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Humberto Eco – Seis Passeios pelos Bosques da Ficção

Posted in Literatura by leonardomeimes on 09/03/2012

Uma citação interessante em que Eco percebe que na nossa vida a questão religiosa traz uma profunda amostra de como o humano está “perdido” e “sem regras para compreender o mundo” e recorre ao que na literatura chamamos de autor-modelo, aquele que lhe guia a uma determinada leitura da história, criando uma ficção de Deus para que nossa vida tenha um motivo, um começo e um fim: um autor-modelo.

Vivemos no grande labirinto do mundo real, que é maior e mais complexo do que o mundo de Chapeuzinho Vermelho. É um mundo cuja estrutura total não conseguimos descrever. Na esperança de que existam regras do jogo, ao longo dos séculos a humanidade vem se perguntando se esse labirinto tem um autor ou talvez mais de um. E vem pensando em Deus ou nos deuses como autores empíricos, narradores ou autores-modelo. As pessoas tentam imaginas uma divindade empírica: se tem barba; se é Ele, Ela ou Isso; se nasceu ou sempre existiu; e até (em nossa própria época) se morreu. Sempre se procurou Deus como Narrador – nos intestinos dos animais, no voo dos pássaros, na sarça ardente, na primeira frase dos Dez Mandamentos. Alguns, todavia (inclusive filósofos, é claro, mas também adeptos de muitas religiões), procuram Deus como Autor-Modelo – que dizer, Deus como a Regra do Jogo, como a Lei que torna ou um dia tornará compreensível o labirinto do mundo. A divindade nesse caso é algo que precisamos descobrir ao mesmo tempo que descobrimos por que estamos no labirinto e qual é o caminho que nos cabe percorrer.

No entanto há outro motivo pelo qual nos sentimos metafísicamente mais à vontade na ficção do que na realidade. Existe uma regra de ouro em que os criptoanalistas confiam – a saber, que toda mensagem secreta pode ser decifrada, desde que se saiba que é uma mensagem. O problema com o mundo real é que, desde o começo dos tempos, os seres humanos vêm se perguntando se há uma mensagem, em havendo, se essa mensagem faz sentido. Com os universos ficcionais sabemos sem dúvida que há uma mensagem e que uma entidade autoral está por trás dele como criador e dentro dele como um conjunto de instruções de leitura.

Assim, nossa busca do autor-modelo é um Ersatz para aquela outra procura, no curso da qual a Imagem do Pai se esvaece na Névoa do Infinito, e nunca deixamos de nos perguntar por que existe alguma coisa em vez de nada.

O que não significa que sem Deus não há paz.

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“Tornar-se ateu exige reflexão”, afirma autor de “Ímpio”

Posted in Filosofia by leonardomeimes on 26/05/2011

MARCELO JUCÁ

da Livraria da Folha

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/921137-tornar-se-ateu-exige-reflexao-afirma-autor-de-impio.shtml

Divulgação
Jornalista Fábio Marton não contou para a família sobre o que estava escrevendo, mas eles descobriram mesmo assim
Jornalista Fábio Marton não contou para a família sobre o que estava escrevendo, mas eles descobriram mesmo assim

“Ímpio”, do jornalista (e ateu) Fábio Marton é a história de uma vida religiosa, de sua peregrinação pelo evangelho e a libertação final (no caso, expulsou outros tipos de “incômodos”).

Acostumado a grandes reportagens, o autor narra de forma envolvente e bem-humorada seus traumas e ousadias, das questões familiares até o pensamento cético que, de certa forma o tranquilizou, ao mesmo tempo que gerou maus olhados por parte de outros.

“A última notícia é que um tio meu por lado de mãe, a parte católica da família, estava lendo, não me disseram o que achou”, revela.

Narrado em primeira pessoa, a obra ainda traz curiosos “recortes” em páginas negras, que remetem pensamentos antigos e constatações cientificas sobre a evolução do homem.

Para o autor, não existe ateu que não tenha buscado conhecimento no campo da ciência ou filosofia. “Existem muitos religiosos afastados ou não-praticantes, mas tornar-se ateu exige reflexão. Os ateus não são todos eloquentes para explicar o que pensam, mas todos tiveram de pensar para chegar lá”, destaca.

Em entrevista à Livraria da Folha, Marton fala a razão de ter escrito o livro, de que se incomoda com o fanatismo religioso (o termo “ímpio” se refere justamente a isso, a não se dignar –e mesmo desprezar– fanatismos religiosos), e ainda analisa o papel da religião na família e na formação de cada indivíduo.

