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O Começo do Tempo

Posted in Educação, Uncategorized by leonardomeimes on 04/05/2010

Eu ando muito interessado em cosmologia, saber como o mundo começou e tudo isso. Achei uma palestra de Stephen Hawking sobre o tempo e o começo do mundo que achei interessante e resolvi ler. Aproveitei para traduzir enquanto lia e vou postar ela em partes aqui no blog.

Peço desculpas aos que não gostam desses assuntos, porém outras pessoas podem se interessar bastante.

Stephen, apesar de explicar de forma clara os assuntos, possuí um senso de humor refinado que dificulta agente entender a graça. Porém se pesquisarmos algo sobre o que ele está ironizando vemos que é muito pertinente.

Por Stephen Hawking

Nesta palestra, eu gostaria de discutir se o tempo em si teve um começo, e se ele terá um fim. Todas as evidências parecem indicar que o universo não existiu sempre, mas que ele teve um começo, cerca de 15 bilhões de anos atrás. Esta é provavelmente a descoberta mais impressionante da cosmologia moderna. Apesar disso se rum consenso, nós não temos certeza ainda se o universo terá um fim. Quando eu dei uma palestra no Japão, me pediram que não mencionasse um possível recolapso do universo, porque isso poderia afetar o mercado consumidor. No entanto, eu posso reassegurar a qualquer um que esteja nervoso sobre seus investimentos que é um pouco cedo para vender suas ações: mesmo que o universo chegue mesmo a um fim, isso não acontecerá pelos próximos vinte bilhões de anos. Até lá, talvez o acordo de comércio GATT já estará funcionando.

A escala de tempo do universo é muito grande comparada à escala da vida humana. Não é, então, uma surpresa que até recentemente, o universo era visto como essencialmente estático e imutável no tempo. Por outro lado, parecia óbvio, que a sociedade estava evoluindo culturalmente e tecnologicamente. Isto indica que a fase atual da história humana não pode estar ocorrendo a mais de alguns milhares de anos. De outra forma, nós poderíamos ser mais avançados do que somos. Era, então, natural acreditar que a raça humana, e talvez todo universo, tivera seu início em um passado bem recente. No entanto, muitas pessoas estavam tristes com a idéia de que o universo teve um começo, porque ela parecia implicar na existência de um ser sobrenatural que tivesse o criado. Eles preferiram acreditar que o universo e a raça humana sempre haviam existido. A explicação para o progresso humano era que houve enchentes periódicas e outros desastres naturais que repetidamente levaram a raça humana ao estado primitivo.

Esta briga sobre o fato do universo ter ou não um começo, persistiu até o Século IX e XX. Ela foi conduzida particularmente com base na teologia e filosofia, com poucas considerações a evidências científicas. Isso pode ser racional, dada a característica notoriamente contestável das observações cosmológicas, até recentemente. O cosmologista, Sir Arthur Eddington, uma vez disse, “Não se preocupe se sua teoria não bate com as observações, porque elas estão provavelmente erradas”. Mas se sua teoria não bate com a Segunda Lei da Termodinâmica, ela estará em uma encrenca. De fato, a teoria de que o universo sempre existiu encontra dificuldades quase insuperáveis Segundo a Segunda Lei da Termodinâmica. A Segunda Lei diz que a desordem sempre cresce com o tempo. Como o argumento do progresso humano, isso indica que deve ter havido um começo. De outra forma, o universo estaria em um estado de completa desordem agora, e tudo estaria na mesma temperatura. Em um universo eterno e infinito, todo ponto que você olhasse levaria a superfície de uma estrela. Isso significa que o céu escuro seria tão claro como a superfície do Sol. A única forma de evitar este problema seria se, por alguma, razão as estrelas não brilhassem em alguma época.

Em um universo essencialmente estático, não haveria razão dinâmica para as estrelas terem entrado em combustão, em algum momento. Qualquer forma de “acendê-las” teria de ser imposta por uma intervenção de for a de nosso universo. A situação era diferente, no entanto, quando percebeu-se que  o universo não estava estático, e sim em expansão. As galáxias estão se distanciando constantemente umas das outras. Isto significa que elas já estiveram mais próximas e juntas no passado. Alguém pode colocar a separação de duas galáxias como uma função de tempo. Se não houvesse nenhuma aceleração pela gravidade, o gráfico seria uma linha reta. Essa função estaria no zero a cerca de vinte bilhões de anos atrás. Alguém poderia esperar que a gravidade causasse o aceleramento das galáxias uma em direção à outra. Isto significando que o gráfico de separação de duas galáxias se torceria para baixo da linha reta. Então o tempo de separação zero seria a menos de vinte bilhões de anos atrás.

