Roland Barthes – O Prazer do texto
Essas produções da arte contemporânea, que esgotam a sua necessidade tão logo a pessoa as viu (pois, vê-las , é compreender imediatamente com que fim destrutivo são expostas: não há mais nelas nenhuma duração contemplativa ou deleitativa).
À direita, o prazer é reivindicado contra a intelectualidade, o clericato: é o velho mito reacionário do coração contra a cabeça, da sensação contra o raciocínio, da “vida” (quente) contra “a abstração” (fria): o artista não deve, segundo o sinistro preceito de Debussy, “procurar humildemente causar prazer”.
À esquerda, opõe-se o conhecimento, o método, o compromisso, o combate, à “simples deleitação” (no entanto, e se o próprio conhecimento fosse por sua vez delicioso?).
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