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Refutando Reinaldo Azevedo

Posted in Política, Textos Próprios by leonardomeimes on 01/02/2012
Contesto aqui algumas passagens de um texto de Reinaldo Azevedo, articulista  da revista Veja, publicado em dezembro de 2011 no seu blog hospedado no site da revista. Nesse texto o autor escreve sobre o grupo Clarín, os governos da Argentina, Venezuela e Brasil e sobre o Mercosul.


“Todos vimos a truculência contra o canal a cabo de TV do grupo Clarín, na Argentina. A camarilha, liderada por Cristina Kirchner, está disposta a quebrar a espinha da imprensa e conta, para isso, com setores do Judiciário, da polícia e, como sempre acontece nesses casos, do empresariado.”

 

Isso de “camarilha” e “espinhas quebradas” não é nada mais do que a já bem conhecida manipulação e tergiversação grosseira dos fatos realizada pelos empregados do PIG. Tantos os de lá como os daqui. O que ocorre é que existe um processo judicial contra um canal a cabo de TV do grupo Clarín. Esse processo é movido por uma empresa regional de TV a cabo que acusa o grupo Clarín de concorrência desleal, oferta de preços predatórios e demais procedimentos que desrespeitam a constituição do país. A invasão só ocorreu porque quando os oficiais de Justiça chegaram à sede da empresa para iniciar a intervenção foram impedidos de entrar. Então, pediram apoio para cumprir sua missão, e o tribunal ordenou a ação policial.

“Muitos oportunistas se aproveitam para obter benefícios que não seriam concedidos por um regime democrático pautado pela transparência. No Brasil, setores da esquerda e aquela corja de ex-jornalistas financiada pelo governo federal e por estatais aplaudiram a truculência da “Beiçola de Buenos Aires” — o outro ídolo da súcia é o “Beiçola de Caracas”.

O que não está pautado pela transparência é o parágrafo acima. Parece que o objetivo foi somente fazer acusações fáceis e beiçolas com um pseudo-humor à la Zorra Total. Que truculência foi cometida pela presidente da Argentina? Repito, a entrada de força policial na sede da Cablevisión decorreu de uma ordem judicial, e não de uma ordem de Cristina Kirchner, e é parte das ações de um processo judicial que nem sequer é movido pelo governo argentino e muito menos por Cristina Kirchner. Outro ponto, concretamente, quais “setores da esquerda” são financiados pelo governo e estatais? Especificamente, quais são os nomes e sobrenomes dos ex-jornalistas que seriam financiados pelo governo e estatais?
“O mais impressionante é que Cristina nem se encontrava em solo argentino. Estava em Montevidéu para participar de uma reunião do Mercosul, em companhia dos presidente do Uruguai, Paraguai, Venezuela e Brasil. Sim, Dilma Rousseff entre eles.”

Dilma Rousseff entre eles?! Como diabos ela pode ter sido capaz de participar de uma reunião do Mercosul com presidentes de países membros do Mercosul?! Terrível essa Dilma, terrível!

“O dia da operação contra o grupo Clarín foi escolhido a dedo. A presidente da Argentina quis transformar os demais líderes em cúmplices de sua investida.”

O grande mistério é: de que preciosa fonte do saber brotou essa surpreendente (pseudo) teoria de conspiração? De El Clarín?

“A propósito: a Venezuela ainda não é membro efetivo do Mercosul, e o grupo decidiu estudar meios de acelerar seu ingresso. Isso só é possível com a concordância unânime dos países, mas a decisão de cada um precisa ser referendada pelos respectivos Parlamentos. O Senado paraguaio, até agora, rejeita a Venezuela porque considera que o país transgride a cláusula democrática — o que é uma verdade absoluta.”

Verdade absoluta?! Um passarinho me contou que é sempre bom desconfiar desse treco aí. Antes de tudo, é preciso ressaltar que há mais de cinco anos a Venezuela adotou o marco legal, político e comercial do Mercosul e desde então, assim como Peru, Chile, Colômbia, Bolívia e Equador, a Venezuela é um membro associado do Mercosul e, como tal, participa de reuniões do Mercosul e é signatário de acordos sobre matérias comuns.

Para que a Venezuela passe de estado associado a “estado parte” do Mersosul é preciso a aprovação dos congressos dos países que já estão nesse grupo, a saber, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa vitória, que é  política e nada tem a ver com a alardeada “verdade absoluta”, depende de subjetivismos e ideologias dos membros dos congressos daqueles países. No Brasil, a oposição votou contra o ingresso da Venezuela na categoria de estado parte do Mercosul, mas como era minoria, perdeu. O mesmo ocorreu nos congressos da Argentina e do Uruguai. No congresso do Paraguai ocorre o oposto, a maioria é conservadora e tende à direita e, por isso, e só por isso, a Venezuela ainda não é um dos estados partes do Mercosul.

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