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Reinaldo Azevedo e a desinformação de seu blog

Posted in Comentários, Textos Próprios by leonardomeimes on 01/02/2012

 

 21 jan 2012 @ 12:50 PM
Reinaldo Azevedo é um cara informado e, ainda que não fosse, como é é colunista de um blog hospedado no site da Revista Veja, ele tem sim a obrigação de passar informações corretas para seus leitores. Mas não é isso o que ele faz. Como dizem por aí, uma mentira se torna mais verossímil quando misturada a um tanto de verdade. E é o que ele faz: fornece ao leitor algumas informações verdadeiras em meio a um oceano de mentiras desastrosas e vergonhosas. É como se ele trabalhasse no “Ministério da Verdade”.

O alvo agora são os presidiários e ele os atacou em dois textos que revelam uma desonestidade intelectual muito grande. Vamos a eles:

Do Auxílio Reclusão

Neste texto aqui, o preclaro blogueiro, usando o natural repúdio que a sociedade tem contra o crime e os que adotam condutas criminosas, após fazer um discurso patético sobre como os pobres e cidadãos comuns neste país têm menos direitos do que o ‘bandido’ (um cidadão comum ganharia um salário mínimoMENOR do que o auxílio reclusão), disse o seguinte:

“…Faz ou não faz sentido? No Brasil, faz!!! Afinal, em Banânia, o auxílio-reclusão, pago pelo INSS aos dependentes dos presos, passou a ser de R$ 915,05 a partir do dia 1º de janeiro deste ano. Mau negócio por aqui, minhas caras e meus caros, é ser pobre, ter bom caráter e ganhar o salário mínimo, que é de R$ 622,00. O “auxílio-reclusão” — ou “auxílio-bandido”, como queiram — está previsto no Artigo 201 da Constituição. Há aquela parolagem cretina sobre a índole pacífica do nosso povo. Um país que tem mais de 50 mil homicídios por ano não é, evidentemente, pacífico. O povo brasileiro, coitado!, é desinformado, isso sim! Quantos pobres do salário mínimo têm consciência de que o estado prefere paparicar marginais?….”

Isso é uma deslavada MENTIRA. Pois:

a) Não é a família de QUALQUER preso que receberá o auxíli-reclusão; só as famílias dos presos que, antes de serem presos, estivessem trabalhando E recolhendo os valores cabíveis ao INSS.

b) Não é TODO auxílio reclusão que tem ou terá o valor de R$ 915,05. O valor do auxílio a ser pago será calculado conforme a média dos recolhimentos que o trabalhador (agora preso) tiver efetuado ao INSS. Esse valor de pouco mais de novecentos reais é o TETO. Isso significa que se o preso, quando estava trabalhando, tiver tido o último salário recebido ao valor de R$ 915,05, que a família dele NADA receberá. Se a média de salários recebidas pelo então trabalhador tiver sido R$ 600,00 será esse o valor do auxílio reclusão que será pago a seus familiares.

Se Reinaldo Azevedo tivesse consultado a Previdência Social antes de fazer sua postagem, nada disso teria acontecido.

Da garantia de creche para filhos de menores infratores:

Clarence Darrow repudiava o crime e não o criminoso e, por mais que a tendência humana seja a de ter ódio ao crimiminoso, pois somos movidos também pelo impulso da vingança; nós não vivemos mais na “Era das Vinganças” e as penas impostas aos presos não tem como intuito satisfazer o desejo de vingança de quem quer que seja (Sociedade ou vítimas ou parentes das vítimas).

A pena, em Direito Penal, tem como objetivo punir e prevenir. As penas no Brasil são, em sua maioria, de restrição da liberdade e ela (a pena) também teriam como finalidade ‘reintegrar o criminosos à sociedade’. E isso está correto. Porque, se não for para preparar o criminosos para, no final da pena, estar apto a voltar a conviver em Sociedade, então o melhor mesmo seria condená-lo à morte (e é muito fácil dizer-se defensor da pena-de-morte quando não é você ou alguém que você estima quem estará no corredor).

