Moscas Mortas Revolution – Página Inicial

Humberto Eco – Seis Passeios pelos Bosques da Ficção

Posted in Literatura by leonardomeimes on 09/03/2012

Uma citação interessante em que Eco percebe que na nossa vida a questão religiosa traz uma profunda amostra de como o humano está “perdido” e “sem regras para compreender o mundo” e recorre ao que na literatura chamamos de autor-modelo, aquele que lhe guia a uma determinada leitura da história, criando uma ficção de Deus para que nossa vida tenha um motivo, um começo e um fim: um autor-modelo.

Vivemos no grande labirinto do mundo real, que é maior e mais complexo do que o mundo de Chapeuzinho Vermelho. É um mundo cuja estrutura total não conseguimos descrever. Na esperança de que existam regras do jogo, ao longo dos séculos a humanidade vem se perguntando se esse labirinto tem um autor ou talvez mais de um. E vem pensando em Deus ou nos deuses como autores empíricos, narradores ou autores-modelo. As pessoas tentam imaginas uma divindade empírica: se tem barba; se é Ele, Ela ou Isso; se nasceu ou sempre existiu; e até (em nossa própria época) se morreu. Sempre se procurou Deus como Narrador – nos intestinos dos animais, no voo dos pássaros, na sarça ardente, na primeira frase dos Dez Mandamentos. Alguns, todavia (inclusive filósofos, é claro, mas também adeptos de muitas religiões), procuram Deus como Autor-Modelo – que dizer, Deus como a Regra do Jogo, como a Lei que torna ou um dia tornará compreensível o labirinto do mundo. A divindade nesse caso é algo que precisamos descobrir ao mesmo tempo que descobrimos por que estamos no labirinto e qual é o caminho que nos cabe percorrer.

No entanto há outro motivo pelo qual nos sentimos metafísicamente mais à vontade na ficção do que na realidade. Existe uma regra de ouro em que os criptoanalistas confiam – a saber, que toda mensagem secreta pode ser decifrada, desde que se saiba que é uma mensagem. O problema com o mundo real é que, desde o começo dos tempos, os seres humanos vêm se perguntando se há uma mensagem, em havendo, se essa mensagem faz sentido. Com os universos ficcionais sabemos sem dúvida que há uma mensagem e que uma entidade autoral está por trás dele como criador e dentro dele como um conjunto de instruções de leitura.

Assim, nossa busca do autor-modelo é um Ersatz para aquela outra procura, no curso da qual a Imagem do Pai se esvaece na Névoa do Infinito, e nunca deixamos de nos perguntar por que existe alguma coisa em vez de nada.

O que não significa que sem Deus não há paz.

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Trilogia Cética – Jorge Teles

Posted in Literatura by leonardomeimes on 05/05/2011

Trechos da Trilogia Cética, um texto que merece ser lido =), disponível no site http://www.jorgeteles.com.br, mais precisamente no link:

http://www.jorgeteles.com.br/site/index.php?option=com_content&view=category&id=44:trilogia-cetica&Itemid=2&layout=default

Trecho da Trilogia Cética 01. – Missa Sacratíssima:

(…)

AGNUS DEI

AGNUS DEI QUI TOLLIS PECCATA MUNDI.

E agora,
o que resta de nós?,
Homem-deus!

E agora,
o que sobra pra nós?,
deus-Homem!

Você não é o cordeiro de deus!
Que não há nesse reino
deus que seja pastor.
Que onde há cordeiro e pastor
há lobos!

Você não tira os pecados do mundo!
Que não há nesse mundo
pecados a ser tirados.
Pecados a ser tirados
não são pecados!
Quem tirará os pecados
dos tiranos,
dos grandes ladrões
e dos opressores?
Quem tirará os pecados
dos que entregam,
dos que vendem países?
Pecados a ser tirados
não são pecados!

Você não tenha piedade de mim!
Que ter piedade de mim
é me atirar num inferno.

Cordeiro de Deus?,
que tira os pecados do mundo?,
tenha piedade de mim?

Não!

(…)

Trecho da Trilogia Cética 02. – Via Profana


(…)

III

FECHADO PELA PEDRA

Não queria ter chegado tão de repente.

Tenho medo
e frio
e sinto que vou chorar.

