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Língua: Vidas em Português

Posted in Cinema, Educação by leonardomeimes on 29/06/2009

A língua portuguesa é  língua materna em vários lugares do mundo, lugares como Brasil, Portugal, Goa (Índia), Moçambique, Angola, Guiné Bissau, Macau (china) e Japão garantem a língua portuguesa uma variedade de culturas e de realidades políticas, sociais, que influem na língua a seu modo. A 7º língua mais falada no mundo une essas pessoas, de realidades tão distantes geograficamente, pelo fato de usarem a mesma língua: O português.

O filme “Língua: Vidas em Português” trata exatamente desta pluralidade de culturas que usam a língua portuguesa, fazendo uma análise do ponto de vista dos próprios falantes. Estes falantes também cada um a seu modo representam sua língua e sua situação social, ideológica e cultural nos diversos locais que são mostrados.mudancasnalinguaportuguesa

Usando de argumentos tanto de autoridades como Jose Saramago, João Ubaldo Ribeiro e Mia Couto e também de representantes das classes mais diversas como o vendedor ambulante de São Paulo, o morador do Grande Hotel (prédio abandonado) em Goa (Índia) e o casal de jovens em Portugal o filme traça uma visão geral das situações em que o português é usado. Portando a afirmação de Jose Saramago “Não há uma língua portuguesa, há línguas em português”, ou o titulo “Língua: Vidas em Português” podem facilmente ser tomados como idéia central do documentário.

Permeado por uma visão ausente de preconceitos e julgamentos o documentário nos mostra que cada variação do português é útil nas situações em que são confrontadas, nos mostrando que não existe uma variante “certa” ou “errada” e que nem se pode julgar uma variante, por exemplo a européia, como a mais importante. Todas a seu modo tem uma vivacidade única que tem de ser levada em consideração. Algumas que por terem mais influencias de outras culturas e até de outras línguas, como o português brasileiro que foi influenciado pelas línguas africanas, se distanciam mais da variante européia.

Mas esse distanciamento não pode ser tomado como um rumo errado, pois é como João Ubaldo Ribeiro diz “se não houvesse mudança na língua estaríamos todos falando Latim”. Toda a linguagem humana passou de um estado primitivo e pouco a pouco se tornou um sistema extremamente complexo e as línguas estão sempre em constante modificação, de acordo com o que a realidade do falante exige, então ela é sempre adequada ao momento. Jose Saramago diz quase que como uma oposição a esta idéia que estamos caminhando para uma simplificação da linguagem, inversa a este processo, que pode ser verificada na quantidade muito menor de vocábulos que estão sendo usados. Neste ponto falta no filme uma opinião filológica de um lingüista, que poderia alem deste aspecto nos dar mais informações sobre as diferenças de léxico, sintaxe e pronuncia que são evidenciadas nos depoimentos dos diferentes “personagens”.

lingua_portuguesaEm cada um dos lugares mostrados a língua tem que se confrontar com a realidade, em Goa (Índia) o padeiro Rosário Macário além de falar o português fala mais três línguas, o Indi, o Arabic e o Inglês, línguas que em seu país são faladas. Aqui no Brasil apesar de não sermos multilíngües o linguajar do cantor Martinho da Vila, o do escritor João Ubaldo Ribeiro e o do vendedor ambulante e pastor evangélico do Rio de Janeiro são muito diferentes. Portanto dentro de um mesmo país a língua é usada de diferentes maneiras, isto é são diferentes dialetos.

A noção de dialetos e variedades também é mostrada no documentário, não explicitamente, mas pode ser observada na fala dos “personagens”. A língua falada em todo o documentário é o português, apesar das diferenças, não se pode dizer que o português do Brasil seja uma língua diferente do falado em Portugal ou em Macau. Sua sintaxe, seu léxico e pronuncia podem variar pelas influencias que cada realidade exerce, mas são a mesma língua. No Brasil “filho que ficou maior que o pai Portugal”, como Mia Couto diz, a língua tem se transformado com muito mais intensidade, devido às extensões territoriais e as varias influências que recebemos, “uma pluralidade de culturas e subculturas” de acordo com João Ubaldo Ribeiro.

Apesar de toda a diversidade, das diferenças geográficas, sociais e culturais que separam os falantes o filme celebra exatamente o que une todos eles, a língua portuguesa, que é usada por todas essas pessoas e se molda a essas diversidades. Não podemos pensar a língua portuguesa como uma entidade homogênea, mas sim uma base que é usada por 200 milhões de pessoas, o que faz dela uma das mais belas e fascinantes línguas existentes.

Leonardo Meimes

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6 Respostas

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  1. RogBriNas said, on 30/06/2009 at 10:30

    Esse tema foi muito bem tocado, Léo. Gostaria de lembrar àqueles que moram em São Paulo, ou que visitam a cidade, sobre um museu chamado: Museu da Língua Portuguesa. Esse museu é razoavelmente novo, dá um show de língua. Praticamente todos os ambientes são interativos, e lá se descobre que a língua portuguesa falada no Brasil não apenas tem influência portuguesa, índigena ou africana, mas tem influência do mundo inteiro. Acho que vale muito à pena passar uma tarde lá e adquirir esse conhecimento, principalmente pelo fato de não ser um museu chato, mas sim muito dinâmico.

    O endereço pros interessados é:
    Praça da Luz, s/n°
    Bairro da Luz – São Paulo

    Vahn, o documentário do João Ubaldo é esse?

  2. RogBriNas said, on 30/06/2009 at 11:14

    Em falar nisso, encontrei esse vídeo que mostra o museu!!

  3. RogBriNas said, on 30/06/2009 at 11:18

    O vídeo que eu comentei no outro post é esse, pena que o som ta uma merda.

    • Anônimo said, on 01/05/2012 at 22:42

      Super interessante irei lá nesse museu em breve, e amei os post’s muito interessante !!

  4. leonardomeimes said, on 30/06/2009 at 20:43

    =D massa esqueci que o Youtube existia, que bom que vc conseguiu algumas contribuições, sugiro que vc coloque-as no post e assine Rogbrinas em baixo =D

    Eu amo essa língua =D

  5. RogBriNas said, on 01/07/2009 at 08:54

    HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA

    Deixa elas ae, relaxa.

    🙂


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