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Roland Barthes – O Prazer do Texto

Posted in Literatura by leonardomeimes on 24/01/2012

O prazer do texto é semelhante a esse instante insustentável, impossível, puramente romanesco, que o libertino degusta ao término de uma maquinação ousada, mandando cortar a corda que o suspende, no momento em que goza.

O autor está morto: sua pessoa civil, passional, biográfica, desaparecey, já não exerce sobre sua obra a formidável paternidade que a história literária, o ensino, a opinião tinham o encargo de estabelecer e de renovar a narrativa: mas no texto, de uma certa maneira, eu desejo o autor: tenho necessidade de sua figura (que não é nem sua representação nem sua projeção), tal como ele tem necessidade da minha (salvo no “tagarelar”).

Por tagarelar entendam aquelas obras que visam apenas o prazer básico de se chegar ao fim do livro e conhecer toda a história… particularmente obras de literatura de entretenimento que não propiciam aquela fruição de um grande livro, escrito por alguém que não tagarela, mas sim desenlaça a bel prazer seu texto.

A forma bastarda da cultura de massa é a repetição vergonhosa: repetem-se os conteúdos, os esquemas ideológicos, a obliteração das contradições, mas variam-se as formas superficiais: há sempre livros, emissões, filmes novos, ocorrências diversas, mas é sempre o mesmo sentido.

A luta social não pode reduzir-se à luta de duas ideologias rivais: é a subversão de toda ideologia que está em causa.

O estereótipo é um fato político, a figura principal da ideologia.

A configuração atual das forças: de um lado, um achatamento de massa (ligado à repetição da linguagem) – achatamento fora-de-fruição, mas não forçosamente fora-de-prazer – e de outro, um arrebatamento (marginal. excêntrico, não imoral por não pressupor nada) rumo ao novo – arrebatamento desvairado que poderá ir até a destruição do discurso: tentativa para fazer ressurgir históricamente a fruição recalcada sob o estereótipo.

Talvez não retorne o sujeito, não como ilusão, mas como ficção. Um certo prazer é tirado de uma maneira da pessoa se imaginar como indivíduo, de inventar uma última ficção, das mais raras: o fictício da identidade. Essa ficção não é mais ilusão de uma unidade; é ao contrário o teatro de sociedade onde fazemos comparecer nosso plural: nosso prazer é individual – mas não pessoal.

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