Moscas Mortas Revolution – Página Inicial

Publicado em Uncategorized por moscasmortasrevolution em 22/09/2009
 
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Leonardo Meimes e Júlia Koren…
 
 

Imbecil

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/o-imbecil/

Imbecil

Queria pedir permissão para a CARTA CAPITAL e para a minha amiga e ex-colega de FOLHA, grande repórter Cynara Menezes, e reproduzir aqui partes do seu texto.

É daqueles que martelam no inconsciente.

Que dão luz.

Eu gostaria de tê-lo escrito, linha por linha.

Dá um ponto final ao debate que, há tempos, tenho trazido para cá e para as minhas colunas.

Leiam:

 

O imbecil politicamente incorreto

 

Por Cynara Menezes, na CartaCapital:
Em 1996, três jornalistas – entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social.

Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos.

No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
1. O “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios – os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. O comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
3. O cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.”

BLOG DO REINALDO AZEVEDO FAZ CAMPANHA ANTECIPADA PARA JOSÉ SERRA

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

 Será que o TSE vai retirar o Blog do jornalista da revista Veja, Reinaldo Azevedo por fazer campanha explícita antecipada para o tucano José Serra? Ele vive esculhambando a Dilma Rousseff diariamente e nunca foi punido pelo TSE. Veja o que o abestalhado do Reinaldo escreve de propaganda para seu candidato:

Reinaldo Azevedo da VEJA pode. Quem não pode é a blogosfera.

O nome da doença que assola o Brasil é Reinaldo Azevedo

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

NESTA MANHÃ, O ARTICULISTA QUE INCITA ÓDIO NA POLÍTICA BRASILEIRA SE SUPEROU. DISSE, COM TODAS AS LETRAS, QUE O ELEITOR DE LULA É SEM-VERGONHA. SE A CULPA É DO BRASILEIRO, ISSO SIGNIFICA QUE ELE JÁ ADMITIU SUA PRÓPRIA DERROTA

18 de Agosto de 2011 às 08:59

Leonardo Attuch

É triste ver uma pá de inteligência ser desperdiçada inutilmente. O articulista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, tem cérebro, domina o vernáculo como poucos no Brasil e empresta boas quantidades de lógica ao que escreve. Mas, lamentavelmente, conseguiu se converter no porta-voz do que há de mais atrasado na política brasileira atual: a hipocrisia da moralidade. Reinaldo é o “cheerleader” do serrismo, a força derrotada nas últimas eleições presidenciais, de onde brota boa parte dos escândalos atuais.

Num longo artigo publicado na manhã de hoje, ele escreve que “o nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva”. É talvez seu texto mais ousado – e que representa quase uma confissão de derrota política. “Enquanto Lula for uma figura relevante da política brasileira, estaremos condenados ao atraso”, escreve Reinaldo. Então esqueça, meu caro: enquanto Lula estiver vivo, terá papel central na política nacional. E possivelmente preservará sua influência mesmo depois de morto, tal qual Getúlio, que os inimigos – porta-vozes do discurso do “mar de lama” – levaram ao suicídio.

Reinaldo joga de vez a toalha quando transfere a culpa pelo que enxerga como atraso ao cidadão brasileiro. “Há diversas razões que explicam o fenômeno, muitas delas já conhecidas. O apoio do Congresso foi vital – além da sem-vergonhice docemente compartilhada por quem votou nele. Não dá para livrar os eleitores de suas responsabilidades.” Atenção, eleitor de Lula e leitor de Veja: o mestre-sala da publicação lhe considera um meliante, um malandro, um picareta, um desonesto. Um sem-vergonha.

Ora, Reinaldo, se a culpa é do brasileiro, a conclusão é uma só: o país não tem jeito mesmo. E talvez a única solução seja o aeroporto. Não importa se 35 milhões de brasileiros cruzaram a linha da miséria na última década, se o Brasil se tornou a Meca dos investidores internacionais e se o desemprego é o mais baixo desde o início da série histórica do IBGE. O eleitor, além de mau caráter, deve ser burro, mesmo. Pior, é masoquista.

Qual seria a grande doença representada pela figura de Lula? Ah, o fisiologismo levado ao extremo, simbolizado pela aliança entre PT e PMDB, que gera tantos escândalos de corrupção. Mas será que isso foi inventado por Lula? Bom, o peemedebista Geddel Vieira Lima foi ministro da Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso. Mas naquele tempo ele era honesto. Lula o corrompeu. Renan Calheiros – sim, o mesmo Renan que Veja tentou derrubar em 12 capas consecutivas antes das eleições presidenciais de 2010 – foi ministro da Justiça de FHC. Mas ele também era honesto naquele tempo. Lula o corrompeu. E tem também o Eliseu Padilha, dos Transportes – como era o apelido do Padilha mesmo, Reinaldo?

Bom, e no PFL (atual DEM), é claro, só tinha gente honestíssima.

