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LETRAMENTO

Posted in Educação by leonardomeimes on 11/06/2009

linguaportuguesa

A partir dos anos 80 os projetos político pedagógicos (PPPs) das escolas brasileiras passaram prever a aplicação de pressupostos lingüísticos nas salas de aula. A prática de ensino era voltada a formação de profissionais para o mercado de trabalho, então o ensino de língua perdia espaço para disciplinas das áreas exatas. A visão que prevalecia, e ainda prevalece, do ensino de língua portuguesa recaia nas praticas tradicionais, de ensino da gramática, sem contexto, sem noções de variação e oralidade.

Mas, como havia dito no começo, nessa época os estudos lingüísticos começaram a mostrar outras faces do ensino de língua que deveriam ser levadas em consideração. Uma língua existe apenas quando está ocorrendo a comunicação, dessa forma a característica integracionista da língua fica evidente, e o estudante deveria aprender na escola como utilizar a língua para as diversas interações que estabelece durante a vida. Nesse sentido o ensino da gramática pura e descontextualizada foi condenado ao fracasso. Percebe-se que apenas o conhecimento das regras gramaticais não permite que uma pessoa seja uma boa escritora ou leitora, então o texto deve se tornar o foco da aula. A partir dele é que o aluno tem que construir seu conhecimento sobre a língua, sobre os gêneros textuais que o cercam e sobre o mundo, consequentemente.

língua20portuguesa Mary Kato, professora e pesquisadora, criou o termo “Letramento” para designar a prática do ensino de língua com base em textos e na interelação entre as disciplinas escolares. Ela dividiu o ensino da escrita em duas partes que somente juntas surtem o efeito desejado: primeiramente a aquisição do “código” escrito (compreensão do sistema ortográfico) e depois a utilização do sistema (produção e leitura de textos). Logicamente, os dois ocorrem em sincronia sendo o texto a fonte do aluno para aprendizado do “código” e a ortografia o meio do aluno para realizar seus textos.

O aluno, então, não precisa mais decorar regras gramaticais intermináveis e nomenclaturas inúteis. Ele aprende escrevendo com espontaneidade, errando (o que pode ser considerado uma hipótese criada pelo aluno para resolver seu problema, portanto não é mais um erro), analisando diversos gêneros, escrevendo para diversos destinatários, sempre com atividades de análise do conhecimento textual e lingüístico que é utilizado.

Porém temos problemas, os professores até hoje, depois de quase 30 anos, não conseguiram se desvencilhar das práticas de gramática, análise sintática e nomeação dos elementos textuais intermináveis, e sem objetivo. Ainda pior é o fato deles se pautarem por uma gramática normativa que em princípio não é exata nas definições que dá. A questão é que, apenas nas últimas duas décadas as teorias lingüísticas estão entrando no currículo dos graduandos em letras, enquanto que nos currículos dos de pedagogia, que ensinarão os alunos a escrever e ler, ainda não estão presentes.

literaturaportuguesa Uma melhora nesse panorama, ou seja, um desvencilhamento dessas práticas antiquadas pode ocorrer agora que o Enem contém questões de interpretação e análise lingüística menos normativas. Porém até quando nossos professores terão dificuldades por falta de conhecimento sobre gêneros, sobre língua, sobre cognição, sobre metodologia, sobre textualidade? Até quando ensinarão nomenclaturas em vez de ensinar a seus alunos a escrever e ler com eficácia, para que possam atuar por meio dessas habilidades na sociedade extremamente grafocêntrica que vivemos?
Leonardo Meimes

charge-sujeito

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2 Respostas

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  1. RogBriNas said, on 11/06/2009 at 15:23

    Infelizmente o sistema de ensino tem a proposta de acabar com o analfabestismo sem se preocupar com o chamado analfabeto funcional. Isso quer dizer que o cara sabe reconhecer as letras, mas não conseguem entender um texto, isso porque não conseguem raciocinar no texto lido. Ae é foda, Brasil!!!

  2. anndlima said, on 13/06/2009 at 11:45

    oque adianta a pessoa saber ler, mas não saber interpretar o texto ?
    ¬¬


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