Por que foi que eu me tentei com essa única
e tremenda
tentação?

Quieto, coração!

Tão difícil tudo,
tão assustador,
e estou apenas querendo me livrar,
para ser menos criança,
de tantas fantasias de criança.

Tenho medo
e frio
e acho que vou chorar.

Queria dormir sem sonhos,
tão cansado estou.

E qual é o tempo em que devo permanecer
enterrado nesse silêncio agudo?

Três dias
ou trinta e três anos?

Enrolado em meus próprios braços nus,
nessa pobreza sem sudário,
terei eu a revelação
de que chegou a hora do convívio?

Ou serei vomitado
dessa minha dormência entristecida?,
como um cadáver ressurrecto
obrigado a sair de um túmulo
e estender diante de si
o seu próprio juízo!

Pois eis que só há ressurreição
dentro da única vida!

Sei que serão os mesmos,
os homens,
quando eu voltar a encontrá-los.

E sei
mais
que eles têm
o mesmo direito
que me dei para com eles
de me cobrar posturas e correção.

E sei
ainda
que há entre eles apóstolos
mestres de si mesmos
e passantes não curiosos
mas preocupados tão só
com suas desesperançadas tarefas cotidianas
e juizes
vítimas de suas tentativas de honestidade
e mulheres pessoas
que sabem como olhar
nos olhos de seus filhos
e soldados
atirados aos quartéis
pela necessidade de garantir o soldo diário da sobrevivência.

E sei
por fim
que todos os mortais repetem
com variações de dor e desespero
essas sagradas vias de aprendizado,
crucificando-se
ou sendo crucificados
em todos os tipos diferentes de cruzes.

E nem todos ressurgem da dor.

E sei
após tudo
que por isso é
tão forte
o símbolo da via evangélica.

Só não sei por que
algumas vezes
é tão feroz este meu coração
e tão angustiante a necessidade
de estar só.

E só,
como eu queria,
enrolo-me nu
em meus braços nus
e espero.

Pretendo estar tranquilo.

Pacifique-se, coração!

Tenho um pouco de medo,
não sinto mais frio algum;
e não tenho tanta certeza
de que precise chorar.

(…)

Trecho da Trilogia Cética 03. – Réquiem

(…)

O último homem está caído ao chão. É sua última queda. A custo encostou-se a uma pedra. Seu corpo dói. O respirar é aflito. Olha as pernas e os pés mas vê apenas ossos e uma pele suja. Há hematomas, arranhões, unhas partidas, sangue preto colado ao seu corpo. Suas mãos são mãos de um esqueleto. As pontas dos dedos feridas e sanguinolentas.

O último homem caiu. Não se lembra do que aconteceu. Guerra? Cataclismo? Doença? Não sabe nada. Por dentro da sua cabeça há apenas um ruído assustador, contínuo e surdo. Olha e não compreende. Perambulou errante, aos tropeções, mas a cada momento o tempo se dilatava mais. Perdeu o rumo, perdeu o norte, perdeu o sentido de existir.

Sente fome mas só tem os dedos para comer. O sangue sabe bem mas há dor.

(…)

Jorge Teles

Trecho do conto Bárbara, de Murilo Rubião

Posted in Literatura by leonardomeimes on 05/10/2010

“Vi Bábara, uma noite, olhando fixamente o céu. Quando descobri que dirigia os olhos para a lua, larguei o garoto no chão e subi depressa até o lugar em que ela se encontrava. Procurei, com os melhores dos argumentos, desviar-lhe a atenção. Em seguida, percebendo a inutilidade das minhas palavras, tentei puxá-la pelos braços, também não adiantou. O seu corpo era pesado demais para que eu conseguisse arrastá-lo.

Desorientado, sem saber como proceder, encostei-me à amurada. Não lhe vira antes tão grave o rosto, tão fixo o olhar. Aquele seria o derradeiro pedido. Esperei que o fizesse. Ninguém mais a conteria.

Mas, ao cabo de alguns minutos, respirei aliviado. Não pediu a lua, porém uma minúscula estrela, quase invisível a seu lado. Fui buscá-la.”

Trecho do conto Bárbara do livro O Pirotécnico Zacarias.

Murilo Rubião é representante do realismo fantástico brasileiro.