No seu artigo de hoje, Reinaldo até admite que FHC teve que sujar as mãos ao governar com alguns aliados do PMDB. “Mas era uma gestão com alguns propósitos”, diz ele. Cuidado, Reinaldo, para não cair na mesma lógica do discurso delubiano que você tanto condena – o de que, em nome do projeto, tudo é permitido. Sua ética é absoluta, pura, kantiana ou é adaptável às circunstâncias?

Reinaldo diz que muitos intelectuais apontaram na política de alianças de FHC uma rendição ao velho patrimonialismo brasileiro, tão bem diagnosticado por Raymundo Faoro. Mas o articulista indaga como é possível, ao mesmo tempo, ser patrimonialista e também reduzir o tamanho do Estado, privatizando estatais? Muito simples, Reinaldo. Basta ver como foram privatizadas as estatais. Quer um exemplo? Antes das privatizações, Benjamin Steinbruch era apenas o herdeiro de um grupo têxtil em dificuldades financeiras, a Vicunha. Mas como era também amigo de Paulo Henrique Cardoso, filho de FHC, comprou primeiro a CSN e depois a Vale. No leilão da mineradora, Antônio Ermírio de Moraes, à época o empresário mais rico do Brasil, desistiu quando percebeu que os fundos de pensão estatais, colados em Steinbruch, dariam sempre um lance maior. Detalhe: apesar de tudo isso, FHC foi, sim, um grande presidente.

Reinaldo deve ter acordado hoje inconsolável porque, apesar da queda de Wagner Rossi, a aliança entre PT e PMDB não foi abalada. Parece inquebrantável, apesar de todos os tremores. Um deputado peemedebista, Mendes Ribeiro Filho, já está sendo indicado para o Ministério da Agricultura com apoio de toda a bancada e do vice Michel Temer. E o resultado dessa aliança é um só: desloca o eixo do poder do bloco tucano para o lado petista. Os tais vinte anos de poder sonhados por Sérgio Motta têm tudo para ser alcançados por seus adversários – ou será que alguém enxerga alguma oposição viável em 2014? Aécio? Serra? Esse é o ponto central de uma discussão que não tem nada que ver com ética, moralidade ou republicanismo – diz respeito apenas à disputa pelo poder.

Significa então que a corrupção e o fisiologismo não devem ser combatidos? Evidente que devem ser atacados. Mas enquanto essa discussão não for levada a sério, no âmbito de uma reforma política, que discuta até o financiamento público das campanhas eleitorais, estaremos presos ao terreno da ética seletiva, com falsos moralistas vendendo a ideia do “mar de lama” e sugerindo a morte – real ou concreta – do “lulismo”. Esta hipocrisia, representada por você, Reinaldo, é a verdadeira doença que assola o Brasil.

Refutando Reinaldo Azevedo

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012
Contesto aqui algumas passagens de um texto de Reinaldo Azevedo, articulista  da revista Veja, publicado em dezembro de 2011 no seu blog hospedado no site da revista. Nesse texto o autor escreve sobre o grupo Clarín, os governos da Argentina, Venezuela e Brasil e sobre o Mercosul.


“Todos vimos a truculência contra o canal a cabo de TV do grupo Clarín, na Argentina. A camarilha, liderada por Cristina Kirchner, está disposta a quebrar a espinha da imprensa e conta, para isso, com setores do Judiciário, da polícia e, como sempre acontece nesses casos, do empresariado.”

 

Isso de “camarilha” e “espinhas quebradas” não é nada mais do que a já bem conhecida manipulação e tergiversação grosseira dos fatos realizada pelos empregados do PIG. Tantos os de lá como os daqui. O que ocorre é que existe um processo judicial contra um canal a cabo de TV do grupo Clarín. Esse processo é movido por uma empresa regional de TV a cabo que acusa o grupo Clarín de concorrência desleal, oferta de preços predatórios e demais procedimentos que desrespeitam a constituição do país. A invasão só ocorreu porque quando os oficiais de Justiça chegaram à sede da empresa para iniciar a intervenção foram impedidos de entrar. Então, pediram apoio para cumprir sua missão, e o tribunal ordenou a ação policial.

“Muitos oportunistas se aproveitam para obter benefícios que não seriam concedidos por um regime democrático pautado pela transparência. No Brasil, setores da esquerda e aquela corja de ex-jornalistas financiada pelo governo federal e por estatais aplaudiram a truculência da “Beiçola de Buenos Aires” — o outro ídolo da súcia é o “Beiçola de Caracas”.

O que não está pautado pela transparência é o parágrafo acima. Parece que o objetivo foi somente fazer acusações fáceis e beiçolas com um pseudo-humor à la Zorra Total. Que truculência foi cometida pela presidente da Argentina? Repito, a entrada de força policial na sede da Cablevisión decorreu de uma ordem judicial, e não de uma ordem de Cristina Kirchner, e é parte das ações de um processo judicial que nem sequer é movido pelo governo argentino e muito menos por Cristina Kirchner. Outro ponto, concretamente, quais “setores da esquerda” são financiados pelo governo e estatais? Especificamente, quais são os nomes e sobrenomes dos ex-jornalistas que seriam financiados pelo governo e estatais?
“O mais impressionante é que Cristina nem se encontrava em solo argentino. Estava em Montevidéu para participar de uma reunião do Mercosul, em companhia dos presidente do Uruguai, Paraguai, Venezuela e Brasil. Sim, Dilma Rousseff entre eles.”

