista, é o momento da guerra entre os martelos e os tijolos. Representa nossa luta contra o isolamento e suas causas. Mas lutar contra este isolamento não é nada fácil. O muro é mais forte, e em “Stop”, Floyd se cansa de lutar. Em seu devaneio, ele é preso por ser “nazista”. Na linha real, o guarda encontra “Floyd” cansado do show e sentado no canto de um sanitário, bebericando um pouco da água da privada.

Chegamos à fase final da história: a hora do julgamento (“The Trial”). No filme, é uma parte feita com desenho animado, onde cada pessoa que participa da sessão é representada por um desenho louco. Floyd vira um simples boneco de pano, sem movimentos, sem vida, ilustrando a sua impossibilidade de se defender das acusações. É um julgamento tipo “Juízo Final”. Podemos ver o professor (em uma cena, aparece um boneco de uma mulher gorda e feia, a mulher do professor, que bate no boneco que representa o professor, que por sua vez, bate no boneco sem vida que faz as vezes de Floyd), a mãe (o abraço dela de transforma em um muro), a esposa, entre outros.

Floyd é culpado por construir seu próprio muro. Aquele Juiz que aparece dando o veredicto final representa a sociedade, o mundo, as outras pessoas. Tanto é que, no final da música, um grande coro grita: “Derrubem o muro”. É a representação da sociedade. Ela não se importa se os motivos que levaram Floyd ao isolamento são válidos, se Floyd teve culpa ou não das desgraças de sua vida. O que importa é que Floyd é um isolado e não pode mais sê-lo. Portanto, o muro deve ser quebrado. E assim se faz.

“Outside the Wall” tem um significado muito bonito: trata das pessoas que estão do outro lado do muro, que amam a pessoa que está isolada, mas não são “vistas” por esta, e algumas delas acabam desistindo. “Afinal não é fácil bater seu coração contra o muro de um louco errante.”

As crianças no final do filme representam o que cada um de nós vai fazer após assistir o filme: recolher tijolos do muro de Floyd e começar o seu próprio muro, ou jogar a sujeira fora e tentar viver uma vida normal. Você escolhe !

CONSIDERAÇÕES FINAIS

THE WALL é uma obra de protesto contra o mundo, as suas bases, e as pessoas que o formam. Waters procurou demonstrar como cada fator influenciou a vida do personagem, e como pode influenciar a vida de cada um de nós. O Governo e a guerra lhe tiraram o pai, sua mãe aprofundou seu isolamento com sua superproteção, a escola alienou todos a sua volta, e a mulher o traiu por causa do desinteresse que, por sua vez, foi gerado pela revolta contra os fatos acima citados. Tudo o empurrou para o isolamento.

Para Floyd, o mundo estava errado. Mas para o mundo, quem estava errado era Floyd. Ele era o isolado, o diferente, o louco.

Quantas vezes isso não ocorre na nossa vida: enquanto nós podemos ver claramente inúmeros erros grotescos na sociedade, e nas pessoas, quando vamos falar com estas pessoas sobre o que está errado, quem acaba se passando por alienado somos nós mesmos. O próprio Roger Waters foi taxado de depressivo pela crítica por causa do THE WALL. Isso ocorre pela primeira vez geralmente logo na idade escolar, onde já podemos enxergar as diferenças entre nossos colegas.
Daí, quando nos vemos diante de um dilema como este, nosso instinto acaba tomando uma decisão, de nos juntarmos aos alienados ou não. Se o nosso instinto acatar a segunda opção, o muro começa aí, e só vamos nos dar conta dele bem mais tarde…

Quebrar o muro significa mudar o mundo, para que não precisemos mais ficar isolados dele. Mas isso é muito difícil, Floyd não conseguiu. Ao invés de ele quebrar o muro, a sociedade é que o derrubou. Ter o muro derrubado significa ter suas idéias expostas e ridicularizadas pela sociedade, a voltar a ser chamado de “alienado” pelas pessoas que se julgam normais.

A Obra só terminou realmente com The Final Cut que é mais ou menos os restos de The Wall que Dave achava desnecessário, que fala mais sobre a Guerra e o sofrimento de Roger pela morte de seu falecido pai. Mas essa já é outra História.

Então, o que devemos aprender com THE WALL ?

