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Profeta Gentileza

Posted in cidadania, Educação, História by RogBriNas on 01/10/2009

Respeitável Público, o Grande Circo Norte-Americano tem o prazer de apresentar à vocês…

Assim começa o espetáculo, e assim começou a nova fase da vida de José da Trino, um paulista que vivia no Rio de Janeiro, empresário de transporte de cargas em Guadalupe.

Como José, muitos eram os freqüentadores daquele circo em 1961, na cidade de Niterói. A platéia chegou a 2.500 pessoas, e o dono do circo declarou por encerrada a venda de ingressos, muitos foram os que ficaram de fora, das pessoas que estavam de baixo da lona a maioria era criança, só entrava no circo quem tinha dinheiro pra pagar, por isso, os freqüentadores eram os filhos de quem tinha dinheiro. O circo contava com o trabalho de cerca de 60 artistas, 20 empregados e 150 animais. Faltando cerca de 20 minutos pra terminar o espetáculo, o trapezista percebeu o incêndio criminoso provocado por um empregado demitido durante a montagem da estrutura do circo, a lona que deveria ser de náilon, era na verdade de um tecido altamente inflamável.

Cinco minutos depois toda a lona do circo estava pegando fogo,

 Mais de 300 pessoas morreram por causa do acidente,

 Cerca de 70% das mortes foi de crianças,

 A data era 17 de dezembro, praticamente Natal.

  

 José da Trino assistiu ao espetáculo, e conseqüentemente ao incêndio. As cenas presenciadas por ele foram muito fortes, mas, foram também um chamado. José ouviu essa voz o chamando e largou tudo, se tornando um profeta. Não um profeta com desejos materiais, mas como Amós ou Oséias.

Ele passou os quatro anos seguintes ao incêndio morando no terreno do circo onde plantou um jardim e uma horta sobre suas cinzas. Ali, ele também consolava os parentes das vítimas de 61. O local ficou conhecido como “Paraíso Gentileza”. Sua família quis o internar, pois estava gastando com os outros todo o seu patrimônio. Ele passou a usar uma bata branca e um estandarte com palavras de Gentileza.

Em certa ocasião, encheu duas pipas de cem litros de vinho e distribuiu em pequenos copos perto da saída da barca Rio-Niterói, dizia: “Quem quiser tomar vinho não precisa pagar nada, é só pedir por gentileza, é só dizer agradecido”.

O Profeta Gentileza, como ficou conhecido, passou a andar pelas ruas do centro do Rio de Janeiro distribuindo flores e gentilezas, pregando o amor e o respeito.

Na década de 80 passou a desenhar inscrições em verde e amarelo em 55 pilastras no Caju, o conteúdo era baseado em suas palavras: “Deus-Pai é Gentileza que gerou o Filho por Gentileza. Por isso, Gentileza gera Gentileza”. O local era estratégico, pois, é até hoje passagem de quem atravessa a Avenida Brasil em direção à Rodoviária.

Porém, suas palavras nas pilastras sofreram com o efeito do tempo e de pichadores, enquanto o Profeta era vivo restaurava sua arte, em 1996 ele faleceu e sua obra ficou sem cuidados. Em 1997, a Companhia de Limpeza Urbana da cidade cobriu com tinta cinza quase todos os escritos do profeta.

 A sociedade NÃO gostou.

Por sorte, a tinta era à base de cal, e descobriu parte dos escritos na época de chuvas. Admiradores do Profeta viram e lançaram um grande protesto cobrindo os escritos de 15 pilastras com plástico preto, era o projeto Rio com Gentileza, foi o suficiente para chamar a atenção da sociedade e começar a restauração do que foi coberto de cinza.  No ano 2000, os escritos se tornaram Patrimônio Cultural.

Vídeo Relacionado:

Um louco ou um profeta? As pessoas que viram e se lembram dele, o chamam de amigo, o Profeta nos deixou em 96 quando já tinha 79 anos e nos deixou um legado que vai de encontro com o que o mundo nos prega:

“A natureza não vende terra,
a natureza não cobra pra dar alimentação para nós.
Esse dia lindo,
essa luz que está em cima de nós, a nossa vida,
ou seja, vem do mundo, é de graça,
é Deus nosso Pai que dá.
Agora o capeta do homem que é o capitalismo, é que vende tudo, destrói tudo,
destruindo a própria humanidade.

Capeta vem de origem capital.
É o vil metal
Faz o diabo, demônio marginal.
Por esse motivo, a humanidade vive mal.
Mal de situação,
mau de maldade,
porque o capitalismo é falsidade,
o pranto de toda a maldade,
raiz de toda a perversidade do mundo.
É o dinheiro.

O dinheiro destrói a mente da humanidade.
O dinheiro coloca a humanidade surdo.
O dinheiro destrói o amor.
O dinheiro cega.
O dinheiro mata.

Todo dia você lê jornal, ouve rádio,
televisão, só vê barbaridade:
é crime, é assalto, é seqüestro, é vício, nudez, devassidão, fome e guerra.
Vai ver qual é a causa:
capitalismo.

 

2 Respostas

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  1. RogBriNas said, on 01/10/2009 at 14:34

    História que eu vi e vivi.

    Tudo o que a gente passa é história, tudo.

    • leonardomeimes said, on 01/10/2009 at 15:53

      História… hahahahahah =D bomter vc postando de novo!


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