Nessa época, o Big Bang, toda matéria do universo estava empilhada sobra si mesma. A densidade disso seria infinita. Seria o que chamamos de singularidade. Em uma singularidade, todas as leis da física seriam quebradas. Isso significa que o estado no universo, depois do big Bang, não dependerá de nada que pode ter ocorrido antes, porque as leis que governam o universo não existem no Big Bang. O universo irá se desenvolver a partir do Big Bang, completamente independente do que aconteceu antes. Mesmo a quantidade de matéria no universo, pode ser diferente do que ela antes do Big Bang, como a Lei de Conservação da Matéria se quebra no big Bang.

Como os eventos que aconteceram antes do Big Bang não têm consequências observacionais, pode-se facilmente retirá-los da teoria, e dizer que o tempo começou no Big Bang. Os eventos anteriores ao Big Bang são simplesmente indefinidos, porque não há como medir o que aconteceu neles. Esse tipo de começo do universo e do tempo por si é muito diferente dos começos que já haviam sido considerados antes. Estes tiveram de ser impostos por algum agente externo. Não há razão dinâmica para não extrapolar o desenvolvimento dos objetos do sistema solar para um passado muito mais distante, muito além de mil e quatro A.C., a data da criação do universo, de acordo com o livro Gênesis. Além disso, era necessária a intervenção de Deus, se o universo tivesse começado nessa data. Por contraste, o Big Bang é um começo que é necessário às leis dinâmicas que governam o universo. Ele é, então, intrínseco ao universo e não é imposto de fora para dentro.

Apesar das leis da ciência parecerem prever que o universo teve um começo, elas também pareciam prever que não havia como determinar como o universo havia começado. Isto era obviamente insatisfatório. Então, houve um grande número de tentativas de chegar à conclusão de que houve uma singularidade de infinita densidade no passado. Uma sugestão era modificar a lei da gravidade para que ela se tornasse repulsiva. Isso poderia levar ao gráfico da separação entre duas galáxias como uma curva que se aproxima a zero, mas que não ultrapassava realmente isso, em um tempo finito no passado. Em vez disso, a idéia foi que, enquanto as galáxias se distanciaram, novas galáxias de formatam entre elas, de matéria que era constantemente criada. Esta era a teoria do Estado Fixo proposta por Bondi, gold e Hoyle.

A teoria do Estado fixo, era o que Karl Popper poderia chamar de uma teoria científica boa: fazia previsões definitivas, que podiam ser testadas pela observação e possivelmente fraudadas. Infelizmente nessa teoria, os dados eram fraudados. O primeiro problema surgiu em observações de Cambridge, do número de fontes de rádio de diferentes forças. Em média, poderia se esperar que as fontes mais fracas fossem também mais distantes. Poderia se esperar que elas fossem mais numerosas do que as fintes mais claras, que tenderiam a estar próximas de nós. No entanto, o gráfico do número de fontes de rádio, em relação à força subiu muito mais em fontes de pequena intensidade, muito mais do que a teoria do Estado Fixo previa.

Houve tentativas de explicar este número gráfico, alegando que algumas das fontes fracas de rádio estavam dentro de nossa própria galáxia e então não nos diziam nada sobre a cosmologia. Este argumento não sobreviveu a mais observações. Mas o último prego do caixão da teoria do Estado Fixo veio com a descoberta da radiação de fundo, em 1965. Esta radiação é a mesma em todas as direções. Ela tem o aspecto da radiação em equilíbrio térmico em uma temperatura de 2.7 graus acima do zero Absoluto. Não há nenhuma forma de explicar esta reação na teoria do Estado Fixo.

Outra tentativa de evitar o começo do tempo foi a sugestão de que talvez todas as galáxias não tenham se encontrado em um único ponto no passado. Apesar de que em média, as galáxias estão se distanciando em uma taxa fixa, elas também tem pequenas velocidades adicionais, relativas à expansão uniforme. Estas chamadas “velocidades peculiares” das galáxias podem estar dirigidas para outro lado em relação a expansão principal. Foi argumentado que quando você retornasse a posição das galáxias conforme o tempo, as velocidades peculiares laterais poderiam significar que as galáxias não se encontraram. Em vez disso, havia uma fase prévia contrativa do universo, em que as galáxias não colidiram, mas apenas se aproximaram, e então começaram a se distanciar. Não haveria nenhuma singularidade de densidade infinita, ou qualquer quebra das leis da física. Então não haveria a necessidade do universo e do tempo por si, ter um começo. De fato, pode-se supor que o universo tenha oscilado, apesar de que isso ainda não resolve o problema com a Segunda Lei da Termodinâmica: poder-se-ia esperar que o universo se tornasse mais desordenado a cada oscilação. É, então, difícil ver como o universo poderia estar oscilando por um período infinito de tempo.