A verdadeira mensagem está naquele menino que aparece no final do filme, que joga a sujeira fora da garrafa: talvez não precisemos nos isolar do mundo para tentar mudá-lo, mas sim, limparmos a sujeira de nossos corações e seguir em frente. Temos que quebrar os tijolinhos que aparecem no dia-a-dia constantemente, e não deixar que eles formem um muro enorme.

E você já reparou que, com todo o seu sofrimento, Floyd não disse uma palavra contra Deus? Pois é, se o muro te cerca pelos quatro lados, a saída está lá em cima. Sempre.

Agradecimentos à “The Wall Home Site” e a Edilson Costa de Castro.

Syd Barrett (pt.4)

Posted in Música by leonardomeimes on 27/09/2010
Atom heart mother

Atom heart mother

Syd era a mente criativa por trás do grupo. Logo após a saída do compositor, os integrantes se viram numa situação complicada em que a banda simplesmente não tinha líder. Até que Roger Waters assumisse essa posição, foram lançados alguns discos. Nessa época, Wright, Gilmour e Waters queriam traçar rumos diferentes o que fez com que por algum tempo ficaram perdidos conceitualmente e musicalmente. Cada membro estava experimentando bastante por conta própria e buscando uma nova direção para o som da banda. Nesse périodo cada um, com exceção de Mason, contribui com canções próprias. É a fase de transição entre o psicodélico e o progressivo.

A banda continua experimentando mas uma nova identidade começa a se formar. Já em álbuns como “Atom Hearth Mother” e “Ummagumma” temos composições mais longas e estruturalmente mais complexas. É a nova identidade da banda, cada vez mais se aproximando do som progressivo único que a tornou famosa.

Ummagumma

Ummagumma

Já no disco “Meddle”, na faixa final “Echoes” de 23m, por exemplo, vemos uma banda distante da psicodelia de Barrett. Mas aonde está a influência de Syd na obra da banda? Basta ver os temas de alguns dos discos mais famosos, impossível não relacionar à personalidade de Syd. Nesses casos, o que mais intriga Waters não é a influência musical mas sim o personagem Syd Barrett.

Em “Dark Side of the Moon”, temos como tema, além de uma crítica à sociedade da época, as coisas que podem levar um homem à loucura. A associação com Syd é óbvia. Já em “Wish You Were Here”, álbum seguinte a “Dark Side…”, temos as maiores referências à Syd. A começar pelo tema central: a ausência (nos remetendo à falta de Syd). Mas a maior referência é numa música dedicada ao próprio Syd, “Shine On You Crazy Diamond” (nas iniciais temos as letras S Y D). Na letra da música, claramente uma homenagem ao ex-membro da banda temos mais referências ao caráter do “Crazy Diamond”.

Wish you were here

Wish you were here

Meddle

Meddle

Outra parte de Shine On

Posted in Música by leonardomeimes on 24/09/2010

Syd Barrett (pt.3)

Posted in Música by leonardomeimes on 24/09/2010

Inicialmente, a ideia era que Syd continuasse compondo mas quem tocaria ao vivo seria Gilmour. A ideia não dá certo e Barrett sai da banda em março de 68. Sai no álbum “Saucerful of Secrets” sua última contribuição, “Jugband Blues”. A faixa representa o adeus de Barrett à banda, onde Syd fala de sua alienação em relação aos outros membros de forma sarcástica.

A letra da música deu fruto a diversas interpretações. Algumas sugerem que Syd faz uma crítica aos companheiros que o afastam, em outras pode ser interpretada como um adeus lúcido de Barrett da banda, uma última prova de sua genialidade.

Syd lançaria em 1970 “Madcap Laughs” e “Barrett”, seus dois álbuns solos com participações e produção de membros de sua antiga banda. Os álbuns não alcançam grande sucesso. As composições seguem praticamente no mesmo estilo do Pink Floyd. Letras simples, experimentalismo, mas sem a mesma pegada das composições anteriores. Algumas são arrastadas e em outras as letras são simplórias. Parece que a chama de genialidade foi aos poucos se apagando mas de certa forma continuava lá. Após mais alguns anos de tentativas e fracassos, Syd larga o mundo da música e vai morar em Cambridge, vivendo até a morte uma vida normal como já dito.

