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Voltaire e a Literatura Policial (Parte 1)

Posted in Educação, Literatura, Uncategorized by leonardomeimes on 28/07/2009

Pessoal, vou começar a postar uma série de partes do que foi um artigo apresentado por mim em um Fórum de Letras há alguns anos.  O artigo relaciona a literatura polícial com a influência dos contos filosóficos de Voltaire, particularmente o conto Zadig ou destino. Assim creio que tanto os que se interessam pela Literatura quanto os que gostam de Filosofia se sentirão avontade.

A primeira parte já está aqui:

VOLTAIRE E A LITERATURA POLICIAL


 

Sherlock Homes

Sherlock Holmes

Em se tratando de Romance Policial o personagem mais importante da narração é sem dúvida o detetive, que é colocado frente a uma situação crime e tem que resolvê-la. No entanto, conforme o modelo predominante nesta literatura, a ação deste personagem é dedutiva e investigativa, caracterizando-se como uma ação policial extremamente intelectual. A dedução usada é uma descendente direta dos silogismos da lógica clássica de Aristóteles, é uma conclusão baseada em informações anteriores que tem uma relação entre si, portanto parte de uma informação universal para uma conclusão particular:

 

“Todo homem é mortal.

Sócrates é homem.

Logo,  Sócrates é mortal.”

Pela relação entre os sujeitos das premissas se faz a conclusão lógica de que Sócrates é mortal. O mesmo raciocínio de ligação entre os fatos é produzido pelos detetives dos romances policiais que, como cita Muniz Sodré (1985:29), fazem “a atividade de preenchimento do vazio entre um acontecimento (o crime) e sua causa”. Um exemplo deste trabalho de solução de enigmas pode ser visto nos contos policiais de Edgar Allan Poe (1809-1849), importante autor estadunidense que foi um dos principais autores da literatura policial e criou regras definitivas para esta literatura.

Aristóteles  (384 a.C. - 322 a.C.)

Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.)

No conto A Carta Roubada, o detetive C. Auguste Dupin, criado por Allan Poe, parte da análise dos elementos que o chefe de polícia lhe conta para deduzir que a carta estava em um lugar à vista de todos, pois assim não levantaria suspeitas e acaba por recuperar o documento. A análise também é um elemento importante da ficção policial, pois as informações muitas vezes não são apresentadas claramente, sendo necessária uma observação cuidadosa de pistas e locais onde os crimes ocorreram. A partir dessas pistas o detetive constrói um raciocínio lógico dedutivo, ligando as pistas entre si e gerando possíveis soluções. Em outras histórias do mesmo autor, o personagem Dupin resolve outras situações crime sempre seguindo pistas e raciocínios, porém antes que Edgar Allan Poe criasse suas histórias policiais, já existiam personagens na literatura que tinham características que depois se tornaram parte do estereótipo de detetive.

Fim da Parte 1 – Em dois dias posto mais uma =D

Leonardo Meimes

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