Gestão Serra + Kassab faz crescer o número de crianças sem ensino infantil em SP

Posted in Uncategorized by leonardomeimes on 04/10/2010

http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/2010/10/04/gestao-serrassab-faz-crescer-o-numero-de-criancas-sem-ensino-infantil-em-sp/

Mais uma vitória da Gestão Serrassab (Serra + Kassab): cresce o número de crianças sem ensino infantil em SP!

Trata-se do Programa “Emburrece São Paulo“, bem sucedido graças ao “modo demo-tucano de governar“, com o famoso “xoque de jestão” para enganar trouxas e desavisados.

Prestem atenção que o Serra vai repetir “ad nauseum” que o Brasil “pode mais” na Educação.

Se  nem em São Paulo, após 15 anos de gestão tucana, eles “puderam mais”, como farão para convencer que “poderão mais” no país?

Lembrar que a gestão da educação, no governo FHC, também foi um desastre em todos os níveis, especialmente no ensino técnico e universitário, que foi totalmente sucateado, tendo sido recuperado e ampliado pelo Governo Lula, às custas de muita determinação e visão estratégica.

Leiam o que diz a matéria da insuspeita Folha Online (clique aqui para acessá-la):

“O deficit no ensino infantil na rede pública municipal de São Paulo registrou aumento de 22 mil vagas neste ano, somando 123.780 crianças até cinco anos, informa reportagem de Fábio Takahashi, publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

O total de crianças de quatro e cinco anos sem vaga na pré-escola cresceu 11 mil nomes, chegando a 45.496.

Nas creches (na faixa de zero a três anos), o deficit também aumentou 11 mil, para 78.284, segundo a Secretaria da Educação.

Na pré-escola, a prefeitura esperava acomodar mais alunos em novas unidades que não ficaram prontas.

As obras atrasaram. Das 142 novas escolas anunciadas em 2009 (85 mil vagas previstas), apenas 8 estão em construção. O restante do projeto da prefeitura deve ficar para o próximo ano.

O fim do deficit no ensino infantil até 2012 é uma das principais promessas de campanha da gestão Gilberto Kassab (DEM).”

***

Como se vê, essa é a verdade por trás da maciça propaganda do Governo Serra, bancada às custas dos contribuintes paulistas

Dilma: a(o) Anti-Cristo?

Posted in Política by leonardomeimes on 29/09/2010

Há muito, não se via e nem se ouvia tanto absurdo, a respeito de um candidato à Presidência, como está sendo propagado e forjado nestas eleições, levianamente, contra Dilma Rousseff.

Primeiro, o alarde dos argumentos de que ela foi terrorista e de que não podia nem pisar em solo norte-americano. Após suplantadas estas falácias, veio outra tentativa de desestabilizá-la: a questão da quebra do sigilo fiscal (sem nenhuma prova de que a mesma estivesse, direta ou indiretamente, envolvida). Agora, emergem, na internet, ambas sem fundamento plausível e sem prova, a terceira e a quarta leva de argumentos ridículos; um verdadeiro show de barbaridades: a de que nem Cristo, querendo, impede a vitória da candidata e a que questiona a sua orientação afetivo-sexual.

Muitos já devem ter recebido o email, cujo teor afirma que Dilma, em suposta entrevista, teria afirmado que nem Cristo, querendo, tira-lhe a vitória. Onde está a gravação ou o vídeo (com voz e/ou imagem) da candidata fazendo esta afirmação? A resposta é uníssona: na maldade de alguns(mas) eleitores(as) – insatisfeitos(as) com o resultado das pesquisas, que continuam apontando a possibilidade de vitória de Dilma no primeiro turno.

Cada pessoa é livre para fazer a sua escolha, é lógico. E uma das grandes riquezas da nossa Democracia reside, particularmente, nesta liberdade. Mas “satanizar” uma pessoa, como estão fazendo com Dilma, com argumentos absolutamente débeis, é, no mínimo, ridículo.

E, na leva dos discursos absurdos, não faltam os que até o câncer, de que fora acometida a candidata, é levado em consideração – como uma “arma” que Satanás tem nas mãos para que o Vice de Dilma, oportunamente, assuma a Presidência (Vice este que, também, já está maldito na língua de muitos(muitas) que se afirmam cristãos(ãs))!