Esta possibilidade, de que as galáxias não tivessem se chocado, foi defendida por um artigo de dois Russos. Eles alegaram que não houve nenhuma singularidade em uma solução de equações de campo da relatividade geral, que era particularmente geral, no sentido de que não tinha nenhuma simetria exata. No entanto, a alegação deles foi comprovada como falsa por um número de teoremas de Roger Penrose e por mim mesmo. Estes mostraram que a relatividade geral previa singularidades, sempre que mais de certa quantidade de massa estava presente em uma região. Os primeiros teoremas foram desenvolvidos para amostrar que o tempo chegou a um fim, dentro de um buraco negro, formado pelo colapso de uma estrela. No entanto, a expansão do universo é como o rebobinar do colapso de uma estrela. Eu, assim, quero mostrar a vocês que as evidências observacionais indicam que o universo contém matéria suficiente, é o rebobinar de um buraco negro e, então, contém uma singularidade.

Continua…

Buracos de minhoca…

Posted in Cinema, Educação, Uncategorized by leonardomeimes on 01/05/2010

É cada coisa que surge nessa física viu, eu encontrei uma explicação básica na internet para esse fenômeno do espaço, só que aparentemente ainda é algo tão ficção científica que não consigo nem mesmo imaginar como funcionaria.

Segue a tradução:

“Um raio de luz atravessando um caminho entre dois pontos em um espaço curvado pode levar muito mais tempo para completar sua jornada do que uma espaçonave hipotética que tome vantagem de um atalho chamado “buraco de minhoca” (wormhole) entre as duas regiões distintas do espaço-tempo.” (imagem disponível no endereço: http://www.pbs.org/wnet/hawking/strange/html/wormhole.html)

O.o Não entendemos nada. Cabe aqui uma intromissão minha com uma tentativa de explicação do que é espaço-tempo, baseada no que encontrei na net:

Curvatura

Curvatura

O espaço na física moderna não é mais entendido como vazio onde as coisas “flutuam”, mas sim como uma estrutura, uma espécie de tapete invisível em que as coisas estão apoiadas. Assim ele é feito de uma matéria que os físicos e astro-físicos estão começando a estudar, chamada matéria negra. Quando objetos são pesados eles empurram esse espaço tempo fazendo com que ele se curve, portanto é uma estrutura que se estica e e quando as coisas caem nessas depressões feitas no espaço por objetos pesados surge a gravidade. Um objeto tende a cair na terra porque ao passar pelo espaço próximo à terra ele desliza no espaço que foi curvado pela terra.

O.o

É isso ai, já tem outras pesquisas que explicam a gravidade de outra maneira, mas vamos ficar com essa.

Pense no espaço como uma folha de papel, ligue as extremidades dela e você tera o espaço curvo, não importa onde você tiver neste espaço vai achar sempre que está “de cabeça para cima” e não percebe a curvatura. Assim percorrer dois pontos pelo meio dessa curvatura seria algo muito mais rápido do que andar pela superfície do papel até chegar lá.

É isso ai, já tem outras pesquisas que explicam a gravidade de outra maneira, mas vamos ficar com essa.

“Parecere muito mais um bordão de ficção científica do que um fato científico, e de fato os cientistas primeiramente sonharam com os wormholes. Em 1935, Albert Einstein e Nathan Rosen perceberam que a relatividade geral permite a existência de “pontes”, originalmente chamadas de pontes de Einstein-Rosen, mas agora conhecidas como buracos de minhoca. Esses tubos no espaço tempo funcionam como atalhos ligando regiões muito distantes do espaço-tempo. Viajando por um buraco de minhoca, você poderia viajar entre as duas regiões muito mais rápido do que um raio de luz seria capaz se ele se movesse pelo espaço-tempo normal. Assim como qualquer modo de viagem mais rápido do que a luz, os buracos de minhoca oferecem a possibilidade de viagem no tempo.”

o.O

“Até recentemente, os teóricos acreditavam que os buracos de minhoca poderia existir apenas por um instante de tempo, e qualquer um que tentasse passar por ele poderia entrar em uma singularidade. …”

Mais uma intromissão: uma singularidade é um ponto sem volume e porém com uma densidade infinita. Ou seja ela curva tanto o espaço-tempo, que as leis da física param de funcionar, os objetos ficam presos e coisas estranhas podem acontecer. Buracos negros são uma singularidade. E o universo pode ter surgido de uma singularidade que se deu mal.