Dilma Rousseff entre eles?! Como diabos ela pode ter sido capaz de participar de uma reunião do Mercosul com presidentes de países membros do Mercosul?! Terrível essa Dilma, terrível!

“O dia da operação contra o grupo Clarín foi escolhido a dedo. A presidente da Argentina quis transformar os demais líderes em cúmplices de sua investida.”

O grande mistério é: de que preciosa fonte do saber brotou essa surpreendente (pseudo) teoria de conspiração? De El Clarín?

“A propósito: a Venezuela ainda não é membro efetivo do Mercosul, e o grupo decidiu estudar meios de acelerar seu ingresso. Isso só é possível com a concordância unânime dos países, mas a decisão de cada um precisa ser referendada pelos respectivos Parlamentos. O Senado paraguaio, até agora, rejeita a Venezuela porque considera que o país transgride a cláusula democrática — o que é uma verdade absoluta.”

Verdade absoluta?! Um passarinho me contou que é sempre bom desconfiar desse treco aí. Antes de tudo, é preciso ressaltar que há mais de cinco anos a Venezuela adotou o marco legal, político e comercial do Mercosul e desde então, assim como Peru, Chile, Colômbia, Bolívia e Equador, a Venezuela é um membro associado do Mercosul e, como tal, participa de reuniões do Mercosul e é signatário de acordos sobre matérias comuns.

Para que a Venezuela passe de estado associado a “estado parte” do Mersosul é preciso a aprovação dos congressos dos países que já estão nesse grupo, a saber, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa vitória, que é  política e nada tem a ver com a alardeada “verdade absoluta”, depende de subjetivismos e ideologias dos membros dos congressos daqueles países. No Brasil, a oposição votou contra o ingresso da Venezuela na categoria de estado parte do Mercosul, mas como era minoria, perdeu. O mesmo ocorreu nos congressos da Argentina e do Uruguai. No congresso do Paraguai ocorre o oposto, a maioria é conservadora e tende à direita e, por isso, e só por isso, a Venezuela ainda não é um dos estados partes do Mercosul.

CQC kkkkk

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

Reinaldo Azevedo e Veja: a torpeza como política

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012
ESCRITO POR MARCELO SOTELO FELIPPE
SEXTA, 09 DE DEZEMBRO DE 2011
 

Reinaldo Azevedo postou em seu blog violento ataque à Associação Juízes para a Democracia. O motivo foi a nota em que a entidade de juízes fez críticas à conduta da reitoria da USP e das autoridades nos recentes episódios envolvendo aquela Universidade.

 

A nota da AJD também motivou matéria da Veja. Ilustrada com uma foto da suástica nazista. Inacreditável.

 

No texto de Reinaldo Azevedo há dois aspectos que merecem atenção das pessoas razoáveis e lúcidas do país.

 

O primeiro – que foi também o mote da Veja – é a desonesta manipulação de um conceito básico das democracias contemporâneas.

 

A nota da AJD diz, em certa passagem, que a lei, seja em si mesma, seja na sua aplicação, deve ser recusada se contrariar princípios constitucionais.

 

Acontece todos os dias nas sociedades democráticas. Nas decisões dos tribunais, juízes ou administradores públicos. Do ponto de vista dos cidadãos, relaciona-se com o conceito de desobediência civil, tal como praticado por Gandhi e Martin Luther King, filosoficamente consolidado, ainda que de escassa repercussão prática. No conflito entre uma regra positiva e a moralidade, prevalecem a moralidade e os princípios constitucionais.

 

Mas o colunista pinça a frase para dizer que os juízes estão atacando o Estado de Direito e a idéia de supremacia da lei. Os juízes da AJD fizeram rigorosamente o contrário. Defenderam o Estado de Direito, a ordem constitucional e a moralidade.

 

Isto se chama delinqüência intelectual. Mostra a inacreditável má-fé e desonestidade do colunista. Podia ser burrice, mas não parece ser o caso de se atribuir burrice a Reinaldo Azevedo. É o porta-voz das trevas, simplesmente.

 

O segundo aspecto. Após conduzir, maliciosamente, seus leitores à conclusão de que a AJD é uma perigosa entidade subversiva que pretende destruir a democracia, nomina, um a um, os dirigentes da entidade.

 

Isto se chama delinqüência política. Que também atende pelo nome de fascismo. Neste momento o colunista ingressou na infame galeria em que figuram, entre outros, Joseph McCarthy e o jornalista Claudio Marques.