Paira um temor (nas mensagens que venho recebendo – especialmente de alguns evangélicos), movido por emoções e bastante irracionalidade, de que, caso eleita, Dilma interferirá, negativamente, no funcionamento das igrejas, como se isto fosse uma intenção dela (nunca foi!) ou como se um(a) Presidente(a), sozinho(a), tivesse este supra-poder de “rasgar” uma Constituição formal como a nossa. Para estas pessoas, imaginar interferências em templos é questão de poder; quase de “vida ou morte”, como se a salvação estivesse contida dentro de paredes. Daí o evidente desequilíbrio delas.

Realmente, trazer Cristo para a disputa presidencial, para ver se isto tira votos de Dilma, é a prova de que alguns(mas) fanáticos(as) estão desesperados ou quase beirando a imbecilidade.

Os argumentos (todos que tenho visto) utilizados para tentar desestabilizar a campanha de Dilma Rousseff são infundados, muito frágeis, facilmente desmontados.

Até da orientação sexual da candidata já se ouve especular, como se houvesse algum problema, que a incapacitasse para governar, caso ela fosse lésbica. E isto, sendo verdade, é da conta de quem? Em que aspecto a orientação afetivo-sexual de uma pessoa, como um dado isolado, qualifica-a ou a desqualifica para administrar? Em nenhum.

Tenho muito a elogiar quando penso em Serra ou em Marina (por exemplo), mas já fiz a minha escolha e ela é muito sólida: votarei em Dilma, porque tenho muito mais razões para fazê-lo (e falo pela racionalidade – não por questões de fé). Minha fé, cristã de berço, nada tem a ver com os representantes que escolho.

O problema, que atualmente põe o Brasil em atraso (com relação a vários países), encontra-se no Congresso: bancadas que legislam por doutrinas (tomando discursos fundamentalistas, como se estivessem em altares de templos), esquecendo-se de que o Estado brasileiro é LAICO – ou seja, não deve, em suas decisões, levar em conta nenhuma vertente doutrinário-religosa. O Estado deve ser o porta-voz da legalidade com embasamento unicamente científico.

Os(as) que estão criando e repassando estas mensagens distorcidas contra Dilma são fundamentalistas – e muitos(as) optaram por Marina, não por sua história de vida ou política (também, bastante admirável), mas por a mesma ser evangélica (e Marina seria, então, “a ação e a voz divinas” no comando da nação, cujo Deus é o Senhor destes(as) eleitores(as). Se não for o Senhor deles(as), não serve!).

Por isto, frente a esta perseguição a Dilma, é como se eu ouvisse, claramente, Cristo exclamar: “Perdoai-lhes, Pai, pois não sabem o que fazem.”

Há diversos preconceitos que circundam a candidatura de Dilma: por ser mulher, por ter lutado contra a Ditadura Militar – o que deveria ser motivo de orgulho para todos(as) nós -, por ser a mais provável sucessora de Lula, etc.

Não há nada de comprovado, na suposta biografia de Dilma que andam repassando pela internet, que desabone a sua moral, a sua competência ou a sua integridade. Muito pelo contrário: a sua história a dignifica muito.

Já está comprovado que todas as pessoas que se destacaram na luta contra o regime militar no Brasil (a exemplo da corajosa então jovem Dilma Rousseff) foram acusados / fichados dos mais horrendos crimes, justamente porque, de modo corajoso, ousaram enfrentar – como poucas(os) – uma estrutura de atrocidades mantida pelos militarem que se apropriaram do poder no país por tantos anos.

É justamente pela personalidade tão marcada pela coragem, que, desde jovem, Dilma vem assumindo posições e cargos estratégicos no Brasil em prol de uma sociedade mais livre, justa, solidária e progressista.

Quanto ao argumento de que Dilma foi “terrorista”, esse é falso e, em parte, distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável.

Como bem lembra Jorge Furtado, “José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.” A conquista da liberdade, tão sonhada e sólida (como o é em nossos dias de Constituição de 1988), devemos, especialmente, a estas pessoas.

Tenho inúmeras razões para votar em Dilma (o meu texto ficaria muito longo se eu elencasse, aqui, todas estas razões) e mais motivos ainda para que o projeto de Lula seja, a cada dia, mais consolidado no país – cuja chance, acredito, estar na escolha de Dilma para a Presidência. Mas repito: cada pessoa é absolutamente livre para escolher. A escolha, com decência e sem atacar de modo infundado quem quer que seja é, sem dúvida, mais bonita.

Dilma, ao meu ver, é a candidata mais preparada para assumir o comando político-administrativo do país e já é possível antever o fato histórico de termos a primeira Presidenta da República!

Fico envergonhado, como cidadão de senso crítico e atento ao passado histórico do nosso país, quando recebo emails, scraps ou mensagens frágeis, de teor infundado, cujo objetivo é, tão somente, tentar desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff ou manchar a sua imagem.

Felizmente, Dilma (destemida, desde cedo) não tem se abatido por esta leva de barbáries. É como se suas forças, pelo contrário, estivessem todas renovadas para, em breve, governar o Brasil!

__________________________
Enézio de Deus Silva Júnior
Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM
Mestrando em Família na Sociedade Contemporânea, UCSAL
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental
Especialista em Direito Público
Advogado – 0AB-BA 20.914

Marcos Coimbra: A “ultima hora”

Posted in Política by leonardomeimes on 27/09/2010

Neste domingo, a apenas uma semana da eleição presidencial, temos uma parte menor do sistema político, uma parte importante (mas minoritária) da sociedade e a maioria da “grande imprensa” em torcida animada para que a “última hora” faça com que os prognósticos a respeito de seu resultado não se confirmem.

É natural que todos os candidatos, salvo Dilma, queiram que alguma reviravolta aconteça. Os três partidos que dão apoio a Serra, o PV de Marina Silva, os pequenos partidos de esquerda, todos torcem pelo “fato novo”, a “bala de prata”, algo que a golpeie. Do outro lado, a ampla coligação que Lula montou para sustentar sua candidata (e que formará, ao que tudo indica, a maioria do próximo Congresso) espera que nada altere o quadro.

Hoje, Dilma lidera em todas as regiões do país, jogando por terra as análises que imaginavam que as eleições consagrariam um fosso entre o Brasil “moderno” e o “atrasado”. Era o que supunham aqueles que leram, sem maior profundidade, as pesquisas, e acreditavam que Serra sairia vitorioso no Sul e no Sudeste, ficando com Dilma o voto do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. Não é isso que estamos vendo.

Ela deve vencer em todos os estados, em alguns com três vezes mais votos que a soma dos adversários. Vence na cidade de São Paulo, na sua região metropolitana e no interior do estado. Lidera o voto das capitais, das cidades médias e das pequenas. É a preferida dos eleitores que residem em áreas rurais.

As pesquisas dão a Dilma vantagem em todos os segmentos socioeconômicos relevantes. É a preferida de mulheres e homens (sepultando bobagens como as que ouvimos sobre as dificuldades que teria para conquistar o voto feminino), de jovens e velhos, de negros e brancos. Está na frente entre católicos, evangélicos, espíritas e praticantes de religiões afro-brasileiras.

Vence entre pobres, na classe média e entre os ricos (embora fique atrás de Serra entre os muito ricos). Lidera entre beneficiários do Bolsa Família e entre quem não recebe qualquer benefício do governo. Analfabetos e pessoas que estudaram, do primário à universidade, votam majoritariamente nela.

É claro que sua candidatura não é uma unanimidade. Existe uma parcela da sociedade que não gosta dela e de Lula, que nunca votou e que nunca votará em alguém do PT. São pessoas que até toleram o presidente, que podem achar que é esperto e espirituoso, que conseguem admirar aspectos de seu governo. Mas que querem que Dilma perca.

Se, então, Dilma reúne ampla maioria no eleitorado e apoios majoritários no sistema político, o que seria a “última hora”? O que falta acontecer, de hoje a domingo?

Formular a pergunta equivale a considerar que o eleitorado ainda não sabe o que vai fazer, que aguarda a véspera para se decidir. Que “tudo pode mudar”.

É curioso, mas quem mais acredita que os outros são volúveis são os mais cheios de certezas, os mais orgulhosos de suas convicções. Mas acham que o cidadão comum (o “povão”) é diferente, que é incapaz de chegar com calma a uma decisão pensada e madura.

É fato que sempre existe uma parcela do eleitorado que permanece indecisa até o final. Já vimos, em eleições anteriores, que ela pode oscilar, saindo de uma candidatura e indo para outras. Conforme o caso, sua movimentação pode provocar resultados inesperados, como ocorreu com o segundo turno em 2006.

Mas aquelas eleições também mostram como acontecem esses fenômenos de “última hora”. Nelas, a única coisa que um quase uníssono da “grande imprensa” contra a candidatura Lula conseguiu fazer foi assustar os eleitores mais frágeis, com baixa informação e baixo interesse por política. Os dados indicam que os eleitores mais informados e com alto e médio interesse em nada foram afetados pela artilharia da mídia (assim como os sem nenhum, que nem ficaram sabendo que havia “aloprados”).

Ou seja: aquela gritaria só fez com que as pessoas mais inseguras a respeito de suas escolhas ficassem confusas, ainda que apenas por alguns dias. Mal começou a campanha do segundo turno, Lula reassumiu as rédeas da eleição e avançou sem problemas até a consagração no final de outubro. É como o título daquela comédia: “Muito barulho por nada”.

*Matéria publicada originalmente no Correio Braziliense e reproduzida do site Vermelho

Folha torna-se novamente aparelho do crime no Brasil

Posted in Política by leonardomeimes on 23/09/2010

Mauro Carrara

Fonte: Blog da Dilma

A empresa que edita a Folha de S. Paulo foi braço físico da Ditadura Militar e da repressão.

Seu jornal Folha da Tarde era um QG dos grupos que sequestravam, torturavam e matavam.

A Folha de S. Paulo apoiou convenientemente os assassinos militares até o governo Geisel.

Depois, por motivos comerciais, vestiu a pele de cordeiro.

Recentemente, passou a delinquir novamente.

Passou a chamar a Ditadura de “Ditabranda”.

Forjou com o grupo Ternuma uma falsa ficha de Dilma Rousseff.

E agora comete o mais grave crime de campanha, ao construir uma fábula de calúnia acerca da gestão da candidata do PT na Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul e na Fundação de Economia e Estatística (FEE), entre 1991 e 1992.

As expressões utilizadas na matéria comprovam o CRIME de calúnia: “apontam favorecimento” e “mostram aparelhamento”.

A matéria foi produzida a partir de uma investida de “jagunços” autoritários da Folha que passaram dias no Rio Grande do Sul exigindo, ofendendo e ameçando pessoas, especialmente aquelas que cuidam dos arquivos públicos.

Mas em que parte da reportagem os agentes do PSDB travestidos de jornalistas mostram que todas as contas de Dilma foram aprovadas pelo TCE gaúcho?

A pergunta é: como podem promotores e juízes eleitorais autorizar esse tipo de crime de natureza eleitoral?

E os outros promotores e juízes: como podem permitir que a imprensa se transforme num instrumento de calúnia e destruição de reputações?

A ordem democrática vem sendo gravemente ameaçada mais uma vez.

Globo-Abril-Folha-Estadão seguem à frente nesta escalada neofascista, destinada a destruir a ordem institucional.

Que o partido de Dilma Rousseff leve sua justa reclamação ao horário da TV.

Os brasileiros de bem já não admitem a impunidade para os criminosos midiáticos.

Globo foi o maior dedo duro de 1964

Posted in Política by leonardomeimes on 23/09/2010

Amigo navegante enviou ao Conversa Afiada essas duas páginas do Globo de 7 de abril de 1964.

É um documento histórico.
Fonte: Conversa Afiada

Atribuído a um grupo de democratas, o Globo publicou no dia 7 de abril de 1964, poucos dias depois da intervenção militar, a lista dos que tinham assinado um manifesto do Comando dos Trabalhadores Intelectuais.

Como hoje, o Globo do Dr Roberto colaborava com o Golpe: “chamamos a atenção de alto-comando militar para os nomes que o assinaram”.

É o dedo duro na sua manifestação mais cristalina.

Repare, amigo navegante, alguns dos nomes que o Globo queria mandar para a câmara de torturas:

Ferreira Gullar, Carlos Diegues, Arnaldo Jabour, Chico Anísio, Paulo Francis, Tereza Rachel, Jorge Zahar.

Que horror !

É a “Lista de Schindler” de sinal trocado: é a “Lista do Globo”, dos que deveriam ser cremados.