Syd Barrett (pt.2)

Posted in Música by leonardomeimes on 23/09/2010

http://www.lastfm.com.br/music/Syd+Barrett/+images

Biografia

Roger Keith Barrett nasceu em Cambridge em 1946. Filho de uma família de classe média, desde cedo se aventura no mundo da música. Ainda jovem, conhece Roger Waters, com quem formaria banda mais tarde. Aos 14 anos, recebe o apelido de Syd, tirado do nome de um baixista de jazz da região chamado Sid Barrett (o “y” veio para diferenciar do original). Outro fato importante na vida de Barrett é a morte de seu pai quando ele tinha 16 anos. Mais tarde, Syd frequentou uma Faculdade de Belas Artes antes de entrar para o Pink Floyd.

Mesmo quando se tornou músico profissional, manteve o hábito de pintar. Na juventude, participou de algumas bandas que faziam pequenas apresentações em bailes ou festas e escreveu algumas canções como “Effervescing Elephant”.

Em 1964, se muda para Londres para entrar no Camberwell College of Arts. Um ano depois entra no Pink Floyd, então Tea Set. Na época, participavam da banda o guitarrista Bob Klose, o tecladista Rick Wright, o batersita Nick Mason e o então guitarrista Roger Waters. Chris Dennis foi o vocalista por algum tempo, até que Syd assumiu o vocal e a guitarra, Waters tendo virado baixista e Klose tendo saído da banda alguns meses depois.

O nome da banda é ideia de Syd que junta os nomes de dois compositores obscuros de blues: Pink Anderson e Floyd Council. Inicialmente a banda se chama “The Pink Floyd Sound.”

É nessa fase que Syd começa a escrever mais músicas, sempre com letras extravagantes e originais. A banda vira uma das favoritas de vários clubs como o UFO Club, o Marquee e o Roundhouse.

Capa do disco Piper at the Gates of Dawn

Capa do disco Piper at the Gates of Dawn

Mas a banda dá o salto para o sucesso no ano de 1967. Aparecem em um documentário, lançam os singles “Arnold Layne” e “See Emily Play” e o disco de estreia, o cultuado “Piper at the gates of dawn” (gravado em Abbey Road).

A banda se consolida como a mais importante do emergente cenário psicodélico britânico, com composições curtas, experimentais, não-lineares, viajantes e inovadoras. É e Syd o maior responsável por essas músicas. Quase todas as composições do primeiro álbum são dele (Waters assina uma música).

Se já há algum tempo o jovem compositor tomava LSD (e as viagens o inspiraram em muitas das músicas) o sucesso faz com que Syd abuse no uso do alucinógeno. Isso porque ele queria que a banda continuasse desconhecida do grande público e não conseguia se ver na função de frontman de uma grande banda. Cada vez sentindo-se mais pressionado, não vê nenhum saída que não fosse se alienar cada vez mais fazendo uso da droga.

Começa o processo de alienação e enlouquecimento do compositor. Assim como suas composições, seu comportamente se torna totalmente imprevisível. Syd muitas vezes ficava olhando para o nada, e isso no meio de apresentações (Waters mais tarde definiria os seus olhos como black holes na música “Shine On…”). Por causa de seu comportamento, fica cada vez mais complicado para a banda se apresentar ao vivo.

É nesse momento que David Gilmour se junta à banda.

http://www.lastfm.com.br/music/Pink+Floyd/+images

Syd Barrett (pt.1)

Posted in Música by leonardomeimes on 22/09/2010
Syd Barrett

Syd Barrett

Syd Barrett é um dos personagens mais emblemáticos no mundo do Rock. O que mais impressiona é que Syd lançou apenas um álbum com o Pink Floyd, banda da qual participou por alguns anos e dois álbuns na carreira solo. Desde o começo da década de 1970 até o ano de sua morte (2006), viveu uma vida pacata em Cambridge na Inglaterra sem fazer aparições públicas e muito menos shows.

Mais do que propriamente sua obra (que é curta e justamente por isso muitos não dão muita importância), a figura de Syd é importante para se entender o movimento de psicodélico e também o que o Pink Floyd se tornaria depois de sua saída. Vamos começar com uma breve biografia.

Fonte: http://whiplash.net/materias/especial/104408-pinkfloyd.html%5D

The Flaming Lips: Tributo ao Pink Floyd lançado em CD

Posted in Música, Uncategorized by leonardomeimes on 03/08/2010

Fonte: blog Tenho Mais Discos Que Amigos!