 

McCarthy, como os leitores devem lembrar, foi o senador norte-americano responsável pela “caça às bruxas” nos anos 50, que perseguiu e destruiu a vida de milhares de pessoas sob a acusação de esquerdismo, fazendo da delação instrumento de ação política.

 

Claudio Marques foi o jornalista que denunciou Vladimir Herzog como perigoso esquerdista infiltrado na TV Cultura. Herzog foi preso após a infame campanha movida por Claudio Marques e o fim do episódio todos conhecemos.

 

Reinaldo Azevedo vem numa escalada de violência verbal. Perdeu a noção de limites. Embriagado pelo sucesso de sua retórica ultradireitista em certo segmento social, criou um círculo vicioso em que ele e seus leitores alimentam-se reciprocamente de ódio. Sua linguagem incita o ódio dos leitores, e o ódio dos leitores o incita a tornar-se mais violento e permissivo.

 

Quem lê “A Chegada do III Reich”, do historiador inglês Richard Evans, identifica esse mesmo mecanismo na República de Weimar. Figuras semelhantes a Reinaldo Azevedo pululavam. O conceito clássico de fascismo é o uso da violência como instrumento político. Nenhuma violência política se viabiliza sem uma etapa anterior de ódio e violência verbal. Este o papel em que Reinaldo Azevedo e Veja se comprazem. O fascismo não surge por geração espontânea. Germina pouco a pouco com semeadores desse tipo.

 

Conflitos políticos resolvem-se, em uma democracia, por procedimentos antecedidos por diálogos em que os sujeitos agem racionalmente e submetem-se a tais procedimentos independentemente de seu resultado. Quem, como a Veja ou Reinaldo Azevedo, aventura-se no caminho da infâmia e da torpeza recusa esse diálogo racional e recusa os mecanismos democráticos. Não se importa mais com a política democrática, fazendo falsas profissões de fé na democracia. Vislumbra apenas o ódio como meio de ação política. Se o ódio não for suficiente, vai recorrer a outro tipo de violência.

 

 

Marcelo Sotelo Felippe é procurador do estado de São Paulo.

Reinaldo Azevedo colunista da revista Veja magnetiza o ódio a Lula

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

29  Out  2011

Blog do jornalista da revista Veja é um imã para aqueles que festejam a doença do ex-presidente

“No dia 18 de agosto de 2011, o jornalista Reinaldo Azevedo, de Veja, publicou um polêmico texto intitulado “O nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva” (leia). Aqui, no Brasil 247, publicamos “O nome da doença que assola o Brasil é Reinaldo Azevedo” (leia aqui).

Reinaldo Azevedo já foi diagnosticado com um tumor no cérebro e tem sido vítima de comentários agressivos na internet. Mas seu blog, no dia de hoje, se transformou num imã para agressões ao ex-presidente Lula. Eis alguns comentários que foram postados:

“Que pena! Diminuem as chances de vê-lo na cadeia”

“A natureza nos fez um grande favor de calar a boca do Apedeuta em chefe”

“Agora dá pra acreditar que aqui se faz aqui se paga. Vai mensaleiro!”

“Que tenha vida longa para terminar seus dias na cadeia”

“Desejo que Lula tenha vida longa – acompanhada de péssima saúde”

“Será que o Mula está tendo urticária por ter que se tratar e conviver com a elite paulistana num dos melhores hospitais do País”

“O pior é que dinheiro gasto para tratamento é o que ele roubou do povo”

Reinaldo costuma dizer que modera comentários para evitar agressões e para não se igualar ao que chama de “petralhas”. Mas o fato é que ele, mais do que ninguém, alimenta o ódio na política.

Link para vídeos de protestos contra a PM e o Alckmin

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MAC

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

Por Lino Bocchini

 

foto polemica VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MACArielli e Matarazzo batem boca na foto da Agência Estado que foi parar na capa do jornal de domingo

 

A cena do secretário estadual de Cultura e pré-candidato a prefeito do PSDB Andrea Matarazzo com o dedo na cara de uma manifestante foi pras homes dos principais portais de notícias do país no sábado à tarde, logo após a inauguração parcial da nova sede do MAC, no prédio do antigo Detran, em São Paulo. No domingo, a foto de autoria de Paulo Liebert, reproduzida acima, estava na capa da edição impressa do Estadão. No mesmo dia, a revista Veja, através de seu colunista Reinaldo Azevedo, revelava a suposta identidade da manifestante: “Quem é aquela mulher (…) cordata, suave, pronta para o diálogo? (…) É Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está”. Acontece que a estudante em questão não é Rafaela. A revista Veja errou. Trata-se de Arielli Tavares Moreira, 22 anos, estudante do quinto ano do curso de letras da USP. E há mais incorreções. O colunista também chama os manifestantes de “burguesotes”. Arielli é de família classe média-baixa da pequena cidade de Tatuí. E Rafaela, exposta e atacada pela revista de maior circulação do Brasil sem sequer aparecer na foto, é moradora de Guaianases, zone leste paulistana –e não vive no Crusp, conforme disse Veja. Para completar, mais um erro: nem Rafaela nem Arielli são filiadas ao Partido dos Trabalhadores, acusação feita por Azevedo, Andrea Matarazzo e pelo vereador Floriano Pesaro. Pelo contrário, as meninas são críticas ao governo Dilma Roussef e ao PT. A seguir os principais trechos da conversa com Arielli (que está de fato na foto) e Rafaela (que Veja “colocou” na foto):

