Moscas Mortas Revolution – Página Inicial

Tudo que Jesus …

Posted in Filosofia by leonardomeimes on 25/01/2013

Tudo que Jesus poderia desejar através de sua morte, em si mesma, era oferecer publicamente a maior prova possível, um exemplo de seus ensinamentos. Mas os discípulos estavam muito longe de perdoar sua morte – apesar de que fazê−lo seria consoante ao evangelho no mais alto grau; e também não estavam preparados para se oferecerem, com doce e suave tranqüilidade de coração, a uma morte similar… Muito pelo contrário, foi precisamente o menos evangélico dos sentimentos, a vingança, que os possuiu. Parecia−lhes impossível que a causa devesse perecer com sua morte: “recompensa” e “julgamento” tornaram−se necessários (– e o que poderia ser menos evangélico que “recompensa”, “punição” e “julgamento”!). – Uma vez mais a crença popular na vinda de um messias apareceu em primeiro plano; a atenção foi direcionada a um momento histórico: o “reino de Deus” virá para julgar seus inimigos… Mas nisso tudo há um mal−entendido gigantesco: conceber o “reino de Deus” como ato final, como uma simples promessa!

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Deus deu seu fi…

Posted in Filosofia by leonardomeimes on 25/01/2013

Deus deu seu filho em sacrifício para a remissão dos pecados. De uma só vez acabaram com o Evangelho! O sacrifício pelos pecados, e em sua forma mais obnóxia e bárbara: o sacrifício do inocente pelo pecado dos culpados! Que paganismo apavorante! – O próprio Jesus havia suprimido o conceito de “culpa”, negava a existência de um abismo entre Deus e o homem; ele viveu essa unidade entre Deus e o homem, que era precisamente a sua “boa−nova”… E não como um privilégio! – Desde então o tipo do Salvador foi sendo corrompido, pouco a pouco, pela doutrina do julgamento e da segunda vinda, a doutrina da morte como sacrifício, a doutrina da ressurreição, através da qual toda a noção de “bem−aventurança”, a inteira e única realidade dos Evangelhos é escamoteada – em favor de um estado existencial pós−morte!… Paulo, com aquela insolência rabínica que permeia todos seus atos, deu um caráter lógico a essa concepção indecente deste modo: “Se Cristo não ressuscitou de entre os mortos, então é vã toda a nossa fé” – E de súbito converteu−se o Evangelho na mais desprezível e irrealizável das promessas, a petulante doutrina da imortalidade do indivíduo… E Paulo a pregava como uma recompensa!…

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A grande mentir…

Posted in Filosofia by leonardomeimes on 25/01/2013

A grande mentira da imortalidade pessoal destrói toda razão, todo instinto natural – tudo que há nos instintos que seja benéfico, vivificante, que assegure o futuro, agora é causa de desconfiança. Viver de modo que a vida não tenha sentido: agora esse é o “sentido” da vida…

Nietzsche, O anticristo

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Os sentimentos …

Posted in Filosofia by leonardomeimes on 25/01/2013

Os sentimentos aristocráticos foram subterraneamente carcomidos pela mentira da igualdade das almas; e se a crença nos “privilégios da maioria” faz e continuará a fazer revoluções – é o cristianismo, não duvidemos disso, são as valorações cristãs que convertem toda revolução em um carnaval de sangue e crime!

Basta pensar em como a igreja aproveitou todos os movimentos populares de revolução para acender ao poder, até mesmo a inquisição espanhola se beneficiou da libertação da Espanha as mãos de Napoleão para reiniciar seus julgamentos!

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O exemplo ofere…

Posted in Filosofia by leonardomeimes on 25/01/2013

O exemplo oferecido por aquela maneira de morrer, a liberdade e superioridade a todo sentimento de ressentimento – uma completa explicação de quão pouco ele foi compreendido! Tudo que Jesus podia esperar conseguir com a sua morte, em si mesma, foi oferecer a mais forte prova possível, ou exemplo, de seus ensinamentos de maneira mais pública… Seus discípulos, porém, estavam muito longe de perdoar sua morte – embora, se assim tivessem feito, concordariam com os evangélios no mais alto grau; e nem estavam eles dispostos a se oferecerem, com gentil e serena tranquilidade no coração, a semelhante morte… ao contrário, o que então os dominou foi o menos evangélico dos sentimentos, a vingança. Parecia impossível que a causa fosse parecer com a sua morte: tornavam-se necessários a “recompensa” e o “julgamento”… Mais uma vez surgiu no primeiro plano a crença popular no advento de um messias; a atenção se voltou para um momento histórico: o reino de deus viria, com o julgamento de seus inimigos… tudo isso, porém, redundava em um completo disparate: imagine-se o “reino de Deus” vindo no fim, como mera promessa!

Nietzsche mostra que as virtudes que o evangelio buscava espalhar foram minadas pelos próprios discípulos, que não souberam dar a outra face à tapa e tiveram ressentimento, quiseram vingança e como não tinham poder para isso profetizaram que um Reino de Deus viria ondo todos que fossem “maus” seriam julgados e condenados.

Nada próximo do exemplo que Jesus deu.

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A desobediência…

Posted in Filosofia by leonardomeimes on 22/01/2013

A desobediência a Deus, que na realidade significa para o sacerdote a desobediência “à lei”, toma o nome de “pecado”; os meios prescritos para a reconciliação com Deus são, é claro, precisamente os meios que coloca a pessoa mais efetivamente sob o julgo do sacerdote; somente ele pode “salvar”… Considerados psicologicamente, os “pecados” são indispensáveis a toda sociedade organizada em base eclesiástica; constituem a única arma confiável do poder; o sacerdote vive à custa dos pecados; é necessário para ele que alguém peque… Primeiro axioma: “Deus perdoa os que se arrependem” – em palavras mais claras: os que se submetem ao sacerdote”.
“Reduziram todos os grandes acontecimentos a uma fórmula idiota: “obediente ou desobediente à Deus” – Deram um passo além: a “vontade de Deus” (em outras palavras: os meios necessários para conservar o poder dos sacerdotes) tinha de ser determinada – e, para isso, precisava-se de uma “revelação”. Em linguagem clara, uma gigantesca fraude literária tinha de ser perpetrada, engendrando-se as “escrituras santas”.[…] O que aconteceu? simplesmente isso: o sacerdote formulou, de uma vez por todas e com rigorosa meticulosidade, que dízimos lhe devem ser pagos, do maior ao menos (sem esquecer as postas de carne, pois o sacerdote é um grande consumidor de carne). […] De então para diante, as coisas foram tão bem dispostas, que o sacerdote se tornou indispensável em todas as partes; em todos os grandes acontecimentos naturais da vida, como nascimento, casamento, enfermidade, morte, para não se falar do “sacrifício” (isso é, as horas de refeição), o santo parasita aparece, e trata de desfigurá-los – ou, segundo as suas próprias palavras, “santificá-los”.

(Nietzsche, O Anticristo)