Moscas Mortas Revolution – Página Inicial

Marco Polo

Posted in História, Literatura by RogBriNas on 07/07/2009

Dentre os jovens de hoje poucos sabem quem foi Marco Polo, não se fala sobre ele nas escolas e não se importam com sua personalidade nos livros de história, Mas, eu ouso compará-lo a um GPS medieval, isso por que ele escreveu um livro contando os lugares onde esteve e narrando as cidades e aldeias por onde passou na Ásia. Durante alguns séculos esse livro foi utilizado pelos viajantes para se localizar no continente.

Marco Polo nasceu em 1254 na República de Veneza, é isso mesmo, Veneza era uma república naquela época, uma república diferente da nossa, mas era assim até que Napoleão a invadiu em 1797. Ele foi mercador, embaixador e explorador. “Tinha 15 anos, quando o pai Nicolau e o tio Mateus regressaram de uma viagem ao Oriente. Dois anos mais tarde, em 1271, os irmãos Polo tornaram a partir de Veneza, levando junto o jovem Marco. Em maio de 1275, chegaram à corte do imperador Mongol, Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, e cujo império abrangia terras hoje da Rússia, da China, da Índia e muito mais. Depois de um périplo que incluiu a costa africana, a antiga Pérsia e as estepes siberianas, a família Polo chegou de volta à Veneza, em 1295.”

Três anos depois, Marco foi feito prisioneiro numa batalha naval entre as esquadras rivais de Veneza e Gênova. Levado para solo genovês, ali permaneceu entre 1298 e 1299 em cativeiro que se encerrou quando foi selada a paz entre as duas cidades. Não se sabe o ano exato de sua morte, mas deixou um testamento datado de janeiro de 1324 para mulher e três filhos. Acredita-se que tenha falecido pouco depois, talvez em 1325.”

Inteligente e bom observador, em pouco tempo na corte mongol, na antiga Cambalu (Pequim, hoje Beijing), o jovem Marco tornou-se o embaixador predileto de Kublai Khan. Enquanto outros emissários preocupavam-se apenas em obter respostas às perguntas do Grã-Cã, Marco Polo ia além, e contava também sobre as gentes, os recursos naturais e os costumes encontrados nas terras visitadas. Por esse motivo, suas narrativas eram muito apreciadas pelo imperador.”

O texto entre aspas é a cópia na íntegra do livro “Il Milione” em português “As viagens de Marco Polo”, encontrado em http://books.google.com.br/books?id=qgDeisOufpYC&dq=nicolau+polo&source=gbs_navlinks_s

Eu li esse livro pela primeira vez alguns anos depois de ter lido “O Senhor dos Anéis”. O choque cultural foi imenso, J. R. Tolkien descreve paisagens que nem ao menos existe com precisão cinematográfica, enquanto Marco Polo dava uma idéia de lugares, como as paisagens se repetem no livro ele chega a descrever alguns dos lugares em umas poucas linhas. “Quando se parte de Pauchin, segue-se uma jornada para sudeste, até uma cidade muito grande, que se chama Cauiu, em tudo semelhante às outras de que falei acima, salvo que tem mais belos pássaros: aqui por um viziniano de prata, compram-se três faisões. Vou agora falar de uma outra que se chama Tingiu.” Página: 252.

Quanto à estadia de Marco na prisão Genovesa, foi lá que ele ditou suas aventuras ao prisioneiro chamado Rusticiano de Pisa, em 1315 o livro foi traduzido pro latim pelo frei Francisco Pipino, em 1485 foi impresso pela primeira vez e em 1502 foi traduzido pro português.

Apesar de escrever pouco sobre algumas cidades, existem alguns relatos interessantes e mais bem produzidos que chamam mais atenção do leitor. Imagino que os relatos verbais ao Grã-Cã sejam mais ou menos assim. O texto que mais me chamou a atenção foi o do Velho da Montanha.

Milice é a região onde antigamente morava o Velho da Montanha (Velho quer dizer chefe supremo e esse posto era passado de pai pra filho). Seu nome em árabe quer dizer Alaudim. Vamos agora contar a sua história, do modo como o senhor Marco ouviu de diversas pessoas.”