Fonte: http://www.pbs.org/wnet/hawking/strange/html/singular.html

“… . Mas cálculos mais recentes mostram que uma civilização realmente avançada poderia ser capaz de fazer os buracos de minhoca funcionarem. Utilizando algo que os físicos chamam de “matéria exótica”, que tem energia negativa, acivilização poderia prevenir que os buracos de minhoca entrassem em colapso sobre sí mesmos. Coisas de ficção científica, com certeza. Mas talvez algum dia no futuro longínquo, poderia também se tornar um fato científico.”

Fim

Assim, vamos ter que esperar um bom tempo até que essas teorias se tornem realidade, ou sejam realmente demonstradas. Porém nos filmes já temos uma demonstração de como isso pode afetar a vida. No filme Donnie Darko, os personagens se encontram presos em um loop de tempo, em que um buraco de minhoca os manda repetidamente para o mesmo ponto do tempo e depois acaba com seu mundo. Os personagens não sabem disso, porém como seu mundo já fez voltas o suficiente para que todos tivessem uma memória “interna” sobre o ocorrido eles sem saber levam o personagem principal à descobrir o fato e descobrir a forma de reverter o processo.

Donnie Darko

Donnie Darko

A genialidade do filme está justamente no fato de que no filme apenas um desses loops aparece e não sabemos, como não saberíamos caso acontecesse de verdade, o que ocorre, apenas acompanhamos Donnie e sua suposta esquizofrenia enquanto tudo começa a se encaixar e ele resolve o problema (de forma que não é explicada no filme também).

Donnie Darko

Donnie Darko

Vejam o fime! Vale a pena!

Leonardo Meimes

Máquina do Tempo!

Posted in Educação, Uncategorized by leonardomeimes on 30/04/2010

Segundo a mordena física é possível sim viajar no tempo, apenas necessitamos de uma tecnologia que ainda não temos. O conhecimento para tal já está em desenvolvimento e com as teorias que temos para explicar a interação espaço-tempo já pode-se prever a utilização de luz e energia para criação de máquinas do tempo.

Absurdo não? Não!

Vejam o comentário abaixo sobre o livro do físico brasleiro Mário Novello:

 

Por que não podemos voltar ao passado?” Esta questão pairou durante muito tempo sobre a cultura ocidental, sem que uma resposta racional, simples e convincente nos fosse concedida.

Em Máquina do tempo , o físico Mário Novello apresenta como os cientistas, com o auxílio da teoria da gravitação de Einstein (a chamada Relatividade Geral), têm equacionado o problema.

O autor realiza a delicada tarefa de tornar a resposta a essa questão compreensível para um público de não-especialistas. E exerce com brilhantismo uma dupla função: informar aos leitores que não são físicos o estado atual de nosso conhecimento sobre viagens não-convencionais no tempo; e produzir um inventário crítico capaz de fornecer aos estudiosos do assunto um roteiro para análises mais aprofundadas.

Mário Novello é um cientista e, como tal — entre a sofisticação da matemática e as alternâncias do movimento da física, por exemplo — se apropria de curvas do tempo que violam nossas certezas, que envolvem a questão temporal: a de que um corpo só pode viajar para o futuro afastando-se do passado. À diferença do pensamento antigo, que subjugava o tempo às variáveis do movimento, existem curvas aceleradas que tornam possível a um observador que se movimente sobre elas retornar ao passado.
Uma série crescente de dificuldades teóricas liberta o tempo — afirma o pensador moderno Mário Novello, com seu sonho de um Universo centrado, labirintos de luz, para uma viagem quase sem fim do espírito, em que círculos e demonstrações da matemática misturam-se com o desejo do tempo, com o desejo de tempo puro, um pouco de tempo puro.

Texto do filósofo Cláudio Ulpiano

O Elo Perdido

Posted in Educação, História by RogBriNas on 03/01/2010

Cresci ouvindo dizer que os cientistas estavam à procura do Elo perdido, lembro inclusive de vários seriados de televisão contendo esse tema, onde apareciam imensos dinossauros ao lado de piratas franceses, uns devorando os outros.

Depois rolou a reagravação de “O Planeta dos Macacos” onde Mark Wahlberg contracenava com os nada educados primatas que, na verdade, eram a evolução de chimpanzés que as naves espaciais dos humanos levavam para fazer experimentos no Cosmos. (Confuso? E não é isso que somos? A evolução dos nada educados.)

A temática era sempre a mesma, como se perder no tempo? Como humanos e primatas se relacionariam em uma época onde não eram os humanos que mandam na Terra? E principalmente, como o macaco chegou à forma humana?

Pois, parece que os cientistas estão mais perto de encontrar a resposta para a última pergunta.