Confira.

*

Livraria da Folha– Como surgiu a ideia de escrever o livro? Era algo que o incomodava e precisava compartilhar com o mundo, foi uma oportunidade, ou uma grande reportagem que, por acaso, tem você como personagem principal?

Fábio Marton – Foi mais eu perceber que tinha uma história para contar, não um trabalho “missionário” como ateu. Eu nunca tentei esconder de ninguém que sou ateu, mas não fazia o tipo militante. Entre jornalistas, aconteceu uma vez de ficarem mais ofendidos por eu não acreditar em horóscopo que por não acreditar em Deus. Eu me dou por satisfeito quando as pessoas seguem ramos mais tolerantes de sua religião, não sinto a necessidade de desconvertê-las. Enfrentar o fanatismo me parece mais urgente e mais realista que enfrentar a religião em si. Mas, a quem me perguntar, eu explico porque acho a religião uma imensa baboseira. E vou reagir quando ouvir uma baboseira maior ainda, como a que quem não tem fé é imoral, ou que criacionismo deva ser ensinado em aulas de biologia.

Divulgação
Bastidores de instituições religiosas e o seu processo missionário
Bastidores de instituições religiosas e o seu processo missionário

Livraria da Folha– Seu histórico familiar tem enorme influência na sua formação até o momento em que se assume ateu. Com certeza, a afirmativa trouxe espanto. Alguém da sua família leu o livro?

Fábio Marton – Eu não disse nada a eles sobre o lançamento do livro, mas havia dito que estava escrevendo. Acabaram descobrindo mesmo assim. A última notícia é que um tio meu por lado de mãe, a parte católica da família, estava lendo, não me disseram o que achou. Um blog evangélico citou meu livro, e tive a impressão que um parente meu apareceu por lá para comentar. Disse que sou ingrato e fracassado, e gastei todo meu dinheiro com bebida e prostituição. Mentira. Eu nunca paguei por prostituição.

Livraria da Folha– O estilo de sua escrita, trazendo referências pops e nerds, pode também despertar o interesse, o debate sobre a religião e sociedade, para um público mais alienado?

Fábio Marton – Não gosto muito dessa palavra, “alienado”. Costuma ser sinônimo de quem não concorda com aquele professor ultra-radical do cursinho, o que dizia que a Guerra do Paraguai foi causada pela Inglaterra. Como falei, eu tinha uma história para contar, a história de um adolescente que vivia nesse mundo de referências pop dos anos 80, mesmo sendo crente. Foi uma coisa que surgiu naturalmente, e espero que esse contraste meio bizarro, que existia de verdade em mim, tenha tornado a leitura mais divertida.

Livraria da Folha– Aliás, entre o “público alienado”, muitos erguem a bandeira de “ateu”, sem saber exatamente o que isso quer dizer, pois nunca se interessaram em ler ou discutir sobre as diferentes religiões com colegas. O que acha dessa constatação?

Fábio Marton – Não acho que exista ateu sem educação, não só científica, como também um tanto de filosofia. As crianças costumam ser místicas, enxergando fantasmas e propósitos em todo lugar – você deixa isso para trás quando aprende explicações melhores. Ou você entende as contradições entre as afirmações da fé e do conhecimento, ou é apenas um religioso em férias. Existem muitos religiosos afastados ou não-praticantes, mas tornar-se ateu exige reflexão. Os ateus não são todos eloquentes para explicar o que pensam, mas todos tiveram de pensar para chegar lá. 

Livraria da Folha– O papel da família mudou nesse sentido? Ela influencia ainda hoje os jovens? Entende que está também relacionado às diferenças das classes sociais e localizações geográficas brasileiras?

Fábio Marton – Li várias matérias dizendo que é comum as pessoas ficarem em casa até muito tarde na vida hoje em dia, às vezes até os 40 anos. Eu saí de casa cedo, e isso foi importante para mim. Sinto que só comecei a ser quem eu sou hoje nesse momento. De certa forma, é fácil imaginar alguém que dependa dos pais ocultando seu ateísmo, ou mesmo evitando falhar na religião para não ofendê-los, ainda que eu mesmo tenha assumido meu ateísmo antes de sair de casa. A saída da religião não depende da família (exceto, é claro, se a família é quem for não religiosa) mas do que você aprende no mundo exterior. Nisso de classes sociais e regiões, pode ser que abandonar a fé seja mais difícil para quem não tem computador em casa para acessar discussões de ateus ou informações sobre evolução, geologia e filosofia – mas eu também não tive, e nem dinheiro para comprar livros, usava a biblioteca pública e da escola. Talvez a pressão religiosa seja maior em outras regiões do país ou outras classes sociais (minha família transitava entre a B e C e vivia no Sul e Sudeste), mas não vivi isso para dizer até que ponto, e estaria pensando em estereótipos se fosse especular sobre isso.

Livraria da Folha– A ideia das páginas negras é interessante. O que o motivou a destacar as curiosidades ali vistas? Os dados apresentados passaram pelas suas mãos em diferentes épocas de sua vida, ou são leituras mais atuais e que quis apresentar ao público sem “atrapalhar” o texto principal?

Fábio Marton – Algumas coisas que aparecem lá são dúvidas que me ocorreram ainda adolescente, de forma incipiente, que eu reconto com o que conheço hoje. Por exemplo, eu percebi a contradição entre o Pentecostes bíblico e as línguas estranhas, mas não conhecia o trabalho de linguistas na área. Outras são raciocínios completamente novos – eu não havia sido apresentado a São Tomás de Aquino, Pascal ou Leibniz naquela época, meus parentes e os pastores não eram tão sofisticados. A razão de separar essas discussões do resto do livro é que ele não é um tratado de argumentos contra religião, como Deus, um Delírio – alias, um tratado excepcional, que eu não havia lido ainda ao escrever o livro. Ímpio é uma narrativa em primeira pessoa. Não dá para comparar meu livro com o de Richard Dawkins, mas talvez dê para comparar com os de Dan Barker, ex-pastor que se tornou ateu em 1984.

Livraria da Folha– Sendo ateu, você encara a vida, e a morte, de uma forma diferente?

Fábio Marton – Certamente. Se a vida é sua única chance, você precisa fazer o melhor possível dela. E isso causa, sim, ansiedade, de não estar indo tão bem assim – mas aprendi um truque com meu avô pastor, que cito no epílogo do livro. Já a morte deve ser mais tranquila para mim que para o cristão, porque não acredito que serei julgado. Será simplesmente como aquela tarde de 31 de maio de 1399. Como foi a sua? Você sofria por não existir? Pois a tarde de 31 de maio de 2199 será igual.

*

“Ímpio”
Autora: Fábio Marton
Editora: LeYa
Páginas: 224
Quanto: R$ 34,90

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Posted in Uncategorized by leonardomeimes on 18/04/2011

Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa.

Sigmund Freud

Quando pratico o bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião.

Abraham Lincoln

A religião prestou ao amor um grande serviço, fazendo dele um pecado.

Anatole France

A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo.

Karl Marx

A religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos.

Napoleão Bonaparte

O medo dos poderes invisíveis, inventados ou imaginados a partir de relatos, chama-se religião.

Thomas Hobbes

Nós temos a religião suficiente para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros.

Jonathan Swift

Considero a religião como um brinquedo infantil, / e acho que o único pecado é a ignorância.

Christopher Marlowe

A religião nasce das concepções restritas do homem.

Friedrich Engels

Religião é demência coletiva.

Bakunin

O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa.

Eduardo Galeano

A religião supre o juízo e a razão que falta em muita gente.

Marquês de Maricá

Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas.

Napoleão Bonaparte

Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.

Friedrich Nietzsche

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Pensamentos sobre Ateísmo

Posted in Uncategorized by leonardomeimes on 15/02/2011

Quem sabe que ficará ofendido por ler opiniões contrárias à religião, que não leia.


Só o ateísmo pode pacificar o mundo de hoje.

André Gide

 

Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.

José Saramago

 

Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.

Friedrich Nietzsche

 

Um devoto é aquele que, sob um rei ateu, seria ateu.

Jean de La Bruyère

 

Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa.

Sigmund Freud

 

A religião prestou ao amor um grande serviço, fazendo dele um pecado.

Anatole France

 

A religião é comparável a uma neurose da infância.

Sigmund Freud

 

(…) se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir.

Bakunin



 

Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris and Christopher Hitchens

Posted in Educação by leonardomeimes on 28/09/2010

Conversando sobre sua militância ateísta e sobre a reação dos crentes às suas idéias.

A Importância da Descrença | Big Thinko

Posted in Uncategorized by leonardomeimes on 26/05/2010

Stephen Fry

Stephen Fry

The Importance of Unbelief | Stephen Fry | Big Think.

Stephen Fry

Stephen Fry

Pergunta: Que filósofos lhe influenciaram?

Stephen Fry: Filosofia é algo estranho. Quando nós utilizamos a palavra no dia a dia às vezes a ouço de forma hilária. Eles dizem, “oh, nunca é bom estar atrasado”, “estaé minha filosofia”. Você pensa que essa é uma descrição generosa de um costume, chamá-lo de filosofia, mas é estranho como os filósofos que geralmente falam, pelo menos os que eu já ouvi, ou aqueles que eu conheço o valor, não tem essa noção de filosofia. Não há nenhuma forma Socrática, ou Kantiana, de viver sua vida. Eles não oferecem códigos de ética e padrões pelos quais você deveria viver sua vida. Eles não oferecem uma filosofia a seguir. Eles simplesmente levantam uma enorme quantidade de perguntas, no mesmo sentido de que você faz a pergunta a um filósofo que é importante para mim.

Bem, eu realmente amei o grande passeio pela filosofia de Bertrand Russell, a história da filosofia dos pré-socráticos como são chamados, Zeno e assim por diante, até Sócrates, Platão e Aristóteles. Eu, na verdade, nunca gostei muito de Aristóteles. Apesar de ele ter sido um gênio, obviamente, e brilhante, ter inventado a lógica, então porque não gostar? Eu acho que foi a influência dele na mente medieval que foi de fato funesta e infeliz e todas aquelas categorias e coisas, mas quando isso se abriu com Sponiza, eu acho, e com Kant a era do esclarecimento veio. Ah e também Locke. Eu gosto de Locke. Ele era um filósofo inteligente, mas eles não… eu digo, o que é realmente importante sobre eles… Eles são bem assustadores quando você pensa na palavra filósofo (…). Então, sim, eu considero a filosofia algo realmente importante, mas eu acho que em nossa época nós tendemos a ser muito entusiasmados sobre ela. Nós até achamos que o Budismo é uma filosofia, que você conhece como algum tipo de coisa oriental sobre ser bom e espiritual e isso é o que basta, o que é bom. O que eu quero dizer é que obviamente eu acredito na bondade e muitas coisas espirituais, mas o rigor intelectual real e a busca pela lógica é algo que eu temo ser muito trabalhoso e nós viemos em uma época em que o trabalho pesado é, se não depreciado ou denegrido, ago que se foge ou ignora. É o tipo de coisa que as pessoas vêm a você e dizem, “bem, isso é meio idiota e estúpido. Porque nós não podemos apenas pensar pequeno e falar sobre espíritos?”Bem, você pode falar sobre espírito, mas se você pensar que isso é filosofia e que é boa o suficiente para você.

Stephen fry e Jude Law

Stephen fry e Jude Law

A filosofia mais importante, eu acho, é pensar que, mesmo que não seja verdade, você deve presumir que não existe vida após a morte. Você não pode por um segundo, eu acho, abraçar a responsabilidade de acreditar que existe, pois se você acha que haverá uma eternidade em que você pode falar comMozart e Chopin e Schopenhauer em uma nuvem e aprender coisas e, você me entende, realmente atingir o conhecimento e o entendimento, então você não ligará para isso agora. Este é um terrível erro. Pode haver uma vida após a morte e eu parecerei muito burro, mas pelo menos eu terei passado por uma vida, uma vida cheia, atolada, então para mim o mais importante é, como Kipling diz, preencher todos os 60 segundos que tem. Você me entende, então isso é tudo, suponho. Não há porque gastar seu tempo sendo preguiçoso, apesar de que, claramente, a indolência de uma forma divina, tem suas vantagens. Ora, cale-se Steve. Ok, próxima pergunta.

Pergunta: No que você realmente acredita?

