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DA TERRA AO CAOS (pt. 2)

Posted in Literatura by leonardomeimes on 22/09/2010

Em um encontro mais do que desnecessário Mica rogou ao piedoso Balé que fosse junto dele pedir a Deus que fosse permitida a cria, que Balé explicasse ao onipotente que não tinha planos de ter filhos e que não podia dessa forma o seu destino estar entrelaçado ao do irmão ou o mais velho nunca teria seu desejo satisfeito. Improvisaram um altar, com fogo e ervas essenciais, que espalharam um cheiro que qualquer um cederia. Balé procurou o bezerro mais bonito dentre suas criações, pediu-lhe encarecidamente que participasse do sacrifício e não sendo respondido pelo animal julgou que tudo ia bem. Mica recolheu mais frutas e verdes diversos do que antes e produziu um belo arranjo para a oferenda. Ao amanhecer eles começaram a oferenda e o sacrifício, chamando Deus que lhes ouvisse. Mais uma vez Deus disse que a intenção era boa, porém o destino dos dois estava mais entrelaçado do que o de qualquer dos outros irmãos e que fruto de tal destino haveria de se cumprir para que o mundo fosse completo. Mica enraivecido outra vez perguntou a Deus de punhos cerrados e num suplicante gorgolejo se havia meio de sua vontade ser atendida de alguma forma. Deus lhe disse que só com o maior ato de amor e devoção à sua pessoa o destino poderia ser cumprido.

Mica olhou ara seu irmão ali ao seu lado ajoelhado, e bradou a Deus, “Ó Deus, lhe ofereço a vida de meu irmão e cometo uma grande ofensa para provar que faço tudo por minha vontade”. Agarrou Balé pelos ombros e desferiu mortal golpe em seu irmão. Balé ali jazia e a voz de Deus não foi mais ouvida por Mica.

Mica explicou aos outros irmãos que Balé havia se sacrificado para que Deus lhe concedesse a graça da prole e que em nove meses nasceria a criança. Porém tais meses foram de incrível solidão para Mica, que não tinha coragem de olhar para o rosto dos irmãos e já tinha perdido a vontade de plantar e colher, aderindo ao hábito de andar só à noite, hábito que antes lhe causava repulsa, mas agora era muito reconfortante. Sua mulher foi cada vez mais apresentando os sinais da gravidez. Em três meses já tinha uma barriga e mal podia se mover. Fatos estranhos tomaram vez. Havia uma espécie de pássaros que ajudava os homens no laboro com a terra, plantando e espalhando sementes, esses já não eram mais vistos, assim como mais cinco outras espécies, incluindo roedores, peixes e miúdos. No sexto mês as pragas começaram e atacaram as lavouras, uma em cada mês que a criança crescia. Ao término dos nove meses, o irmão poeta já havia cantado as seis tragédias ali ocorridas, em lindas métricas por ele inventadas.

A criança nasceu em uma caverna, onde Mica decidira se instalar. O leito era de pedra sem nada para confortar o bebê. A esposa não teve coragem de chamar os outros irmãos para ver sua criança. Era um menino, de bom peso e boa aparência, porém estavam com dúvidas na escolha do nome. A criança depois de horas sem um nome começou a chorar. De grande altura foi o choro e os animais notaram que uma nova vida havia surgido, curiosos vieram visitar…

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