Uma equipe de cientistas, liderada por Jorn Hurn, revelou, em maio de 2009, o esqueleto fossilizado de um primata de 47 milhões de anos, que poderá ser o nosso Elo Perdido.

Explicando pros leitores que não tiveram a oportunidade de entrar em contato com esse tema até então, existe toda uma evolução de nossa raça (humana) que vem dos primatas superiores (macacos) e se tornam grandes primatas e humanos, mas nunca se descobriu qual espécie está no meio dessas etapas.

O aparecimento desse primata, chamado Ida (nome científico: Darwinius masillae em honra aos 200 anos de Darwin), é fundamental para a ciência nessa área. “Este é o primeiro Elo para a ligação de todos os humanos, a prova mais próxima daquilo que podemos ter como nosso ancestral comum.” diz Hurum, cientista do Museu de História Natural de Oslo, Noruega.

Ida possui o esqueleto típico do lêmure, porém, com características dos primatas, como o polegar opositor que serve pra segurar coisas, o que a deixa no meio do caminho entre as espécies.

O mais inacreditável é que a equipe de pesquisadores não encontrou Ida em um sítio arqueológico, e sim em uma feira. A imprensa indica que um caçador de fósseis inexperiente a encontrou em Messel Pit, na Alemanha, em 1983, e só bem mais tarde decidiu vendê-la. A equipe de Jorn Hurn trabalhou no fóssil por dois anos até expôr ao público.

 

 

A Loucura se elogia

Posted in Educação by leonardomeimes on 06/10/2009

Erasmo de Rotterdam não é um nome que se ouça tanto como Dante e Voltaire, mas é um autor que tem obras singulares como “Do que se deve fazer para restaurar a concórdia da Igreja” e “Sobre o Livre Arbítrio” que não deixam a desejar.Munido de seu conhecimento, adquirido em sua estada de 1487 á 1492 em um convento, após a morte de sues erasmopais e em suas viagens posteriores, Erasmo tece comentários e sátiras com criticas contundentes às ordens sociais e aos costumes corrompidos vigentes em sua época, sec.XV e inicio do sec.VXI. O fato é que suas criticas nos caem perfeitamente em pleno sec.XXI e nos mostra que a hipocrisia e a perda de valores começou há muito tempo e não foi, e talvez nunca será, resolvida. Mas essa é só uma das reflexões, talvez a mais singela, que se pode retirar de sua obra.

Vamos nos ater a apenas um livro, o mais conhecido e cultuado, O Elogio da Loucura. Escrito em meados de 1508, não se trata só de uma “ode” as peripécias da loucura subjetiva, mas sim das confissões de uma loucura personalizada, porque não dizer endeusada, que fala sobre seus domínios sobre a humanidade. A Loucura nesta obra é uma deusa descendente de Plutão que não poupa palavras ao fazer críticas e ironias, particularmente aos estóicos. Ela, a loucura, aparece já no começo como a “única capaz de alegrar os deuses e os homens” (pag.17) e assim segue falando de si própria sem se ater a modéstias. Comenta que sua arte de oratória é superior a de qualquer orador, pois ela consegue facilmente criar sensações que aqueles só conseguem com discursos preparados. Comenta também que seus relatos serão verdadeiros, pois ela não é como poetas e filósofos que em troca de dinheiro dizem palavras e mentiras, tolas.

 

ROTTERDAN, E. de. O Elogio da Loucura. Escala, Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal – 3.

 

Leonardo Meimes

Profeta Gentileza

Posted in cidadania, Educação, História by RogBriNas on 01/10/2009

Respeitável Público, o Grande Circo Norte-Americano tem o prazer de apresentar à vocês…

Assim começa o espetáculo, e assim começou a nova fase da vida de José da Trino, um paulista que vivia no Rio de Janeiro, empresário de transporte de cargas em Guadalupe.

Como José, muitos eram os freqüentadores daquele circo em 1961, na cidade de Niterói. A platéia chegou a 2.500 pessoas, e o dono do circo declarou por encerrada a venda de ingressos, muitos foram os que ficaram de fora, das pessoas que estavam de baixo da lona a maioria era criança, só entrava no circo quem tinha dinheiro pra pagar, por isso, os freqüentadores eram os filhos de quem tinha dinheiro. O circo contava com o trabalho de cerca de 60 artistas, 20 empregados e 150 animais. Faltando cerca de 20 minutos pra terminar o espetáculo, o trapezista percebeu o incêndio criminoso provocado por um empregado demitido durante a montagem da estrutura do circo, a lona que deveria ser de náilon, era na verdade de um tecido altamente inflamável.

Cinco minutos depois toda a lona do circo estava pegando fogo,

 Mais de 300 pessoas morreram por causa do acidente,

 Cerca de 70% das mortes foi de crianças,

 A data era 17 de dezembro, praticamente Natal.