Alaudim havia mandado construir num vale, entre duas montanhas, o maior e mais belo jardim do mundo: ali se encontravam muitos frutos, animais e pássaros, e também os mais suntuosos palácios, todos pintados a ouro. Havia também três fontes canalizadas: por uma corria água, por outra mel e por outra, vinho. Naquele lugar, viviam alguns jovens, rapazes e moças, todos formosos e os que melhor sabiam cantar e dançar. O velho fazia-lhes crer que estavam no Paraíso. Maomé havia dito que quem fosse pra lá encontraria rios de leite e de mel e de vinho e ainda teria belas mulheres, tantas quantas quisesse. Por isso, os sarracenos daquela região, acreditavam que o céu de fato era ali.”

Mas, na verdade, só entravam neste jardim aqueles que o Velho queria usar como assassinos. Logo na entrada, havia um castelo tão fortificado que nenhum homem do mundo seria capaz de assaltá-lo. O Velho tinha em sua corte jovens de 12 anos com aparência que iam se tornar homens fortes. Ele os fazia entrar em seu jardim, em grupos de quatro, dez e até vinte, dava-lhes ópio pra beber e eles dormiam por uns três dias; depois eram levados até o jardim até despertar. Quando acordavam e se viam no meio de todas aquelas coisas, acreditavam sem dúvida que estavam no Paraíso. As moças lhes faziam companhia, com muitos cantos e grandes divertimentos; e assim, como tinham tudo que queriam, por vontade própria, nunca sairiam de lá.”

A corte do Velho era bela e rica, o que fazia os moradores daquela montanha acreditarem que era assim como se acabou de contar. Quando queria dar a algum desses jovens uma missão, fazia com que eles tomassem uma bebida para dormir e, então, colocava-os fora do jardim. Quando despertavam ficavam muito tristes. Imediatamente iam ter com o Velho, julgando que ele era um grande profeta e punham-se de joelhos. A cada um, ele perguntava: “Donde vens?” Eles respondiam: “Do Paraíso”, e contavam-lhe aquilo que viram lá dentro, mostrando-lhe ainda muita vontade de voltar àquele lugar.”

Acontecia que, quando o Velho queria matar algum desafeto, mandava buscar o jovem mais forte dos que ali estavam e, desse modo, podia matar a quem quisesse; os rapazes faziam isso de boa vontade: se escapavam, voltavam ao palácio de seu senhor; se eram presos, queriam morrer, pensando que estavam de volta ao Paraíso. Desta forma, nenhum homem escapava ao Velho da Montanha e posso dizer que, por medo, vários reis pagavam-lhe tributo.”

É verdade que, no ano de 1277, Alau, senhor dos Tástaros do Levante (Oeste), sabendo de todas essas perversidades, resolveu acabar com ele, mandando alguns de seus barões. O cerco ao castelo levou três anos e nem teriam conseguido tomá-lo, se não fosse terem cortado a chegada de toda a forma de alimento. De fome, morreu o Velho e toda a sua gente; e depois não houve nenhum outro Velho, assim terminando a senhoria.”

O texto sem aspas é de Rogerio Brigido, o “RogBriNas”. Essas aspas são minhas também. 😀

Anúncios
Tagged with: , ,

4 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. leonardomeimes said, on 07/07/2009 at 09:37

    Como devia ser bom viajar pelos lugares assim =D

    Gostaria de saber muito como era a vida na Idade Média, na Pérsia e principalmente no oriente (japão).

  2. leonardomeimes said, on 07/07/2009 at 11:31

    Só para constar… O Rog (Velhinho da Montanha) tá detonando com esses posts de história…

  3. RogBriNas said, on 07/07/2009 at 11:59

    Tu gostou foi do nosso papo do Velho da Montanha ser um pervertido!!

    HAUHAUHAUHAU

  4. leonardomeimes said, on 07/07/2009 at 13:20

    ahahahhah


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: