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A Importância da Descrença | Big Thinko

Posted in Uncategorized by leonardomeimes on 26/05/2010

Stephen Fry

Stephen Fry

The Importance of Unbelief | Stephen Fry | Big Think.

Stephen Fry

Stephen Fry

Pergunta: Que filósofos lhe influenciaram?

Stephen Fry: Filosofia é algo estranho. Quando nós utilizamos a palavra no dia a dia às vezes a ouço de forma hilária. Eles dizem, “oh, nunca é bom estar atrasado”, “estaé minha filosofia”. Você pensa que essa é uma descrição generosa de um costume, chamá-lo de filosofia, mas é estranho como os filósofos que geralmente falam, pelo menos os que eu já ouvi, ou aqueles que eu conheço o valor, não tem essa noção de filosofia. Não há nenhuma forma Socrática, ou Kantiana, de viver sua vida. Eles não oferecem códigos de ética e padrões pelos quais você deveria viver sua vida. Eles não oferecem uma filosofia a seguir. Eles simplesmente levantam uma enorme quantidade de perguntas, no mesmo sentido de que você faz a pergunta a um filósofo que é importante para mim.

Bem, eu realmente amei o grande passeio pela filosofia de Bertrand Russell, a história da filosofia dos pré-socráticos como são chamados, Zeno e assim por diante, até Sócrates, Platão e Aristóteles. Eu, na verdade, nunca gostei muito de Aristóteles. Apesar de ele ter sido um gênio, obviamente, e brilhante, ter inventado a lógica, então porque não gostar? Eu acho que foi a influência dele na mente medieval que foi de fato funesta e infeliz e todas aquelas categorias e coisas, mas quando isso se abriu com Sponiza, eu acho, e com Kant a era do esclarecimento veio. Ah e também Locke. Eu gosto de Locke. Ele era um filósofo inteligente, mas eles não… eu digo, o que é realmente importante sobre eles… Eles são bem assustadores quando você pensa na palavra filósofo (…). Então, sim, eu considero a filosofia algo realmente importante, mas eu acho que em nossa época nós tendemos a ser muito entusiasmados sobre ela. Nós até achamos que o Budismo é uma filosofia, que você conhece como algum tipo de coisa oriental sobre ser bom e espiritual e isso é o que basta, o que é bom. O que eu quero dizer é que obviamente eu acredito na bondade e muitas coisas espirituais, mas o rigor intelectual real e a busca pela lógica é algo que eu temo ser muito trabalhoso e nós viemos em uma época em que o trabalho pesado é, se não depreciado ou denegrido, ago que se foge ou ignora. É o tipo de coisa que as pessoas vêm a você e dizem, “bem, isso é meio idiota e estúpido. Porque nós não podemos apenas pensar pequeno e falar sobre espíritos?”Bem, você pode falar sobre espírito, mas se você pensar que isso é filosofia e que é boa o suficiente para você.

Stephen fry e Jude Law

Stephen fry e Jude Law

A filosofia mais importante, eu acho, é pensar que, mesmo que não seja verdade, você deve presumir que não existe vida após a morte. Você não pode por um segundo, eu acho, abraçar a responsabilidade de acreditar que existe, pois se você acha que haverá uma eternidade em que você pode falar comMozart e Chopin e Schopenhauer em uma nuvem e aprender coisas e, você me entende, realmente atingir o conhecimento e o entendimento, então você não ligará para isso agora. Este é um terrível erro. Pode haver uma vida após a morte e eu parecerei muito burro, mas pelo menos eu terei passado por uma vida, uma vida cheia, atolada, então para mim o mais importante é, como Kipling diz, preencher todos os 60 segundos que tem. Você me entende, então isso é tudo, suponho. Não há porque gastar seu tempo sendo preguiçoso, apesar de que, claramente, a indolência de uma forma divina, tem suas vantagens. Ora, cale-se Steve. Ok, próxima pergunta.

Pergunta: No que você realmente acredita?