  

 José da Trino assistiu ao espetáculo, e conseqüentemente ao incêndio. As cenas presenciadas por ele foram muito fortes, mas, foram também um chamado. José ouviu essa voz o chamando e largou tudo, se tornando um profeta. Não um profeta com desejos materiais, mas como Amós ou Oséias.

Ele passou os quatro anos seguintes ao incêndio morando no terreno do circo onde plantou um jardim e uma horta sobre suas cinzas. Ali, ele também consolava os parentes das vítimas de 61. O local ficou conhecido como “Paraíso Gentileza”. Sua família quis o internar, pois estava gastando com os outros todo o seu patrimônio. Ele passou a usar uma bata branca e um estandarte com palavras de Gentileza.

Em certa ocasião, encheu duas pipas de cem litros de vinho e distribuiu em pequenos copos perto da saída da barca Rio-Niterói, dizia: “Quem quiser tomar vinho não precisa pagar nada, é só pedir por gentileza, é só dizer agradecido”.

O Profeta Gentileza, como ficou conhecido, passou a andar pelas ruas do centro do Rio de Janeiro distribuindo flores e gentilezas, pregando o amor e o respeito.

Na década de 80 passou a desenhar inscrições em verde e amarelo em 55 pilastras no Caju, o conteúdo era baseado em suas palavras: “Deus-Pai é Gentileza que gerou o Filho por Gentileza. Por isso, Gentileza gera Gentileza”. O local era estratégico, pois, é até hoje passagem de quem atravessa a Avenida Brasil em direção à Rodoviária.

Porém, suas palavras nas pilastras sofreram com o efeito do tempo e de pichadores, enquanto o Profeta era vivo restaurava sua arte, em 1996 ele faleceu e sua obra ficou sem cuidados. Em 1997, a Companhia de Limpeza Urbana da cidade cobriu com tinta cinza quase todos os escritos do profeta.

 A sociedade NÃO gostou.

Por sorte, a tinta era à base de cal, e descobriu parte dos escritos na época de chuvas. Admiradores do Profeta viram e lançaram um grande protesto cobrindo os escritos de 15 pilastras com plástico preto, era o projeto Rio com Gentileza, foi o suficiente para chamar a atenção da sociedade e começar a restauração do que foi coberto de cinza.  No ano 2000, os escritos se tornaram Patrimônio Cultural.

Vídeo Relacionado:

Um louco ou um profeta? As pessoas que viram e se lembram dele, o chamam de amigo, o Profeta nos deixou em 96 quando já tinha 79 anos e nos deixou um legado que vai de encontro com o que o mundo nos prega:

“A natureza não vende terra,
a natureza não cobra pra dar alimentação para nós.
Esse dia lindo,
essa luz que está em cima de nós, a nossa vida,
ou seja, vem do mundo, é de graça,
é Deus nosso Pai que dá.
Agora o capeta do homem que é o capitalismo, é que vende tudo, destrói tudo,
destruindo a própria humanidade.

Capeta vem de origem capital.
É o vil metal
Faz o diabo, demônio marginal.
Por esse motivo, a humanidade vive mal.
Mal de situação,
mau de maldade,
porque o capitalismo é falsidade,
o pranto de toda a maldade,
raiz de toda a perversidade do mundo.
É o dinheiro.

O dinheiro destrói a mente da humanidade.
O dinheiro coloca a humanidade surdo.
O dinheiro destrói o amor.
O dinheiro cega.
O dinheiro mata.

Todo dia você lê jornal, ouve rádio,
televisão, só vê barbaridade:
é crime, é assalto, é seqüestro, é vício, nudez, devassidão, fome e guerra.
Vai ver qual é a causa:
capitalismo.

 

Trajetória Literária de Dalton Trevisan

Posted in Educação, Literatura by leonardomeimes on 30/09/2009

 

tn_620_600_Luiz_Claudio_300909Trevisan, por meio da revista Joaquim, estabeleceu combate com a cultura local, e estabeleceu conexões com a cultura nacional e internacional.” Luiz Claudio Soares de Oliveira, jornalista.

 

A bem-sucedida trajetória literária de Dalton Trevisan, de 84 anos, é resultado, também, da inquietação que o escritor desde muito já manifestava publicamente. Quando tinha 15, 16 anos, o então estudante Trevisan dirigia a revista Tingui, que abria espaço para temas gerais e para a produção do jovem poeta (sim, Trevisan já escreveu poesia). Posteriormente, o futuro contista estaria à frente da Joaquim, uma das mais importantes revistas culturais publicadas no Brasil.

