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A Charada do Discurso sobre Israel e Palestina

Posted in Política by leonardomeimes on 14/02/2011

(The Charade of Israeli-Palestinian Talks)

Noam Chomsky

truthout, December 6, 2011

O pedido de Washington para Israel implorando por um congelamento de três meses na expansão da ocupação – excluindo a Jerusalém Oriental – deveria ser considerado um dos momentos mais humilhantes na história diplomática dos EUA.
Em setembro o último congelamento de ocupação acabou, levando os Palestinos a encerrar a diplomacia com Israel. Agora a administração de Obama, desesperada em busca de mais um congelamento para que a diplomacia continue, está se apoiando em uma corda bamba – e enchendo de presentes o governo de extrema-direita Israelense.

Os presentes incluem $3 bilhões para compra de caças de guerra. A doação, por coincidência, é mais uma garantia para a indústria armamentista americana que ganha dobrado por programas de expansão da militarização do Oriente Médio.

Os produtores de armas americanos são subsidiados não apenas para desenvolver e produzir equipamentos avançados para um estado que é praticamente parte da inteligência militar americana, mas também para dar equipamentos de segunda linha para os estados do Golfo – no momento a venda nunca antes vista de $60 bilhões de armas para a Arábia Saudita, que é uma transação que também recicla petrodollars para uma economia americana doente.
As indústrias civis de alta tecnologia americanas e israelenses são muito próximas. É fácil de saber porque os apoios mais fervorosos às ações de Israel vem da imprensa comercial e do Partido Republicano, o mais extremo dos dois partidos políticos-empresariais. O pretexto para uma grande venda de armas para a Arábia Saudita é a defesa contra a “Ameaça Iraniana”. No entanto, a ameaça Iraniana não é militar, como o Pentágono e a Inteligência americana enfatizam. Se o Irã desenvolver a capacidade de utilizar armas nucleares, o propósito seria dissuasivo – presumidamente para impedir um ataque de Israel e dos EUA.

A verdadeira ameaça, na visão de Washington, é que o Irã esteja buscando a expansão de sua influência sobre os países vizinhos “estabilizados” pelas invasões e ocupações americanas.

O discurso oficial é de que o povo árabe está pedindo aos EUA a ajuda para se defender do Irã. Verdadeiro ou falso, a alegação dá uma visão interessante do conceito de democracia vigente. Desconsiderando o lado que os ditadores prefiram, os árabes em uma pesquisa da Brookings sobre as maiores ameaças à região classificaram Israel (88%), EUA (77%) e o Iran (10%), respectivamente, como as maiores ameaças.

É interessante que os oficiais americanos, como revelado pela Wikileaks, ignoraram totalmente a opinião pública árabe, mantendo se fiéis às visões dos ditadores.

Os presentes americanos Israel incluem apoios diplomáticos, d acordo com os relatórios atuais. Washington consegue vetar qualquer ação do Conselho de Segurança da ONU que possa perturbar os líderes israelenses e negar qualquer pedido de mais congelamentos nos assentamentos.

Assim, concordando com pausa de três meses, Israel não será mais perturbado pelo seu Lorde Feudal enquanto expande suas ações criminosas nos territórios ocupados.

Que essas ações são criminosas não se tem dúvida desde o fim de 1967, quando a autoridade legal de Israel, o jurista internacional Theodor Meron, aconselhou o governo dizendo que seus planos para iniciar os assentamentos nos territórios ocupados violavam a Quarta Convenção de Genebra, um dos princípios fundamentais da lei internacional humanitária, estabelecida em 1949 para criminalizar os horrores do regime Nazista.

A conclusão de Meron foi endossada pelo Ministro da Justiça Ya’akov Shimson Shapira, e pouco depois pelo Ministro da Defesa Moshe Dayan, escreveu o historiador Gershom Gorenberg no “The Accidental Empire”.
Dayan informou a seus amigos ministros, “Nós devemos consolidar nossa posição para que com o tempo tenhamos sucesso na “digestão” da Judéia e de Samaria (Cisjordânia – West Bank) e anexá-las à “pequena” Israel, enquanto “desmembramos a continuidade territorial” da Cisjordânia (West Bank), tudo coma pretensão comum de que ‘esse passo seja necessário por propósitos militares”.

Dayan não tinha dúvidas, ou confusões, sobre o que ele estava recomendando: “assentando israelenses em territórios ocupados é uma contravenção, como se sabe, nas convenções internacionais”, ele observou, ‘mas não há nada de novo nisso”.

A suposição correta de Dayan era que o chefão em Washington poderia se contrapor formalmente, mas, num piscar de olhos, continuaria a dar o suporte diplomático e econômico para as investidas criminosas.

A criminalidade das ações tem sido enfatizada por várias resoluções do conselho de segurança, mais recentemente pela Corte Internacional de Justiça, com o acordo básico do jurista americano Thomas Buergenthal em uma declaração separada. As ações de Israel também violam as resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre Jerusalém, mas tudo está bem enquanto Washington pisca…

Já em Washington, os supercorvos Reublicanos estão ainda mais fervorosos em seu apoio aos crimes Israelenses. Eric Cantor, o novo líder da maioria na Casa dos Representantes, “criou uma nova solução para manter a ajuda a Israel dos atuais cortes de ajudar externas”, relata Glenn Kessler do Washington Post: “dando ao estado judeu sua própria conta financeira, removendo-o dos fundos que são destinados ao resto do mundo”.

A questão da expansão dos assentamentos é simplesmente uma distração. O real problema é a existência de assentamentos e de desenvolvimento de infraestrutura relacionada a eles. Esses foram cuidadosamente desenvolvidos para que Israel já tenha tomado mais de 40% do território ocupado, incluindo subúrbios de Jerusalém e Tel Aviv; toda terra arável e as principais fontes de água da região, tudo que está atualmente do lado Israelense do muro – na realidade um muro de anexação.

Desde 1967, Israel conseguiu expandir suas fronteiras vastamente além de Jerusalém violando as ordens do Conselho de Segurança e ignorando toda a crítica internacional (incluindo a dos EUA, pelo menos formalmente).

O foco na expansão dos assentamentos e na humilhação de Washington, não são apenas elementos comuns das atuais negociações. Sua estrutura é uma charada. Os EUA são retratados como um “estado honesto” que busca a mediação entre dois adversários em guerra, enquanto as negociações de verdade seriam conduzidas por alguém neutro, com os EUA e Israel em um lado e o mundo no outro.

Não é segredo para ninguém que por 35 anos os EUA e Israel combateram literalmente sozinhos contra qualquer consenso de solução política que o mundo tente, incluindo os estados árabes, a Organization of the Islamic Conference (incluindo o Irã), e todos as outras partes relevantes.

Com pequenas divergências, os dois estados rejeitosos preferem uma expansão ilegal do que a segurança. A não ser que Washington mude sua posição, um acordo é impossível e a expansão, com suas reverberações pela região e pelo mundo continua.

 

Tradução: Leonardo Meimes

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