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Paulo coelho e sua boca que ele insiste em manter aberta….

Posted in Comentários, Textos Próprios by leonardomeimes on 25/09/2012

Paulo Coelho se colocou, em entrevista à Rolling Stone, como o maior intelectual do Brasil, e ainda continuou criticando a obra de Joyce…

Veja um trecho:

Pegaram no seu pé por causa das suas declarações sobre Ulysses…
Não, não pegaram no meu pé, não. Fiquei muito bem impressionado. Todos os jornais do mundo deram. [Ulysses] dá um tuíte e é chatíssimo. Você já leu?

Tentei algumas vezes, mas não li, não.
Eu li. Era obrigado a ler.

Eu me sinto obrigado a ler. Vou tentar.
Não vale a pena. Leia os livros que te dão prazer. Isso é o que o Andy Warhol disse: a pop art é a arte que te dá prazer. É por aí. Daí esse ranço da intelectualidade.

Fim da citação…

Para Roland Barthes, um intelectual de verdade, o prazer é diferente da fruição, Ulysses pode provocar a quem lê-lo com calma, com atenção, concentração e mais de uma vez, um prazer que vai além de conhecer o fim da história… uma fruição em cada linha, cada divagação, cada palavra que tem seu significado ressignificado, cada ponto de divergência com o que o leitor esperava…

Os livros de Paulo Coelho dão no máximo um prazer relegado ao final do livro ao descobrir o fim da história e nada mais, não há inovação linguística, não há significações divergentes do senso comum, só há um misticismo pobre e que esconde um autor que não sabe desenvolver personagens nem enredos.

A diferença entre o Pop Art e a Arte que realmente perdurará pelas gerações é que um dia Marilyn Monroe não será mais do que um rosto bonito esquecido e esvaziado de significado, e o quadro de Warhol perderá seu apê-lo; enquanto que Ulysses continuará sendo lido, e acada leitura em tempos históricos diferentes a história será ressignificada, relida e ganhará ainda mais força.

  • Essa é a diferença de um produto e uma arte.
  • A mesma diferença entre Harry Potter e a História sem Fim;
  • A mesma diferença entre Paulo Coelho e Joyce;

Como disse o crítico inglês Samuel Johnson do The Guardian, “um mosquito pode picar um cavalo, mas o cavalo continuará sendo um cavalo, e o mosquito, nada mais do que um mosquito.”

Paulo Coelho pode até falar mal de Joyce, mas continuará sendo um mosquito…

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