ARIELLI, Você pode por gentileza descrever como foi aquele momento da discussão com Andrea Matarazzo?
No momento da foto estávamos cantando o refrão “Alckimin, seu matador! Assassinando o povo trabalhador!”. Isso tem sido cantado por ativistas do movimento social do país inteiro, que estão organizando atos exigindo que o PSDB pague pelo sofrimento que tem causado, como no caso do Pinheirinho. [O secretário] apontou o dedo pra mim e me chamou de “mal-educada”. De fato, para a ideologia burguesa, hipocrisia é sinônimo de educação, e dizer a verdade sem meia palavras não é de bom tom. Tomado pelo ímpeto professoral de quem insiste em dar “aulas de democracia”, ele continuou se aproximando e me chamando de mal-educada. Em seguida um de seus assessores conseguiu convencê-lo a entrar no carro, e ele foi embora.

Ele diz que você cuspiu na cara dele, isso é verdade?
Não. Depois que a foto foi veiculada para todo canto, vi que ele me acusou de ter cuspido nele. Não me surpreende nada que uma pessoa que está de mãos dadas com a especulação imobiliária há tanto tempo tenha que inventar uma mentira dessas para justificar a postura truculenta. Afinal não pega bem uma foto com o dedo na cara de uma manifestante em ano de eleição. Andrea Matarazzo é filho da elite paulistana e tem uma história no PSDB. Ele é o responsável pela elaboração do projeto “Nova Luz”, que visa “revitalizar” o Centro à moda tucana, ou seja, expulsando e eliminando a população em situação de rua. Também foi ele quem assinou o projeto de calçada “anti-mendigo”.
[Abaixo o vídeo do momento da discussão, em que se ouve que outra frase repetida diversas vezes pelo secretário: “Estraguem meu carro”, dita em tom desafiador]

 

 

Por que você resolveu ir ao MAC?
Enquanto a elite paulistana finge ser educada inaugurando seus museus, sujam as mãos de sangue no massacre do Pinheirinho. A cada dia que passa se desfaz o mito de uma operação de desocupação pacífica. Há relatos de feridos e desaparecidos que ainda não localizados depois da ação da PM. Fui então na inauguração do MAC porque vi na internet que Alckmin e Rodas [João Grandino Rodas, reitor da USP] estariam lá. Fomos protestar contra a ação da PM na USP, na Cracolândia e no Pinheirinho. Tanto Rodas quanto Alckmin defendem um projeto de sociedade contrário ao meu e de centenas de ativistas do movimento social. E é contra esse projeto que precisamos lutar, não apenas dentro dos muros da universidade. Não me surpreende que ambos tenham mostrado o quanto são covardes ao não comparecer a inauguração.

 

o estado de sao paulo 29012012 VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MACArielli e o conde no Estadão de domingo

 

O que você achou de aparecer na capa de jornais e em grandes portais com o secretário?
A exposição assusta um pouco, mas não estou ali expondo apenas minha individualidade, o clique registra não apenas a minha indignação, mas a de minha geração, junto comigo tinham vários estudantes, poderiam ter fotografado qualquer um de nós. A repercussão está relacionada também ao fato de que as pessoas estão tomando conhecimento do que aconteceu no Pinheirinho e está ficando difícil para mídia esconder os fatos, como faz normalmente.

O que você diria às pessoas que afirmam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?
Na minha opinião ser estudante de uma universidade pública é mais do que assistir as aulas e conseguir um diploma. Temos a responsabilidade de ter uma visão crítica sobre o que acontece ao nosso redor. Quando a mídia tenta colocar rótulos sobre os estudantes ela não está fazendo nada além de reduzir a opinião das pessoas, com o objetivo de impedir que elas se expressem. Não é à toa que nunca vimos uma entrevista completa de um estudante sobre uma pauta do movimento social veiculada pela grande mídia.

O que você acha do Reinado Azevedo? E da mídia convencional em geral?
Infelizmente Reinaldo Azevedo não tem sua licença de jornalista cassada, então segue cumprindo um desfavor para a comunicação, sem qualquer tipo de compromisso ético. Ao invés de argumentar sobre a nossa atitude, reduziu o protesto a mim e tentou me desmoralizar com fotos e piadinhas de mau gosto. O mais preocupante é vê-lo incitando a violência contra os manifestantes e apoiando a atitude truculenta do secretário, fazendo coro com o fascismo e com o nazismo. Vendo o que significam esses momentos na história do mundo acredito que não se deve incitar esse tipo de ação como esse “jornalista” faz usualmente.