Stephen Fry: é interessante. O ateismo acaba gerando uma repercussão ruim na imprensa, eu suponho, então eu prefiro me descrever como um humanista, um humano… Eu não acredito em Deus. Eu não acredito que há um Deus. Se eu fosse acreditar em um Deus eu acreditaria em Deuses. Eu acho que o monoteísmo é algo realmente fantasmagórico. Este é para mim um incrível desentendimento. Eu posso ver perfeitamente porque qualquer um poderia imaginar que cada coisa, cada coisa que cresce, cada fenômeno que nós… que nos acompanha em nossa jornada pela vida, o céu, as montanhas, sejam espíritos da natureza. Eu consigo imaginar porque o homem desejaria que eles tivessem algum tipo de alma por dentro que poderia ser chamada de Deus daquela coisa. Eu consigo entender isso. É uma forma linda e charmosa de olhar para as coisas e eu posso entender a idéia Grega de que existem estes princípios de luz, ou de guerra, ou de inteligência e dão-lhes um corpo, os personificam em Atena, ou Áries ou qualquer outro Deus que você queira que faça sentido, mas dizer que há apenas um único Deus que fez tudo e que é… bem, isso é muito… O que? Porque? Quem disse? Onde? Vamo lá! E eu amo ver quando as pessoas veem, eu não sei, David Attenborough ou o algo como o Discovery Planet, onde você vê a majestade absolutamente fenomenal, complexa, e a beleza absolutamente desconcertante da natureza e você olha para isso e então… alguém próximo a você diz, “E como você pode acreditar que não há um Deus?” “Olhe isso!” E então cinco minutos depois você esta olhando para o ciclo de vida de um verme parasita cujo trabalho é se enterrar nos olhos de um pequeno carneiro e comer o olho de dentro ara fora enquanto o carneiro morre em uma agonia horrível e então você vira para eles e diz, “É, onde está seu Deus agora?” Você não pode sair por ai dizendo que há um Deus apenas porque o mundo é bonito. Você tem que contar também os casos de câncer em crianças. Você tem que contar com o fato de que quase todos os animais selvagens vivem sob estresse sem ter o que comer e terão mortes violentas e sanguinárias. Não há, de nenhuma forma, uma maneira de escolher apenas pequenos pedaços e dizer que isso significa que existe um Deus e ignorar os fatos reais de como a natureza funciona. Ao pensar sobre a natureza o homem tem que considerar sua totalidade e ela é algo incrível. Ela é absolutamente maravilhosa e a ideia de que um ateísta ou humanista, se quiser dizer assim, não se maravilha ou pensa sobre a realidade, na forma como as coisas são, não faz sentido. Na verdade nós observamos ela em seu todo. Nós não paramos apenas e dizemos que o que nós não podemos explicar chamaremos de Deus, que é o que a humanidade fez historicamente. Isso é dizer que Deus era absolutamente tudo a mil ou dois mil anos atrás, porque nós não entendíamos absolutamente nada sobre o mundo natural, então era tudo Deus e, então, conforme nós entendemos mais, Deus foi se retraindo e retraindo, então de repente ele já não está em lugar algum. Ele está apenas nas coisas que não entendemos, que são importantes, mas eu acho que isso é apenas um insulto à humanidade e os Gregos viram isso. Os Gregos entenderam perfeitamente que se existissem seres divinos eles seriam caprichosos, maus, perversos na maioria, temperamentais, invejosos e profundamente inconvenientes porque se você diz que tem que existir um Deus ou Deuses, então você tem que admitir que eles são pelo menos caprichosos. Eles certamente são incoerentes. Eles certamente não amam a todos. Eu quero dizer, isso também não é bom o suficiente.

Stephen Fry

Stephen Fry

Sabe, agente pode assumir a responsabilidade sobre nossas ações, a responsabilidade sobre nossos destinos e a responsabilidade pelo direcionamento, manutenção e criação de nossas próprias “filosofias” éticas e morais, o que é para mim o mais importante. O maior insulto ao humanismo é a ideia de que a humanidade precisa de um Deus para ter uma moral. Há uma forma bem clara de demonstrar logicamente o quanto isso é absurdo, porque a justificativa para este framework de moral, para uma moral que vêm de Deus, é sempre testada contra a moral própria do homem e essa é uma discussão complicada. Mas, eu digo, essa moral é, você sabe, o padrão que é bem enraizado, mas a ideia de que nós não sabemos diferenciar o certo do errado, mas temos como pronunciá-los em palavras e escrever em um livro, dois, três, quatro, cinco, seis mil anos atrás e ditá-los para tribos desérticas neuróticas e de cabeça quente, é muito absurda. Simplesmente não, quero dizer que, se existisse um Deus ele gostaria que nós fossemos mais espirituosos e não apenas tomássemos suas palavras para tudo. Ele não gostaria? Se ele nos deu o livre arbítrio ele gostaria mesmo é que nós disséssemos, “Não, eu vou renunciar a tudo que está neste livro, todas as leis de circuncisão e de alimentação e de…” Eu digo, “eu vou obedecer aqueles que escreveram ali”, “eu não vou pensar por mim mesmo porque isso não é algo que me exigem”. Ah vamos lá. Simplesmente não é bom o bastante e você sabe que eu não brigo com nenhum indivíduo que queira isso… que são devotos ou tem fé. Eu não quero tirar sarro deles. Eu realmente não quero, mas eles que se danem se eu tiver que ser controlado por eles sobre o que fazer com meu corpo ou que se danem se eu lutarei de novo as grandes batalhas que houveram no passado ganhas pelo conhecimento nos últimos 400 anos. Ter essas batalhas abdicadas em nome de uma nova era das trevas. Isso é, você entende… As linhas de batalha devem ser traçadas.

Gravado em dezempro de 2009