Moscas Mortas Revolution – Página Inicial

Snow sobre a ciência…

Posted in Literatura by leonardomeimes on 21/10/2011

– Você acredita na missão da humanidade, não acredita, Kelvin? Está a pôr-me fora? Você também? Você não faz a barba e põe-me fora? E que me diz dos meus avisos, dos meus conselhos? Colegas interestrelares devem ajudar-se uns aos outros! Ouça Kelvin, vamos lá em baixo, abrimos as comportar e chamamos. Talvez nos ouça. Mas qual é o nome dele (se referindo ao Oceano de Solaris)? Demos nomes a todas as estrelas e planetas, embora talvez já tivessem os seus próprios nomes. Que descaramento! Venha, vamos lá em baixo. Vamos gritar-lhe  uma tal descrição da peça que nos pregou que talvez se comova. Fará para nós simetríades de prata, orará em forma de cálculos, enviar-nos-á os seus anjos ensanguentados. Partilhará os nossos problemas e terrores e pedir-nos-á que que o ajudemos a morrer. Já nos está a implorar-nos que o ajudemos a morrer. Você não está a achar graça… mas já sabe que eu sou um brincalhão. Se as pessoas tivessem mais sentido de humor, talvez as coisas tivessem corrido de modo diferente. Sabe o que ele quer fazer? Quer castigar o Oceano, ouvi-lo gritar do topo de todas as suas montanhas ao mesmo tempo Se pensa que ele nunca terá a coragem de apresentar o seu plano àquele punhado de velhos tremelicantes que nos mandaram para aqui para nos redimirmos de pecados que não cometemos, tem razão, ele tem medo. Mas tem medo apenas do pequeno chapéu, não ousa, Fausto não.

Quem é responsável? Que é responsável por esta situação? Gibarian? Giese? Einstein? Platão? Todos criminosos… Repare, num foguetão uma pessoa corre o risco de rebentar como um balão, de congelar ou assar ou de cuspir todo seu sangue numa única golfada, antes mesmo de poder gritar e tudo o que sobra são bocadinhos de osso a flutuar dentro de cascos blindados, de acordo com as leis de Newton, corrigidas por Einstein, dois marcos milenários do nosso progresso… Seguimos pela estrada fora, cheios de fé e vemos onde nos conduz. Pense no nosso sucesso, Kelvin; pense nas nossas cabinas, nos pratos inquebráveis, nas pias imortais, legiões de fiéis quada-roupas, dedicados armários… Se não tivesse bêbado, não estaria a falar desta maneira, mas mais cedo ou mais tarde alguém tinha de dizer essas coisas, não é? Você fica aí sentado como um cordeiro num matadouro e deixa a barba crescer… De quem é a culpa? Descubra-o você mesmo.

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