O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, classificou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?
Se fôssemos inocentes diríamos que o vereador está mal informado. Mas, sabendo de quem se trata, diria que ele tenta fazer as pessoas acreditarem que estamos fazendo isso porque é ano de eleição. Minha militância é ativa independente desses períodos. Sou militante do PSTU e milito contra as injustiças sociais que estes senhores seguem perpetuando. Mas é claro que eles não podem compreender o que isso significa. Para eles a situação dos trabalhadores brasileiros que passam fome e não tem onde morar não passam de números em seus relatórios.

Você é filiada ao PT? O que você acha do Partidos dos Trabalhadores, de Lula e de Dilma?
Assim como Lula, a Presidente Dilma tem a confiança da maioria dos trabalhadores do país e tem o poder do Estado. Se ela quiser pode resolver a vida de todos os moradores do Pinheirinho desapropriando o terreno e o transformando em área de interesse social. Não é possível que ela se omita enquanto um massacre segue acontecendo. Quem de fato está ao lado dos trabalhadores não pode ficar apenas na torcida.

O que você acha dessa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Só petistas ou filiados a outros partidos de esquerda desaprovam o governo e protestam contra eles?
É claro que não. Eles fazem essas acusações rasas –para dizer o mínimo– para perpetuar a visão maniqueísta deles. Essa polarização entre o PT e o PSDB é falsa. As pessoas se mobilizam quando as contradições entre a vida e nossa consciência se tornam tão agudas que se torna impossível suportar calado, e isso não depende de nenhum partido ou tampouco de quantos livros marxistas você leu na vida.

 

arielli na rua de noite VEJA e Reinaldo Azevedo erram feio e Falha entrevista a verdadeira estudante da USP que discutiu com Andrea Matarazzo no MACA estudante no centro paulistano, em foto de seu Facebook

 

Por fim, Reinaldo Azevedo chamou-a de “burguesote”. Você é de família rica?
Durante o ato alguns dos presentes também nos acusaram de “burguesinhos” ou “filhinhos de papai”. Eu sou de uma família de classe média baixa do interior (Tatuí-SP), e acredito que não importa da onde você veio, mas sim ao lado de quem você quer estar.

AGORA FALA RAFAELA MARTINELLI, TAMBÉM ESTUDANTE DE LETRAS DA USP, E QUE FOI “COLOCADA” NA FOTO POR VEJA
RAFAELA, o que você achou de ser identificada erroneamente como a “garota da foto” Por Reinaldo Azevedo no site da Veja?
Eu não tenho paciência pro jornalismo de quinta categoria da Veja. Eles não fazem nem questão de disfarçar a parcialidade deles. Como um texto tão chulo –independente da posição que defenda– pode ser considerado jornalismo? É nojento.

Você estava no protesto do MAC? Se sim, por favor fale um pouco como foi lá.
Sim. Quando vi que teríamos em SP um evento que juntaria Matarazzo, Alckmin e Rodas no mesmo lugar pensei que não poderíamos deixar passar. Aí criei um evento no Facebook. Não imaginava que daria certo, mas felizmente deu. O governador não apareceu, e aí já temos um problema: um governador que esconde a cara da população não é digno de confiança nenhuma. E não tinha motivo pra se esconder. Ninguém lá, além da PM, estava armado ou coisa parecida. O reitor da USP viu os manifestantes de dentro do carro e foi embora. Ainda lá no evento conseguimos cercar o Maluf e o Matarazzo. Fizemos algumas perguntas desconfortáveis pro Maluf até que ele foi embora. Depois fizemos o mesmo com o Matarazzo, mas ele e os homens que o acompanhavam foram bem mais agressivos. Um dos manifestantes revidou e foi imobilizado pela PM. O que eu achava mais bizarro é que esses engravatados é que vinham pra cima dos manifestantes e era a nós que a polícia repreendia. É só olhar as fotos! Tem um homem de camisa rosa que aparece em várias delas, claramente exaltado, que veio pra cima de vários de nós. Eu tentei impedi-lo de bater num manifestante e tomei um soco no braço e um empurrão. A maior agressão que partiu dos manifestantes foi uma ovada e, francamente, diante de toda a repressão policial que temos presenciado ultimamente, chamar uma ovada de “violência” é risível.
[Abaixo o vídeo do rapaz de camisa rosa que estava com Andrea Matarzzo e o vereador Floriano Pesaro e partiu pra cima dos manifestantes]

 

O que você diria às pessoas que pensam que todo estudante da USP é maconheiro e vagabundo?
Infelizmente essa é uma reação normal. As pessoas falam que há certas formas de manifestação que não são corretas. Concordo, mas em 2009 na USP atiramos flores nos policiais e fomos chamados de vândalos. Acho que chegamos ao ponto crítico em que qualquer movimento mínimo que ouse nos tirar da “normalidade” será chamado de vandalismo. Depois da manifestação, uma senhora me abordou e disse que deveríamos estar protestando contra a corrupção. Disse a ela que demonstrar repúdio a um governo que subsidia canalhas como o Naji Nahas e o João Grandino Rodas é uma forma muito concreta de se manifestar contra a corrupção, que não adianta achar que “corrupção” é só uma questão de caráter: há um sistema por trás. Batemos um papo lá e ela até apertou minha mão depois. Quer dizer, no fim das contas, acho que o caminho é esse: tirar as pessoas da zona de conforto, do diletantismo e da indignação inócua e fazê-las tomar um posicionamento. Para isso servem as manifestações.