Essas ações de Trevisan não passaram despercebidas pelo olhar do jornalista Luiz Claudio Soares de Oliveira, editor da Gazeta do Povo on-line. Há muito que ele tinha interesse no assunto, mas foi em 2001, quando a Imprensa Oficial do Paraná publicou uma edição fac-similar da Joaquim, que o jornalista, de fato, decidiu que iria se aprofundar no tema.

 

Em 2003, Oliveira ingressou no curso de mestrado em Estudos Literários, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e, du rante dois anos, estudou a revista. O jornalista defendeu a dissertação em 2005, que recentemente foi transformada livro Dalton Trevisan (En)Contra o Paranismo, que será lançado hoje à noite no Teatro da Caixa.

Paralelas

Saiba mais sobre o livro de Luiz Claudio Soares de Oliveira


O projeto


Luiz Claudio estudou, de 2003 a 2005, a revista Joaquim, que Dalton Trevisan editou de abril de 1946 a dezembro de 1948. Apesar de ter sido uma dissertação de mestrado, que prevê um estilo mais acadêmico, Oliveira conseguiu elaborar um texto fluente, uma grande reportagem. Ele fez uma análise, profunda, sobre a proposta da revista, que foi contrária ao paranismo e aberta ao mundo.

 

A Joaquim


A Joaquim, durante pouco mais de dois anos de atividades, conseguiu atrair alguns dos principais intelectuais brasileiros para o seu grupo de colaboradores. Wilson Martins, Temístocles Linhares, Carlos Drummond de Andrade, José Paulo Paes e Poty foram alguns dos nomes que contribuíram com a revista.

 

O livro, apesar de ser resultado de um trabalho acadêmico, é uma grande reportagem, em que Oliveira analisa, com muita clareza e texto fluente, como Tre visan coordenou a revista. A postura crítica e combativa, que se tornou uma das principais características da literatura do Vam piro de Curitiba, já estava presente na Joaquim.

 

O escritor usou a revista como suporte para atacar ícones da cultura local, como Emiliano Perneta, o príncipe dos poetas paranaenses, e Alfredo An der sen, outra unanimidade, no caso, das artes plásticas. “Tre visan, na realidade, atacava o paranismo, que engessava o univer so mental paranaense”, afirma Luiz Claudio.

 

O paranismo foi um movimento de afirmação da cultura paranaense, que surgiu no final do século 19, e sugeria que os artistas utilizassem em suas obras referências locais, como o pinhão. Elogio mútuo e ênfase em tudo o que fosse paranaense, “mesmo que seja ruim, é nosso”, faziam parte do programa paranista. “O Modernismo, de 1922, praticamente não aconteceu no Paraná, pois foi ignorado pelos adeptos do paranismo”, diz Oliveira.

 

O jornalista identifica dois momentos da revista: inicialmente, houve a desconstrução do paranismo e, na fase final, a Joaquim abriu, ainda mais, as suas páginas para ideias e artistas brasileiros. Luiz Claudio também procurou entender por que a Joaquim, que tinha 25% de suas páginas preenchidas com anúncios, encerrou as suas atividades abruptamente, em 1948. “Tal vez, no momento em que a revista poderia se institucionalizar, Trevisan decidiu tirar a Joaquim de cena”, analisa.

Serviço: Dalton Trevisan (En)Contra o Paranismo. Luiz Claudio Oliveira. 216 págs. R$ 25. Hoje, a partir das 19h30, acontece um bate-papo do autor com os jornalistas Otávio Duarte e José Carlos Fernandes, no palco do Teatro da Caixa (R. Conselheiro Laurindo, 280), (41) 2118-5111. Entrada franca. Os ingressos devem ser retirados, gratuitamente, na bilheteria do teatro, hoje, a partir do me io-dia. Posteriormente, Oliveira autografa o livro.

 

FONTE: Caderno G Quarta-feira, 30/09/2009

 

VAHN


Letramento dos Livros Didáticos (FIM)

Posted in Educação by leonardomeimes on 28/09/2009

Livros didaticosO artigo de Marianne Cavalcante e Cristina Melo, desse mesmo livro, mostra como a oralidade é trabalhada no ensino médio e anasila alguns problemas que os livros apresentam. Na análise de nove livros de ensino médio, feita pelas autoras, foi visto que não há trabalho com os gêneros orais e sua importância e que falta uma metodologia adequada para ensinar a oralidade, pois as tarefas de oralidade são voltadas à conversa informal, sem reflexão, sem gênero específico e sem variação lingüística e de registro. As autoras ainda sugerem que a oralidade da TV seja utilizada e ensinada por estar presente na vida dos alunos e ser algo que merece uma reflexão.

Considerando os aspectos abordados nos dois livros sobre os LDs, de ensino fundamental e ensino médio, vemos que os problemas são semelhantes em vários aspectos e, particularmente nas três práticas discursivas, advém de fatores em comum. A abordagem tradicionalista, que ainda assombra todo o ensino de língua, acaba criando barreiras na condução dos alunos a um aprendizado eficaz do uso da linguagem. Vendo a formação dos futuros professores como um caminho de mudança nesse sentido, ambas as obras são acessíveis e contém reflexões necessárias para que esses professores discutam e mudem o panorama preocupante visto nos LDs de língua portuguesa.

 

Leonardo Meimes e Fernanda Calvetti

Letramento dos Livros Didáticos (p.3)

Posted in Educação by leonardomeimes on 24/09/2009

livro-didatico1

Para comparar com as conclusões, da segunda parte sobre a situação das três práticas discursivas e da análise lingüística nos

LDs de ensino fundamental, com as do ensino médio, veremos antes as conclusões do livro de Cleto Bunzen e Márcia Mendonça. Nesse livro existe um artigo de Roxane Rojo e Shirley Jurado que mostra o trabalho com a leitura de um trecho de “Macunaíma” em um livro didático do ensino médio.

As autoras mostram que o trabalho se deu de forma induzida e limitada, apenas alguns conhecimentos específicos eram requeridos e a análise do estilo, para a apreciação crítica literária, teve problemas, pois os trechos eram descontextualizados. Sobre a escrita um artigo de Cleto Bunzen traça uma evolução do trabalho com a escrita des do século XVIII até hoje, passando por várias abordagens de texto e língua até chegar nos 80 e 90. Ao fim de sua análise, o autor percebe que, apesar da evolução das teorias, os professores que hoje atuam em sala foram formados em linhas tradicionais e estruturalistas e, portanto, não dão conta de um trabalho eficaz com o texto.

Da mesma forma os LDs tiveram melhorias mais ainda deixam a desejar em alguns aspectos como a inter-relação entre as atividades de escrita, leitura e oralidade e a contextualização as produções.

Continua…

Leonardo Meimes e Fernanda Calvetti

Letramento dos Livros Didáticos (p.2)

Posted in Educação by leonardomeimes on 23/09/2009

leitura Começando pelo livro de Roxane Rojo e Antônio Batista, ele complementa a formação dos futuros professores com uma análise detalhada de aspectos dos LDs (Livros Didáticos) avaliados pelo PNLD 2002. O PNLD é a avaliação da composição dos LDs coordenada pela Comdipe (Coordenação Geral de Avaliação de Materiais Didáticos e Pedagógicos) e pelo SEF (Secretaria da Educação Fundamental). Cada articulista abordou uma parte da composição dos livros avaliada e destaca-se o trabalho de reunião e análise dos dados do PNLD.

Um artigo desse livro, de Sheila Grillo e Fernanda Cardoso, nos mostra como a leitura é tratada nos LDs, reiterando a abordagem da linguagem como resultado de fatores extras e intralingüísticos (particularmente com as teorias de Bakhtin). A análise das autoras mostra que o trabalho com as condições de produção dos textos lidos é precário. Outros fatores mostram uma melhoria pequena (diversificação de gêneros; apresentação dos dados dos autores; elementos do contexto de produção e comunicação), mas não garantem a eficácia dessas atividades de leitura que precisam de alguns ajustes para se tornarem adequadas. Outro artigo interessante, de Maria da Graça Costa Val, mostra que as atividades de escrita também subjazem ainda uma concepção tradicionalista, distante da de Bakhtin, sobre a linguagem. A autora desse artigo verificou que as produções de texto não consideravam, na maioria dos casos, avariação lingüística, não davam aos alunos as condições de produção, a estrutura composicional do texto e não previam o planejamento e revisão/reelaboração dos textos dos alunos.

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Dois resultados dessa pesquisa facilmente previsíveis foram os da análise lingüística e da oralidade. O artigo de Kátia Lomba Bräkling, sobre a gramática nos LDs, mostra que claramente os autores desses LDs ainda não conseguem abordar a gramática de forma reflexiva, pois cerca de 80% do trabalho com a gramática se deu de forma transmissiva e não privilegiou o “uso-reflexão-uso” previsto nas diretrizes. Quanto à oralidade, o artigo, de Paulo Eduardo Mendes da Silva e Cristiane Cagnoto Mori-de-Angelis, mostra que as atividades são precárias, não consideram fatores importantes como as variedades orais formais e públicas, os gêneros orais e apenas usam a oralidade como instrumento de interação entre o aluno e o professor, raramente, atentando para adequação a situação e destinatário.

Continua…

Leonardo Meimes e Fernanda Calvetti