Viva o Brasil !

Paulo Henrique Amorim



O escândalo no governo do Mato Grosso do Sul que a Globo não exibiu

Posted in Política by leonardomeimes on 21/09/2010

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Dilma lembra que assessor de Serra sumiu com R$ 4 milhões

Posted in Política by leonardomeimes on 21/09/2010

Daniel Bezerra, editor geral

Fonte: http://blogdadilma.blog.br/2010/09/dilma-lembra-que-assessor-de-serra-sumiu-com-r-4-milhoes.html

A presidenciável Dilma Rousseff recorreu ontem a um dos mais recentes escândalos que eclodiram dentro do PSDB para desqualificar os novos ataques do candidato de oposição ao Governo Lula, José Serra. Desde sábado, Serra vem usando as denúncias sobre supostos tráfico de influência e pagamentos de propina a funcionários da Casa Civil, que Dilma chefiou, para afirmar que ela “ou não é capaz ou é cúmplice”. A candidata reagiu ontem.

“Nem uma coisa, nem outra. Sabe por quê? Não acredito que alguém saiba tudo o que está acontecendo na sua própria família. E também não acredito que alguém saiba tudo o que acontece no governo. Até porque eu tenho lido que o presidente da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), que ele (Serra) nomeou, sumiu com R$ 4 milhões da campanha dele”.

A referência de Dilma é alusiva ao caso do engenheiro Paulo Vieira de Souza revelado no início de agosto pela revista IstoÉ. Baseada em “oito dos principais líderes e parlamentares do PSDB”, a revista conta que Paulo Vieira de Souza, “também conhecido como Paulo Preto ou Negão, teria arrecadado pelo menos R$ 4 milhões para as campanhas eleitorais de 2010, mas os recursos não chegaram ao caixa do comitê do presidenciável José Serra”.

A uma fonte citada como “ex-secretário do governo paulista que ocupa lugar estratégico na campanha de José Serra à Presidência”, a revista atribuiu ainda a seguinte declaração.

“Não podemos calcular exatamente quanto o Paulo Preto conseguiu arrecadar. Sabemos que foi no mínimo R$ 4 milhões, obtidos principalmente com grandes empreiteiras, e que esse dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais”.

Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores.

“Essa arrecadação foi puramente pessoal. Mas só faz isso quem tem poder de interferir em alguma coisa. Poder, infelizmente, ele tinha. Às vezes, os governantes delegam poder para as pessoas erradas”,

disse à ISTOÉ Evandro Losacco, membro da Executiva do PSDB e tesoureiro-adjunto do partido.

Até abril, Paulo Preto ocupou posição estratégica no Governo Serra. Escolhido e nomeado pelo então governador, foi diretor de engenharia da Dersa, a estatal paulista responsável por algumas das principais obras viárias, inclusive o Rodoanel, orçado em mais de R$ 5 bilhões, e a ampliação da marginal Tietê, orçada em R$ 1,5 bilhão.

“No caso do Rodoanel, segundo um dirigente do PSDB de São Paulo, cabia a Paulo Preto fazer o pagamento às empreiteiras, bem como coordenar as medições das obras, o que, por força de contrato, determina quanto a ser pago às construtoras e quando. No Diretório Estadual do partido, nove entre dez tucanos apontam a construção do eixo sul do Rodoanel como a principal fonte de receita de Paulo Preto”

, publicou a revista.

Outras fontes tucanas disseram que o elo principal de Paulo Preto com o PSDB é ou era Aloysio Nunes Ferreira, ex-secretário da Casa Civil de Serra e candidato do partido ao Senado. Paulo e Aloysio são amigos há mais de 20 anos.
“O nome do engenheiro”, lembrou a revista, “está registrado em uma série de documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a chamada Operação Castelo de Areia, que investigou a construtora Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. No inquérito estão planilhas que listam valores que teriam sido pagos pela construtora ao engenheiro. Seriam pelo menos quatro pagamentos de R$ 416,5 mil entre dezembro de 2007 e março do ano seguinte. Apesar de o relatório de inteligência da PF citar o nome do engenheiro inúmeras vezes, Paulo Preto não foi indiciado e, em janeiro, o inquérito da Operação Castelo de Areia foi suspenso por causa de uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça.” Brasília Confidencial –

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