Mas Reinaldo Azevedo não quer saber de criminosos; afinal, eles não são ‘gente como a gente’. É a velha prática de não enxergar no outro um sujeito não só de obrigações, como também de direitos, como todo e qualquer ser humano. Só que quando o direito é negado a um cidadão que ocupa um lugar um pouco mais acima na cadeia alimentar; o discurso muda e pessoas que negavam aos presos os mínimos direitos, se apressam em exigir que os direitos constitucionais de tais pessoas (que ocupam posição social mais elevada) sejam estritamente observados.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Mas vamos ao que interessa: O tal blogueiro-colunista atacou a lei que concede aos filhos de adolescentes infratores o direito a creches, dizendo que:

“..Anteontem, por intermédio de lei, o governo federal instituiu o Sinase (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo), disciplinando as chamadas “medidas socioeducativas” para adolescentes infratores. O objetivo da lei é garantir os direitos básicos dos infratores. Certo! Até aí, tudo bem. Seguindo o bordão politicamente correto dos nefelibatas, o objetivo seria tirar o foco das punições, para concentrá-lo nas ações “socioeducativas”.

Mas não pára por aí. Se o dito infrator for pai, seu filho terá ACESSO GARANTINDO a creche ou pré-escola. Criou-se a “cota filho de bandido”. Imaginem a seguinte situação: a creche X está com todas as vagas preenchidas — e sempre estará porque há déficit de no Brasil inteiro. Terá de admitir o filho do “companheiro infrator”. Das duas, uma: a) ou abre uma vaga suplementar ou b) põe na rua o filho de um não-bandido. Note-se que, na hipótese “a”, isso jamais se faria para beneficiar o homem comum. Que bom! O menor infrator com direito a uma cadáver — e a fazer órfãos sem direito a creche garantida — tem mais um privilégio….”

O que o tal Reinaldo quer dar a entender é que os filhos dos cidadãos de bem não teriam garantido o direito à creche e isso, senhores, é uma mentira deslavada. Não nego, em absoluto, que faltam creches no país. Isso porque nossos políticos não tem vergonha na cara e vivem deixando de cumprir com suas obrigações constitucionais.

Ocorre que existem órgãos cuja obrigação, no sistema Democrático, é defender os direitos desses incapazes (crianças menores que são filhas dos cidadãos de bem e também têm negado o direito à creche): A Defensoria Pública e o Ministério Público. E, senhores, esses órgãos entraram e entram com dezenas de ações no Judiciário EXIGINDO que os municípios garantam as creches A TODAS AS CRIANÇAS. E o Judiciário tem feito a parte dele e, julgando procedente os pedidos desses órgãos, exigido que os municípios criem as vagas e estipulando multas diárias pesadíssimas.

O Reinaldo Azevedo, portanto, perdeu uma ótima opotunidade de ficar calado; ou melhor: de informar a seus leitores (a cujos filhos for negada vaga em creche) COMO, ONDE e QUANDO eles conseguiriam exigir do Estado o fornecimento da vaga em creche. No lugar de falar mal da garantia fornecida aos filhos dos menores infratores, o Reinaldo Azeredo poderia ter feito uma postagem informando a seus leitores como deveriam agir para garantir o direito dos filhos.

Mas eu vou fazer um favor aos leitores e vou sanar a omissão do Azeredo: se você estiver passando pela situação de não conseguir creche para os seus filhos, você deve procurar a Defensoria Pública ou o Ministério Público. Tais órgãos, após uma triagem, tomarão as medidas que forem necessárias para que seus filhos consigam as tais vagas.

Reinaldo ainda firmou:

“….Os vigaristas morais e ideológicos que defendem esses pontos de vista se negam a debater a questão. Preferem cair na adjetivação e na desqualificação dos críticos. Seriam “fascistas”, “reacionários”, “desumanos” etc. E não têm a dignidade mínima de explicar por que o indivíduo que delinqüiu — A MINORIA — há de ter mais benefícios do estado do que o que não delinqüiu….”

Sr. Azevedo, eu tive a dignidade moral de explicar que não é só a minoria que tem esses benefícios do Estado, que o direito à creche deve ser garantido, nos termos da Constituição, a todas as crianças (quer sejam filhas de infratores, quer não). Teria o senhor a dignidade moral de explicar a seus leitores como eles devem agir caso a negativa de vaga em creche ocorra com eles? Acho que não.

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