O vereador Floriano Pesaro, que estava ao lado de Andrea, chamou vocês de “pseudo-manifestantes” e “nazipetistas”. O que você acha disso?
Qual é o critério para se definir quem são “pseudo-manifestantes” ou manifestantes “de verdade”? E nazista pra mim é quem promove políticas de extermínio como no Pinheirinho e na Cracolândia.

Você é filiada ao PT?
Não sou filiada a nenhum partido..

Reinaldo disse que você é da comunidade Marxismo e PT, isso é verdade? Você está em alguma comunidade do tipo no Facebook?
Eu sigo no Facebook uma corrente do PT que se chama “Esquerda Marxista”, assim como também sigo muitos outros partidos, correntes e movimentos sociais.

O que você acha desa história de “acusarem” de petistas todos os que criticam Alckmin ou Kassab? Você acredita que só petistas desaprovam e protestam contra eles?
O PT é a maior oposição ao PSDB na grande política, então é natural que associem qualquer tipo de oposição ao PT. Mas acreditar nisso é um tanto absurdo…

Do Desculpe a nossa Falha

Reinaldo Azevedo e a desinformação de seu blog

Publicado em Uncategorized por leonardomeimes em 01/02/2012

 

 21 jan 2012 @ 12:50 PM
Reinaldo Azevedo é um cara informado e, ainda que não fosse, como é é colunista de um blog hospedado no site da Revista Veja, ele tem sim a obrigação de passar informações corretas para seus leitores. Mas não é isso o que ele faz. Como dizem por aí, uma mentira se torna mais verossímil quando misturada a um tanto de verdade. E é o que ele faz: fornece ao leitor algumas informações verdadeiras em meio a um oceano de mentiras desastrosas e vergonhosas. É como se ele trabalhasse no “Ministério da Verdade”.

O alvo agora são os presidiários e ele os atacou em dois textos que revelam uma desonestidade intelectual muito grande. Vamos a eles:

Do Auxílio Reclusão

Neste texto aqui, o preclaro blogueiro, usando o natural repúdio que a sociedade tem contra o crime e os que adotam condutas criminosas, após fazer um discurso patético sobre como os pobres e cidadãos comuns neste país têm menos direitos do que o ‘bandido’ (um cidadão comum ganharia um salário mínimoMENOR do que o auxílio reclusão), disse o seguinte:

“…Faz ou não faz sentido? No Brasil, faz!!! Afinal, em Banânia, o auxílio-reclusão, pago pelo INSS aos dependentes dos presos, passou a ser de R$ 915,05 a partir do dia 1º de janeiro deste ano. Mau negócio por aqui, minhas caras e meus caros, é ser pobre, ter bom caráter e ganhar o salário mínimo, que é de R$ 622,00. O “auxílio-reclusão” — ou “auxílio-bandido”, como queiram — está previsto no Artigo 201 da Constituição. Há aquela parolagem cretina sobre a índole pacífica do nosso povo. Um país que tem mais de 50 mil homicídios por ano não é, evidentemente, pacífico. O povo brasileiro, coitado!, é desinformado, isso sim! Quantos pobres do salário mínimo têm consciência de que o estado prefere paparicar marginais?….”

Isso é uma deslavada MENTIRA. Pois:

a) Não é a família de QUALQUER preso que receberá o auxíli-reclusão; só as famílias dos presos que, antes de serem presos, estivessem trabalhando E recolhendo os valores cabíveis ao INSS.

b) Não é TODO auxílio reclusão que tem ou terá o valor de R$ 915,05. O valor do auxílio a ser pago será calculado conforme a média dos recolhimentos que o trabalhador (agora preso) tiver efetuado ao INSS. Esse valor de pouco mais de novecentos reais é o TETO. Isso significa que se o preso, quando estava trabalhando, tiver tido o último salário recebido ao valor de R$ 915,05, que a família dele NADA receberá. Se a média de salários recebidas pelo então trabalhador tiver sido R$ 600,00 será esse o valor do auxílio reclusão que será pago a seus familiares.

Se Reinaldo Azevedo tivesse consultado a Previdência Social antes de fazer sua postagem, nada disso teria acontecido.

Da garantia de creche para filhos de menores infratores:

Clarence Darrow repudiava o crime e não o criminoso e, por mais que a tendência humana seja a de ter ódio ao crimiminoso, pois somos movidos também pelo impulso da vingança; nós não vivemos mais na “Era das Vinganças” e as penas impostas aos presos não tem como intuito satisfazer o desejo de vingança de quem quer que seja (Sociedade ou vítimas ou parentes das vítimas).