Stephen Fry: é interessante. O ateismo acaba gerando uma repercussão ruim na imprensa, eu suponho, então eu prefiro me descrever como um humanista, um humano… Eu não acredito em Deus. Eu não acredito que há um Deus. Se eu fosse acreditar em um Deus eu acreditaria em Deuses. Eu acho que o monoteísmo é algo realmente fantasmagórico. Este é para mim um incrível desentendimento. Eu posso ver perfeitamente porque qualquer um poderia imaginar que cada coisa, cada coisa que cresce, cada fenômeno que nós… que nos acompanha em nossa jornada pela vida, o céu, as montanhas, sejam espíritos da natureza. Eu consigo imaginar porque o homem desejaria que eles tivessem algum tipo de alma por dentro que poderia ser chamada de Deus daquela coisa. Eu consigo entender isso. É uma forma linda e charmosa de olhar para as coisas e eu posso entender a idéia Grega de que existem estes princípios de luz, ou de guerra, ou de inteligência e dão-lhes um corpo, os personificam em Atena, ou Áries ou qualquer outro Deus que você queira que faça sentido, mas dizer que há apenas um único Deus que fez tudo e que é… bem, isso é muito… O que? Porque? Quem disse? Onde? Vamo lá! E eu amo ver quando as pessoas veem, eu não sei, David Attenborough ou o algo como o Discovery Planet, onde você vê a majestade absolutamente fenomenal, complexa, e a beleza absolutamente desconcertante da natureza e você olha para isso e então… alguém próximo a você diz, “E como você pode acreditar que não há um Deus?” “Olhe isso!” E então cinco minutos depois você esta olhando para o ciclo de vida de um verme parasita cujo trabalho é se enterrar nos olhos de um pequeno carneiro e comer o olho de dentro ara fora enquanto o carneiro morre em uma agonia horrível e então você vira para eles e diz, “É, onde está seu Deus agora?” Você não pode sair por ai dizendo que há um Deus apenas porque o mundo é bonito. Você tem que contar também os casos de câncer em crianças. Você tem que contar com o fato de que quase todos os animais selvagens vivem sob estresse sem ter o que comer e terão mortes violentas e sanguinárias. Não há, de nenhuma forma, uma maneira de escolher apenas pequenos pedaços e dizer que isso significa que existe um Deus e ignorar os fatos reais de como a natureza funciona. Ao pensar sobre a natureza o homem tem que considerar sua totalidade e ela é algo incrível. Ela é absolutamente maravilhosa e a ideia de que um ateísta ou humanista, se quiser dizer assim, não se maravilha ou pensa sobre a realidade, na forma como as coisas são, não faz sentido. Na verdade nós observamos ela em seu todo. Nós não paramos apenas e dizemos que o que nós não podemos explicar chamaremos de Deus, que é o que a humanidade fez historicamente. Isso é dizer que Deus era absolutamente tudo a mil ou dois mil anos atrás, porque nós não entendíamos absolutamente nada sobre o mundo natural, então era tudo Deus e, então, conforme nós entendemos mais, Deus foi se retraindo e retraindo, então de repente ele já não está em lugar algum. Ele está apenas nas coisas que não entendemos, que são importantes, mas eu acho que isso é apenas um insulto à humanidade e os Gregos viram isso. Os Gregos entenderam perfeitamente que se existissem seres divinos eles seriam caprichosos, maus, perversos na maioria, temperamentais, invejosos e profundamente inconvenientes porque se você diz que tem que existir um Deus ou Deuses, então você tem que admitir que eles são pelo menos caprichosos. Eles certamente são incoerentes. Eles certamente não amam a todos. Eu quero dizer, isso também não é bom o suficiente.

Stephen Fry

Stephen Fry

Sabe, agente pode assumir a responsabilidade sobre nossas ações, a responsabilidade sobre nossos destinos e a responsabilidade pelo direcionamento, manutenção e criação de nossas próprias “filosofias” éticas e morais, o que é para mim o mais importante. O maior insulto ao humanismo é a ideia de que a humanidade precisa de um Deus para ter uma moral. Há uma forma bem clara de demonstrar logicamente o quanto isso é absurdo, porque a justificativa para este framework de moral, para uma moral que vêm de Deus, é sempre testada contra a moral própria do homem e essa é uma discussão complicada. Mas, eu digo, essa moral é, você sabe, o padrão que é bem enraizado, mas a ideia de que nós não sabemos diferenciar o certo do errado, mas temos como pronunciá-los em palavras e escrever em um livro, dois, três, quatro, cinco, seis mil anos atrás e ditá-los para tribos desérticas neuróticas e de cabeça quente, é muito absurda. Simplesmente não, quero dizer que, se existisse um Deus ele gostaria que nós fossemos mais espirituosos e não apenas tomássemos suas palavras para tudo. Ele não gostaria? Se ele nos deu o livre arbítrio ele gostaria mesmo é que nós disséssemos, “Não, eu vou renunciar a tudo que está neste livro, todas as leis de circuncisão e de alimentação e de…” Eu digo, “eu vou obedecer aqueles que escreveram ali”, “eu não vou pensar por mim mesmo porque isso não é algo que me exigem”. Ah vamos lá. Simplesmente não é bom o bastante e você sabe que eu não brigo com nenhum indivíduo que queira isso… que são devotos ou tem fé. Eu não quero tirar sarro deles. Eu realmente não quero, mas eles que se danem se eu tiver que ser controlado por eles sobre o que fazer com meu corpo ou que se danem se eu lutarei de novo as grandes batalhas que houveram no passado ganhas pelo conhecimento nos últimos 400 anos. Ter essas batalhas abdicadas em nome de uma nova era das trevas. Isso é, você entende… As linhas de batalha devem ser traçadas.