O álbum “The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon” foi lançado no final do ano passado em versão digital e vinil.
Mas no dia 26 de junho deste ano, o registro – que é um tributo ao influente “The Dark Side Of The Moon”, do lendário Pink Floyd – foi lançado em CD.

Tracklisting:

01. “Speak to Me / Breathe” (com Henry Rollins e Peaches)
02. “On the Run” (com Henry Rollins)
03. “Time / Breathe (Reprise)”
04. “The Great Gig in the Sky” (com Peaches e Henry Rollins)
05. “Money” (com Henry Rollins)
06. “Us and Them” (com Henry Rollins)
07. “Any Colour You Like”
08. “Brain Damage” (com Henry Rollins)
09. “Eclipse” (com Henry Rollins)

O álbum foi apresentado na íntegra e na sequência somente uma vez, no ano passado, em Oklahoma (cidade natal da banda) e você pode conferi-lo na íntegra e ainda saber onde encontrar o CD, no link abaixo.

Pink Floyd e Stanley Kubrick: Universos que se chocam

Posted in Música, Uncategorized by leonardomeimes on 02/08/2010

Publicado originalmente no Blog Overdose Intuitiva.

O que um diretor de cinema e uma banda de rock progressivo teriam em comum? Seria difícil de imaginar se fosse qualquer diretor e/ou qualquer banda. Mas tratam-se de mentes geniais que marcaram pra sempre suas áreas de atuação.

Mas, a relação entre os dois vai além do puro fato de suas genialidades e importância para o cinema e a música. Stanley Kubrick foi um diretor revolucionário, criou filmes que com certeza, pelo menos um, está na lista dos 10 melhores de todos os tempos de qualquer cinéfilo. Pink Floyd, foi uma mega banda de rock progressivo admirada por todos amantes de rock progressivo. É o carro-chefe do estilo e a primeira a ser mencionada nesse assunto. O que veremos aqui são características em comum entre os métodos de criação de um marco no cinema e na música.

A exaustiva busca da perfeição

Ainda criança, Kubrick ganhou de seu pai um tabuleiro de Xadrez. Com certeza o pai não fazia idéia da importância disso. Esse simples presente ajudaria criar um espírito perfeccionista em seu filho. Perfeição sempre almejada nas formas, planos de filmagem e fotografias de seus filmes. Onde mais se pode ser notada é no filme Barry Lyndon, seu filme mais visualmente perfeito. Enquadramento, luz e também as atuações. Os atores tiveram que repetir exaustivamente as cenas para finalmente sair como Kubrick queria. É tido também como um marco na fotografia cinematográfica.

A busca da perfeição é uma característica de todo rock progressivo. Mas como o Floyd é a locomotiva desse estilo, cabe a ela o maior reconhecimento. O perfeccionismo do Pink Floyd poderia se resumir a um nome: Roger Waters. O britânico é conhecido como rabugento e excessivamente metódico na composição de suas músicas. Mas não, não se resume a apenas ele. Existem outros três com o mesmo espírito sempre inquieto. David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason. Cada um em seus instrumentos. Cada acorde ou solo, letras ou capas é meticulosamente criado para o conceito dos álbuns. Nada é por acaso, tudo está lá porque tem um devido propósito.

O espaço e o tempo

O quesito primário para se assistir um filme de Kubrick. Ter tempo sobrando. Os filmes facilmente ultrapassam as 2 horas. Já o Pink Floyd tem uma discografia regrada de músicas com mais de 10, 12, 15 minutos, algumas com mais de 20. A banda além de ser rotulada como “progressiva”, está inserida em um estilo visivelmente comparável aos filmes de Stanley Kubick, trata-se do Space Rock. Esse estilo é marcado pelas longas passagens de instrumentos, como sintetizadores e uso experimental de guitarras. Kubrick esbanja tal característica. Seus filmes são marcados por longas cenas e, principalmente diálogos. Diálogos que fazem o espectador penetrar profundamente na mente do personagem. O que Kubrick e Floyd magistralmente fazem com isso é prender seu público mostrando o conteúdo denso e, mutas vezes, enigmático, que de suas obras. Embora para muitos não familiarizados com o tempo das músicas e filmes se trata de uma bela provação de paciência.