A pena, em Direito Penal, tem como objetivo punir e prevenir. As penas no Brasil são, em sua maioria, de restrição da liberdade e ela (a pena) também teriam como finalidade ‘reintegrar o criminosos à sociedade’. E isso está correto. Porque, se não for para preparar o criminosos para, no final da pena, estar apto a voltar a conviver em Sociedade, então o melhor mesmo seria condená-lo à morte (e é muito fácil dizer-se defensor da pena-de-morte quando não é você ou alguém que você estima quem estará no corredor).

Mas Reinaldo Azevedo não quer saber de criminosos; afinal, eles não são ‘gente como a gente’. É a velha prática de não enxergar no outro um sujeito não só de obrigações, como também de direitos, como todo e qualquer ser humano. Só que quando o direito é negado a um cidadão que ocupa um lugar um pouco mais acima na cadeia alimentar; o discurso muda e pessoas que negavam aos presos os mínimos direitos, se apressam em exigir que os direitos constitucionais de tais pessoas (que ocupam posição social mais elevada) sejam estritamente observados.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Mas vamos ao que interessa: O tal blogueiro-colunista atacou a lei que concede aos filhos de adolescentes infratores o direito a creches, dizendo que:

“..Anteontem, por intermédio de lei, o governo federal instituiu o Sinase (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo), disciplinando as chamadas “medidas socioeducativas” para adolescentes infratores. O objetivo da lei é garantir os direitos básicos dos infratores. Certo! Até aí, tudo bem. Seguindo o bordão politicamente correto dos nefelibatas, o objetivo seria tirar o foco das punições, para concentrá-lo nas ações “socioeducativas”.

Mas não pára por aí. Se o dito infrator for pai, seu filho terá ACESSO GARANTINDO a creche ou pré-escola. Criou-se a “cota filho de bandido”. Imaginem a seguinte situação: a creche X está com todas as vagas preenchidas — e sempre estará porque há déficit de no Brasil inteiro. Terá de admitir o filho do “companheiro infrator”. Das duas, uma: a) ou abre uma vaga suplementar ou b) põe na rua o filho de um não-bandido. Note-se que, na hipótese “a”, isso jamais se faria para beneficiar o homem comum. Que bom! O menor infrator com direito a uma cadáver — e a fazer órfãos sem direito a creche garantida — tem mais um privilégio….”

O que o tal Reinaldo quer dar a entender é que os filhos dos cidadãos de bem não teriam garantido o direito à creche e isso, senhores, é uma mentira deslavada. Não nego, em absoluto, que faltam creches no país. Isso porque nossos políticos não tem vergonha na cara e vivem deixando de cumprir com suas obrigações constitucionais.

Ocorre que existem órgãos cuja obrigação, no sistema Democrático, é defender os direitos desses incapazes (crianças menores que são filhas dos cidadãos de bem e também têm negado o direito à creche): A Defensoria Pública e o Ministério Público. E, senhores, esses órgãos entraram e entram com dezenas de ações no Judiciário EXIGINDO que os municípios garantam as creches A TODAS AS CRIANÇAS. E o Judiciário tem feito a parte dele e, julgando procedente os pedidos desses órgãos, exigido que os municípios criem as vagas e estipulando multas diárias pesadíssimas.

O Reinaldo Azevedo, portanto, perdeu uma ótima opotunidade de ficar calado; ou melhor: de informar a seus leitores (a cujos filhos for negada vaga em creche) COMO, ONDE e QUANDO eles conseguiriam exigir do Estado o fornecimento da vaga em creche. No lugar de falar mal da garantia fornecida aos filhos dos menores infratores, o Reinaldo Azeredo poderia ter feito uma postagem informando a seus leitores como deveriam agir para garantir o direito dos filhos.

Mas eu vou fazer um favor aos leitores e vou sanar a omissão do Azeredo: se você estiver passando pela situação de não conseguir creche para os seus filhos, você deve procurar a Defensoria Pública ou o Ministério Público. Tais órgãos, após uma triagem, tomarão as medidas que forem necessárias para que seus filhos consigam as tais vagas.

Reinaldo ainda firmou:

“….Os vigaristas morais e ideológicos que defendem esses pontos de vista se negam a debater a questão. Preferem cair na adjetivação e na desqualificação dos críticos. Seriam “fascistas”, “reacionários”, “desumanos” etc. E não têm a dignidade mínima de explicar por que o indivíduo que delinqüiu — A MINORIA — há de ter mais benefícios do estado do que o que não delinqüiu….”

Sr. Azevedo, eu tive a dignidade moral de explicar que não é só a minoria que tem esses benefícios do Estado, que o direito à creche deve ser garantido, nos termos da Constituição, a todas as crianças (quer sejam filhas de infratores, quer não). Teria o senhor a dignidade moral de explicar a seus leitores como eles devem agir caso a negativa de vaga em creche ocorra com eles? Acho que não.

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