Gravado em dezempro de 2009

Ser Ateu…

Posted in Uncategorized by leonardomeimes on 28/09/2009
Pergunta: Como você trabalha sua espiritualidade uma vez que você trabalha com tantos pacientes em estado terminal? e a segunda é: É verdade que você é ateu? (risos)

Dráuzio: Perguntas leves né… Olha eu acho que esta questão religiosa… eu sou muito fatalista em relação a isto, eu acho que existe um tipo de cérebro, no sentido geral mesmo de entendimento da vida e das coisas, que é racionalque são pessoas que querem entender tudo que se passa e saber porque. Tem uma curiosidade de ir fundo em cada tema e ver o porque aconteceu assim, “a foi por isto”, “e isso aqui foi porque” “e mais porque?” E quando você faz isso… pessoas que têm esse tipo de formação dificilmente são religiosas, porque a religião implica você acreditar, você aceitar fatos sem nenhuma explicação. “Porque eu devo fazer assim”, “porque Jesus morreu na cruz!” Pronto.
Ai você… tem gente que aceita isso. Mas pera um pouquinho, tá bom Jesus morreu na cruz, mas tenho que fazer isso porque , qual é a razão que tem que me levar a fazer isso. Acho que essa é a diferença fundamental entre os dois tipos de visão e são mundos que não se comunicam, não tem nenhuma comunicação, porque pra quem é religioso é impossível aceitar a vida  de uma forma racional, absolutamente racional, e, ao contrário, para quem tem uma formação um cérebro que funciona de jeito materialista, que fica procurando na matéria as explicações todas, não conseguem entender o pensamento religioso.
O que acontece freqüentemente é que você quando tem um pensamento materialista você é obrigado a aceitar o pensamento religioso seja qual for, se tem que respeitar os outros, a outra forma de ver a vida, porque a ciência não é a única forma de ver o universo. O pensamento religioso é outra forma, você não precisa provar nada você acredita que Jesus morreu na cruz e você faz daquele jeito por causa disso e é tão respeitável quanto o pensamento científico.
Agora quando você tem uma formação materialista e chega uma pessoa e diz pra você: “olha sou católico acho que quando eu morrer eu vou passar uma temporada no purgatório depois vou para o céu”. Ai você fala “tudo bem se você acha que é assim tá bom”. Ai vem o outro e diz “olha eu sou protestante no meu ramo nós não acreditamos que exista purgatório quando eu morrer vou pro céu direto”, você fala “tá bom”, ai vem o outro e diz “olha eu sou espírita, eu na outra geração eu fui imperador numa ilha grega”, porque ninguém foi escravo né impressionante, “um imperador numa ilha grega” e você olha e fala “tudo bem, você acha que foi imperador tá bom se pra você ta bom assim, tá bom.”
Ai perguntam: “e você?” “ah… eu não tenho formação não sou religioso”. “COMO NÃO É? Sabe os religiosos são muito violentos com aqueles que não são religiosos, essa é a realidade, especialmente com os cientistas. Os cientistas as vezes são religiosos, mas os religiosos todas as vezes que eles assumiram o poder na história eles mandaram matar os cientistas, porque na hora que você diz que não é religioso as pessoas olham como se você fosse imoral, como se você não tivesse respeito pela vida, como se você fizesse mau para os outros, porque que não há esse respeito dos religiosos em relação aos materialistas, porque não?
Se eu tenho que respeitar todas as pessoas que acreditam nas coisas que pra mim as vezes parecem completamente sem sentido, porque que eles não podem aceitar que existe um mundo que não tem sentido pra eles? Porque que tem que ter esse autoritarismo, essa violência contra os que não pensam da mesma forma? Eu as vezes recebo e-mail de pessoas dizendo “eu tinha o senhor em boa conta, achava que o senhor fazia coisas pra ajudar os outros mas agora soube que o senhor não acredita em deus”, pô se vira um criminoso…

Dráuzio Varella

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