Megalomania

É difícil imaginar a produção de 2001: Uma Odisséia no Espaço em 1968. Não é um filme pra essa época, não existiam recursos para uma produção tão gigantesca. São efeitos especiais que até para hoje podem ser considerados de alto nível. Kubrick sempre pensa a frente de seu tempo, mas para a produção desse filme ele parece ter se teleportado para o futuro.

Mais difícil ainda era imaginar uma banda na década de 80, em pleno fervor punk, levantar um muro de dezenas de metros no palco pra depois simplesmente destruí-lo, bonecos infláveis gigantescos. Esse era o Pink Floyd em sua megalomaníaca turnê The Wall. O show The Wall Live in Berlin, que não era com o Pink Floyd mas apenas com Roger Waters foi considerado um dos maiores espetáculos da história da música. Destaque também para a turnê Division Bell com o famoso espetáculo de luzes.

A banda era conhecida por seu experimentalismo com instrumentos eletrônicos como sintetizadores e teclados. Era a banda que tinha, na época, o mais impressionante equipamento musical de todo mundo. Eram caminhões que seguiam viagem em suas turnês e postas no palco. Era também uma banda adepta do sistema de gravação quadrifônica. De tão complexos eram a sua complexidade técnica para instalação e alto custo de implantação o sistema foi um fracasso.

Conceito e conteúdo. O ser humano e seus conflitos

Dr. Fantástico, um fictício desfecho da Guerra Fria caso um cientista com problemas mentais fosse ouvido; Laranja Mecânica, um jovem líder de uma gangue que se diverte estuprando e promovendo a ultra violência que é submetido a um tratamento de choque para curar sua loucura; O Iluminado, uma pessoa aparentemente normal que de tanto ficar isolada enlouquece a ponto de querer matar sua esposa e próprio filho.

Dark Side Of The Moon traz músicas que refletem diferentes fases da vida humana, seus elementos mundanos e fúteis, e a sempre presente ameaça de loucura; The Wall, um rapaz que constrói um muro em sua consciência para isolá-lo da sociedade, e, através das drogas, refugia-se num mundo de fantasia que criou para si.

Nada tão complexo e denso como a mente humana e, mais precisamente, sua loucura. O tema foi tão explorado por Floyd e Kubrick que acabou se tornando características fundamentais de suas obras.

2001 e Echoes

Strauss que me perdoe, mas Echoes nasceu para ser trilha sonora de 2001: Uma Odisséia no Espaço.

Roger Waters e David Gilmour vão tocar juntos música do Pink Floyd

Posted in Música, Uncategorized by leonardomeimes on 19/07/2010

16/07/2010 11h10 – Atualizado em 16/07/2010 11h30

‘Comfortably numb’ foi a música sugerida por Gilmour para show de Waters. Os dois já tinham tocado juntos em show de caridade em Oxford.

David Gilmour (esquerda) e Roger Waters, em show na semana  passadaDavid Gilmour (esquerda) e Roger Waters, em
show na semana passada (Foto: Divulgação /
Site oficial)

O guitarrista e cantor David Gilmour e o baixista Roger Waters, que tocaram juntos no Pink Floyd, vão se reunir para um show, afirmou Waters em sua página no Facebook. Na semana passada, os dois já tinham tocado juntos em um show de caridade em Oxford, na Inglaterra. Os dois devem tocar “Comfortably numb”, um dos principais sucessos da banda inglesa.

No texto postado na rede social, Waters explica que a participação especial começou a ser tramada antes da apresentação da semana passada. O baixista afirma que Gilmour havia pedido a ele para dividir os vocais em um dueto. Caso Waters aceitasse, Gilmour tocaria em um show com ele.

“Como poderia recusar tal oferta?”, escreveu Waters no Facebook: “Eu não poderia, não tinha como. Generosidade ultrapassa o medo. E assim explicando que eu provavelmente seria uma droga [nos vocais do dueto], mas se ele não se importava, eu também não me importaria. Eu concorde e o resto é História. Nós tocamos junto e foi excelente. Fim da história. Ou possivelmente, o início”

Videos de música

Posted in Cinema, Música by leonardomeimes on 08/07/2010

David Bowie, duas músicas do filme O Labirinto, estrelado e musicado pelo Bowie:

e para quem tem paciência Pink Floyd (One of these days) como trilha sonora da última parte do filme 2001 Uma Odisseia no Espaço:

Encaixa perfeitamente!